Atividade industrial do Rio Grande do Sul recua 0,8% em maio e acumula queda de 5,3% em 2026
Pesquisa do Sistema FIERGS aponta desaceleração da indústria gaúcha, com retração nas compras industriais e oito meses consecutivos de desempenho inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Foto: Divulgação/ Wilson Sons A atividade industrial do Rio Grande do Sul voltou a apresentar retração em maio. De acordo com o Índice de Desempenho Industrial do Rio Grande do Sul (IDI-RS), divulgado pelo Sistema FIERGS, o indicador recuou 0,8% em relação a abril, na série com ajuste sazonal, interrompendo parte da recuperação registrada no mês anterior, quando havia avançado 1,4%. No acumulado de 2026, a indústria gaúcha registra queda de 5,3%, refletindo um cenário ainda marcado por dificuldades para a retomada do setor.
Segundo o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, embora a intensidade da desaceleração tenha diminuído nos últimos meses, o ambiente econômico ainda impõe obstáculos ao crescimento da indústria.
"A atividade industrial passou a oscilar em torno de um patamar relativamente estável, mas as incertezas relacionadas à inflação, aos juros elevados e às expectativas ainda pessimistas para a economia seguem limitando uma recuperação mais consistente da indústria", afirmou.
Compras industriais registram a maior retração
O principal fator responsável pelo desempenho negativo do IDI-RS em maio foi a queda de 1,6% nas compras industriais, indicador que apresentou o pior resultado entre os componentes da pesquisa.
Apesar da retração do índice geral, alguns indicadores apresentaram comportamento positivo no período. O faturamento real cresceu 1,1%, enquanto as horas trabalhadas na produção e o emprego avançaram 0,2% cada. A massa salarial teve alta de 0,1%, e a utilização da capacidade instalada aumentou 0,1 ponto percentual, atingindo 78,7%.
Comparação anual mostra queda em todos os indicadores
Na comparação com maio de 2025, o cenário é ainda mais desfavorável. O IDI-RS apresentou retração de 6,7%, acompanhada de resultados negativos em todos os indicadores analisados pela pesquisa.
As compras industriais voltaram a registrar queda de dois dígitos, com retração de 11,4%. Também houve redução de 10,3% no faturamento real, queda de 8,4% nas horas trabalhadas na produção, recuo de 3,9% na massa salarial e diminuição de 2,5% no emprego industrial.
A utilização da capacidade instalada também apresentou redução, ficando 1,2 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
Oito meses consecutivos de resultados negativos
No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o IDI-RS soma retração de 5,3%, completando oito meses seguidos de desempenho inferior ao observado no mesmo período do ano anterior.
Entre os indicadores, as compras industriais acumulam a maior queda, de 13%, seguidas pelas horas trabalhadas na produção (-6,5%) e pelo faturamento real (-6,3%). O emprego e a massa salarial registram retração de 1,4% cada, enquanto a utilização da capacidade instalada recuou 0,7 ponto percentual.
Apenas três segmentos apresentam crescimento
A desaceleração da atividade industrial foi observada na maior parte dos setores analisados pelo Sistema FIERGS. Dos 16 segmentos pesquisados, apenas três registraram crescimento no acumulado de 2026.
O setor de alimentos lidera os resultados positivos, com alta de 5,8%, seguido pela indústria moveleira, que avançou 3,3%, e pelo setor têxtil, com crescimento de 0,5%.
Entre os principais recuos estão os segmentos de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-14,6%), máquinas e equipamentos (-12%) e veículos automotores (-9,4%), que contribuíram significativamente para o desempenho negativo da indústria gaúcha no período.
Os dados reforçam um cenário de recuperação lenta para o setor industrial do Rio Grande do Sul, que segue impactado por fatores econômicos como juros elevados, inflação e redução do ritmo da atividade produtiva.








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