Ique de la Rocha
O Brasil tumultuado de hoje
Pregam honestidade, transparência, patriotismo. Por que não praticam?
Está difícil entender o Brasil de hoje. As pessoas em maior evidência nos últimos dias são Daniel Vorcaro, o bandido nº 1 do país atualmente, mais o Flávio Bolsonaro, as pessoas que bebem o detergente Ypê como se ele fosse um alimento matinal e os brasileiros que estão saindo do Brasil em busca do sonho... paraguaio.
Claro que se fôssemos tratar pelo lado político, veríamos que são todos ligados a um mesmo grupo ideológico, mas a questão principal não é essa e sim a influência que isso tudo está exercendo na vida dos brasileiros.
Num país sério, jamais um vigarista chegaria a causar um rombo tão grande quanto Daniel Vorcaro está provocando e isso só foi possível graças à teia de corrupção que ele armou. Contou com farto apoio político, a “injeção” de milhões de reais dos governadores de Brasília e do Rio de Janeiro no Banco Master e agora ficamos sabendo das relações muito estreitas desse gângster com um candidato à Presidência da República.
Primeiro todo mundo se escandalizou, e com razão, que a esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, recebeu de Vorcaro mais de R$ 120 milhões em honorários advocatícios. Mas o que dizer agora que o Flávio Bolsonaro pediu ao “irmão”, como fala no diálogo gravado, uma importância ainda maior: cerca de R$ 150 milhões com a justificativa de patrocínio para um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro? Os entendidos em cinema dizem que é o maior orçamento já aplicado num filme nacional. Ou vai ser uma super-produção, com direito a indicação ao Oscar, ou ficará visível que esse montante todo acabou tendo outro destino. Bem que Flávio, candidato à Presidência da República, poderia mostrar os contratos do filme sobre seu pai, apresentar as contas, esclarecer tudo de uma vez e estancar as críticas. Por que se nega a isso?
A chamada direita se apresenta como anti-sistema, prega honestidade, transparência, patriotismo (mesmo desfraldando a bandeira dos Estados unidos) e o cristianismo. Por que não pratica? Só o montante do rombo do Master é maior que a soma dos roubos de milhares de presidiários juntos. E ainda vimos, por ocasião das notícias envolvendo o Flávio Bolsonaro, que a bolsa de valores teve queda, não por causa das graves denúncias, mas porque a campanha do candidato da direita ficaria prejudicada.
O mais triste é que não acreditamos em justiça. Quem tem dinheiro não vai para a cadeia no Brasil. Quando muito, fica com a tornozeleira eletrônica em casa, comendo pipoca, porque as leis são feitas pelos políticos, propositadamente cheias de brechas para livrar os que podem pagar bons advogados. E nessa polarização, o bom senso deu lugar ao fanatismo e os que seguem políticos cegamente no fundo não estão nem aí para o país, nem ao menos para seus familiares.
Hoje existem pessoas pobres ou remediadas se achando ricas ou empreendedoras. São os CEOs de MEI como bem disse um youtuber. Apoiam o fim da CLT, criticam os programas sociais, o fim da jornada 6x1, mas o que será de muitos deles ou de seus filhos se acabarem com a isenção do Imposto de Renda, com o SUS, o FIES, os programas sociais, se a aposentadoria for desvinculada do salário mínimo ou se o desemprego voltar?
Não dá para afirmar que ganharemos o céu nessas eleições, mas se nosso voto for mal dirigido poderemos estar criando um inferno para nossas vidas. O noticiário internacional já nos mostra inúmeros exemplos disso.





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