Seja bem-vindo
Rio Grande,25/01/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

André Zenobini

A falência dos organismos internacionais

Cada vez que a ONU se mostra incapaz de agir, envia ao mundo a mensagem de que o direito internacional é opcional e seletivo.


A falência dos organismos internacionais

Estou cansado de ver o mundo reagir sempre depois, sempre tarde demais, sempre com comunicados vazios. Diante das recentes ações hostis e da escalada de tensões entre os Estados Unidos e a América Latina, torna-se impossível não encarar uma verdade incômoda: os organismos internacionais responsáveis pela manutenção da paz mundial falharam e sua falência moral é inacreditável.

A Organização das Nações Unidas, criada sob o trauma de duas guerras mundiais, nasceu com a promessa de evitar que a força bruta se sobrepusesse ao diálogo. No entanto, hoje a ONU parece menos um árbitro da paz e mais um espectador constrangido. Observa conflitos, registra discursos, convoca reuniões de emergência e, ao final, pouco ou nada resolve.

O caso venezuelano é emblemático. Independentemente das posições ideológicas ou das críticas legítimas ao governo ditatorial de Caracas, o que salta aos olhos é a assimetria de poder. Quando uma superpotência intervém, direta ou indiretamente, em outro país soberano, espera-se que os mecanismos multilaterais ajam com firmeza, investiguem, mediem, imponham limites. O que vemos, porém, é silêncio diplomático, paralisia institucional e um medo quase reverencial de confrontar os mais fortes.

O Conselho de Segurança da ONU, coração político da organização, tornou-se refém do próprio desenho. O poder de veto, vendido como garantia de equilíbrio, hoje funciona como licença para a impunidade. Se um dos membros permanentes está envolvido no conflito, o sistema simplesmente trava. A paz, então, deixa de ser um princípio universal e passa a ser negociável.

Essa falência não é apenas burocrática; é moral. Cada vez que a ONU se mostra incapaz de agir, envia ao mundo a mensagem de que o direito internacional é opcional e seletivo. Que algumas fronteiras são sagradas, outras descartáveis. Que algumas vidas merecem proteção imediata, enquanto outras cabem apenas em relatórios e estatísticas.

Quando os organismos internacionais perdem credibilidade, abre-se espaço para a lei do mais forte, para ações unilaterais travestidas de “defesa da democracia” ou “segurança nacional”. E a história já nos mostrou, repetidas vezes, onde esse caminho termina.

A crise em torno da Venezuela não é apenas um conflito regional ou ideológico. É um espelho que expõe a fragilidade de um sistema internacional incapaz de cumprir sua principal missão: evitar que o mundo volte a resolver seus impasses pela força. Enquanto a ONU não enfrentar suas próprias limitações, reformar suas estruturas e recuperar coragem política, continuará existindo apenas para promover fotos e discursos televisivos.

Poderia falar ainda sobre ineficiência da Organização Mundial do Comércio frente aos países que escolhem subir e descer tarifas como se estivessem mudando o volume do televisor, jogando às favas a segurança jurídica de contratos e a estabilidade do livre comércio. Organismos internacionais que existem, mas não protegem o diálogo e a paz, já não cumprem a sua razão de existir. 

O mundo não é e não pode ser tratado como a hora do recreio para determinados governantes. As fronteiras estão em jogo e é preciso que comecem a agir, pois o perigo que se avizinha é inimaginável para os dias atuais. 




COMENTÁRIOS

LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.

INSTALAR