Marisa Martins
Como Gaivotas – Assim o Amor
Aprender a se desacomodar, para se enamorar, para amar. Como gaivotas...
Buscar silêncios para refletir. Aprender a refletir para desacomodar. Desacomodar para alçar voos. Assim, o enamoramento.
Reflexão, desacomodação, voos, trilogia que sempre sustentará desejos de infinito, de fascínio pela intensidade existencial. Em passada época da vida isso me foi ensinado na leitura de Fernão Capelo Gaivota. Da fantasia à realidade, gaivotas reforçaram a lição.
Absorta, certa feita, olhava o mar e revoada de gaivotas entre azuis das águas e do céu.
Como se desvendasse pensamentos, uma gaivota pousa no peitoril da sacada. Em seguida, mais uma. Ficam ali, quietinhas, alienadas do entorno. Enigmáticas, parecem mergulhadas em divagações interiores.
Tecem elas novos traçados? Perguntam-se: - Aquele horizonte de céu e mar é o limite para nossas asas?
Por um momento saem da quietude. Imóvel, respiração suspensa para não as espantar, vejo que se aproximam mais uma da outra. Olham-se. Arrulham. Enamoram-se.
Agora sei que gaivotas conversam, amam-se. Como os sabiás, os bem-te-vis, os quero-queros. As pessoas. Lástima que aos homens não é dado conhecer a linguagem dos pássaros. Apenas, quem sabe, a intuem.
Tentando desvendar o diálogo entre as brancas aves, dou-me conta de que é meu imaginário que dialoga.
Elas estão ali. Não é imaginação. Consigo aprisioná-las, com movimentos lentos e suaves, na lente da câmera.
O que falam, porém, é o multifacetado mundo de meu romantismo que fala. Na incapacidade de as traduzir, coloco em seus arrulhos, as aspirações que fluem de um espírito desacomodado.
Desacomodada, também, uma das gaivotas alça voo. Busca as alturas. Daqui a pouco a outra se irá. Voltarão?
Não importa a volta para este lugar. Importa a busca do céu e de quaisquer outros lugares.
Para descansar entre os voos, conversar e se enamorar...
PS: Como gaivotas, sem limite de tempo, namoremos e nos enamoremos...
Um feliz 12/6!






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