ARTIGO - Entre o saber técnico e o saber humano: o professor como mediador do futuro
Ser professor, atualmente, vai muito além de compartilhar conhecimento.
Entre o saber técnico e o saber humano: o professor como mediador do futuro
Por Domingos Antônio Lopes - Docente e Coordenador dos Cursos Técnicos em Segurança do Trabalho e Administração do Senac Rio Grande
Ser professor, atualmente, vai muito além de compartilhar conhecimento. É um exercício que, como dizia Alves (1994), carrega uma forma de imortalidade em cada ensino, pois vivemos nos olhares de quem aprendeu a ver o mundo com a nossa palavra. Nesse contexto globalizado e tecnológico, em que a sala de aula já não se limita a um espaço físico, mas se transforma em um ambiente vivo e dinâmico, o professor é constantemente chamado a reinventar sua presença.
O Projeto Político-Pedagógico do Senac/RS sempre propôs o protagonismo do estudante, posicionando o docente como mediador. Mas que mediador é esse quando a Inteligência Artificial se insere em nossas vidas como uma nova linguagem, quase um corpo fictício que nos acompanha em sala de aula? Talvez a resposta esteja menos na tecnologia em si e mais naquilo que Maturana (1998) nos ensinou sobre o ato de educar: a educação acontece como um ato de amor, no qual ambos, professor e estudante, aprendem lado a lado. Assim, mesmo em meio às inovações tecnológicas, a educação permanece um gesto humano, carregado de cuidado e convivência.
Para navegar por essa transformação, é preciso compreender o papel das skills — as competências exigidas por um mercado cada vez mais dinâmico. As hard skills — dominar idiomas, softwares, metodologias são inegociáveis. No entanto, Goleman (1995) nos lembra que são as soft skills, empatia, colaboração, resiliência e comunicação, que realmente diferenciam aqueles que florescem em ambientes complexos. Os profissionais que se destacam são os que sabem perceber, entender e gerenciar emoções, tanto as próprias quanto as dos outros.
A tecnologia pode ensinar códigos, mas não ensina vínculos. O idioma pode abrir fronteiras, mas não sustenta relações sem empatia. A Inteligência Artificial pode resolver cálculos em segundos, mas não sabe ouvir o silêncio do outro. É justamente aí que se encontra o verdadeiro papel do professor-mediador: criar pontes entre o saber técnico e o saber humano, entre as ferramentas digitais e a sensibilidade de viver em comunidade.
Ser docente no Senac-RS não é apenas preparar profissionais para o mercado, mas formar pessoas capazes de conviver, criar e transformar. No fim, a sala de aula continua sendo, como lembrava Maturana (1998), um espaço de encontro — um espaço em que a tecnologia pode ser uma aliada, mas onde o essencial permanece humano: o olhar, a escuta, o afeto e a coragem de aprender juntos.









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