Artigo - Lei, prevenção e responsabilidade: o avanço da cultura de primeiros socorros nas escolas
Quem sabe o que fazer até a chegada da ajuda especializada?
Lei, prevenção e responsabilidade: o avanço da cultura de primeiros socorros nas escolas
Artigo por Évillin Gutierres - Docente do Senac Rio Grande

O retorno às aulas é um momento de reencontro e grande movimento nas escolas. A rotina escolar, marcada pela intensa circulação de alunos e atividades diversas, também aumenta a chance de ocorrências como quedas, mal-estares e engasgos. Situações de emergência podem acontecer a qualquer momento, inclusive no ambiente escolar. Diante desses cenários, surge uma pergunta simples, mas fundamental: quem sabe o que fazer até a chegada da ajuda especializada? Pensando nessa realidade, a turma de formandos do curso Técnico em Enfermagem do Senac Rio Grande desenvolveu, por meio das atividades do Projeto Integrador (PI), ações educativas de primeiros socorros em escolas públicas municipais e estaduais do município de Rio Grande. As atividades envolveram professores e funcionários da rede de ensino entre os meses de junho e agosto de 2025 e mais de 100 pessoas da comunidade escolar foram capacitadas. Utilizando uma linguagem simples e voltada à realidade das escolas, foram abordadas situações comuns do cotidiano escolar, como engasgos, desmaios, quedas, convulsões e o reconhecimento de sinais de gravidade enquanto o atendimento especializado não chega. Um ponto central das capacitações foi, também, destacar o que não deve ser feito, evitando condutas que, mesmo bem-intencionadas, podem agravar o estado da vítima.
A iniciativa partiu de um princípio claro: os primeiros minutos de uma emergência são decisivos, e qualquer pessoa pode — e deve — saber como agir de forma correta e segura. Além disso, projetos dessa natureza encontram respaldo na legislação brasileira. A Lei nº 13.722/2018, conhecida como Lei Lucas, torna obrigatória a capacitação em noções básicas de primeiros socorros para professores e funcionários de instituições de ensino e espaços de recreação infantil.
Nesse contexto, o técnico de enfermagem assume um papel fundamental, que vai além da atuação tradicional nas instituições de saúde. Ao participar de ações educativas em espaços como as escolas, esse profissional contribui diretamente para a construção de ambientes mais seguros, atua na prevenção de agravos e fortalece a educação em saúde junto à comunidade. Ensinar primeiros socorros nas escolas não significa formar profissionais da saúde, mas preparar pessoas comuns para agir em momentos extraordinários, oferecendo ferramentas básicas para proteger a vida e promover segurança coletiva.
Em um mundo onde emergências não avisam quando vão acontecer, projetos como esse mostram que educação também é cuidado. Ensinar primeiros socorros é ensinar empatia, responsabilidade e cidadania, valores que acompanham alunos e profissionais por toda a vida.









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