Ique de la Rocha
Rio Grande é o reflexo da nossa mentalidade
Quando surge algo a reação das pessoas é: “Não vai dar certo”
Quem mais fez pela cidade do Rio Grande não foi um rio-grandino, mas um uruguaianense, o engº Francisco Martins Bastos, diretor-presidente da refinaria e do Grupo Ipiranga, que vai merecer um comentário em breve, porque não foi feita ainda uma homenagem a ele.
Também não tenho dúvidas de que o Cassino, se fosse dos pelotenses, seria uma mini-Copacabana e muito mais badalado do que é, basta ver o que eles fazem com a praia do Laranjal, que nem banho dá para tomar, mas possui Calçadão, trapiche e é mais bem cuidada.
Essas afirmações são apenas para ilustrar que tudo é questão de mentalidade. Se no passado tivemos empreendedores da própria terra, hoje, evidentemente com algumas exceções, vemos a maioria de braços cruzados esperando e cobrando que os de fora tomem a iniciativa ou que algo caia do céu.
O mais impressionante é que, quando surge alguma coisa (vinda de fora, é claro), a primeira reação das pessoas é: “Não vai dar certo”. Lembro, por ocasião ainda da construção do Partage Shopping, que a CDL promoveu uma palestra do superintendente do empreendimento. Em dado momento, devido às inúmeras dúvidas manifestadas pela plateia, formada por empresários, gente da comunidade e estudantes, ele observou: “Eu acreditava que retornaria para São Paulo convencido por vocês do acerto de nossa escolha por Rio Grande, mas se deram conta que sou eu que estou tentando convencê-los que a cidade e o shopping vão dar certos?”
Pois agora o Estaleiro Rio Grande começou a contratar e, mesmo assim, uma boa parte dos rio-grandinos manifesta na internet o seu descrédito ou reclama que “são apenas 100 empregos”. É apenas o início das contratações mas, mesmo que fosse esse número a totalidade dos empregos, ainda é melhor do que nada. Não são muitas as empresas que contratam 100 funcionários em nossa ou em qualquer outra cidade.
Junto com a reativação do ERG, temos a excelente notícia da exploração da Bacia de Pelotas. Como a desinformação e a falta de conhecimento também são marcas registradas de muitos rio-grandinos, ao invés de procurarem se esclarecer primeiro, estão furiosos porque Pelotas sediará a base de operações da Petrobras. Eu já tinha previsto isso há muito tempo, ainda no tempo de minhas colunas no saudoso “Agora”. Falava na necessidade de se investir na noite rio-grandina, no transporte coletivo, na infraestrutura da cidade, sob pena da Base de Operações ficar na vizinha cidade. Isso foi na virada do século e alguém nesse tempo todo fez alguma coisa? Tivemos prefeitos, vereadores preocupados? Como sempre não, da mesma forma que os empresários da Serra há anos reclamavam na Fiergs do mal atendimento do porto do Rio Grande. Por isso, a produção deles passou a sair pelos portos catarinenses e até por Paranaguá. Cansaram de reclamar e decidiram fazer o porto no Litoral Norte, por culpa e omissão nossa. Alguém viu as autoridades portuárias, a Câmara de Vereadores, as lideranças empresariais e políticas tomarem alguma atitude? Mas iremos ver as pessoas berrando depois que o porto em Arroio do Sal se tornar realidade.
Sobre a Bacia de Pelotas, a base de operações aérea ficará na Princesa do Sul, mas as bases marítimas serão em Rio Grande e São José do Norte (com mais possibilidade nesta última, que tem espaço para isso). Também receberemos os royalties pela exploração.
Não perdemos muito, só que a escolha por Pelotas é por causa do aeroporto e, também, porque lá tem tudo para acomodar engenheiros e técnicos de alto poder aquisitivo: imóveis de qualidade, vida social e noturna, teatro, restaurantes, etc. Rio Grande tem mais a oferecer que Pelotas?
Não sabemos se a crítica, lamentação e pessimismo de alguns é somente falta de informação ou se há infiltrada a má intenção da politicagem, o que também é provável, mas uma cidade é o reflexo da mentalidade de seu povo. Quando a gente chega numa cidade, só pelo comércio e a área central a gente percebe se ela é ou não desenvolvida. Pelas ruas limpas, calçadas bem conservadas, trânsito organizado, pelo lazer, entretenimento e qualidade de vida que ela oferece.
Também cabe ressaltar que nas várias cidades do interior do estado que estão se desenvolvendo, os investimentos não vêm de fora, mas principalmente são iniciativa das próprias comunidades.
Quem sabe, ao invés de reclamarmos, a gente passa a votar em quem realmente tem propostas e projetos para a cidade, a parar de seguir as mentiras da internet e procurar fontes confiáveis e, principalmente, a gostar mais da nossa terra? Tudo é questão de mentalidade.




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