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Rio Grande,11/04/2026

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Luiz Pereira das Neves Neto

Autoimagem, autopreservação, autoconhecimento e autoestima: as partes que fazem nosso

Muitas vezes, acabamos por nos perder no excesso de demandas e esquecemos que somos um conjunto de dimensões que se entrelaçam, formando o que chamamos de “eu”.

Autoimagem, autopreservação, autoconhecimento e autoestima: as partes que fazem nosso 

Por Me. Luiz Pereira das Neves Neto

Graciliano Ramos, em Vidas Secas, escreve:

“A vida é muito comprida, Fabiano. Esquenta, esfria, aperta e afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

“Talvez o maior ato de coragem comece pelo conhecer-se, entender-se e perceber que a construção e desconstrução de si é a própria natureza do homem enquanto 

O ser que está, não fica, 

que vai, não fica, 

extrai, não estagna, 

que move, move-se 

move o mundo, move tudo, 

até o que  pensa sem existir 

e o que existe sem pensar.”

Neto

A vida contemporânea nos convida, diariamente, a nos fragmentar em papéis, funções e aparências. Muitas vezes, acabamos por nos perder no excesso de demandas e esquecemos que somos um conjunto de dimensões que se entrelaçam, formando o que chamamos de “eu”. Nesse sentido, quatro conceitos merecem destaque: autoimagem, autopreservação, autoconhecimento e autoestima. Cada um, à sua maneira, compõe um mosaico fundamental para que possamos viver com equilíbrio e integridade.

A autoimagem é a forma como nos enxergamos. Ela não se limita ao espelho: inclui a percepção de nossas habilidades, fraquezas e até dos papéis sociais que ocupamos. Uma autoimagem distorcida pode nos aprisionar em inseguranças ou ilusões; já uma visão honesta e compassiva de si mesmo abre caminhos para crescer sem se violentar.

A autopreservação é a arte de manter-se inteiro em meio ao caos. Não se trata de egoísmo, mas de reconhecer nossos limites, dizer “não” quando necessário e proteger nossa saúde física e emocional. Preservar-se é, paradoxalmente, o que nos permite estar disponíveis para o outro sem perder de vista quem somos.

O autoconhecimento, por sua vez, é a chave que abre todas as outras portas. É o exercício contínuo de olhar para dentro e compreender nossos desejos, medos e padrões. Não é uma descoberta súbita, mas um processo – muitas vezes incômodo – que nos fortalece ao dar nome às nossas contradições e às nossas potencialidades.

E, finalmente, a autoestima, talvez a mais comentada, mas também a mais delicada dessas dimensões. Amar-se não significa vangloriar-se ou negar defeitos, mas reconhecer-se como digno, capaz e merecedor. É na autoestima saudável que as outras peças se encaixam, permitindo que a autoimagem não seja cruel, que a autopreservação não se torne isolamento e que o autoconhecimento não se transforme em um fardo.

Juntas, essas quatro forças não são compartimentos isolados, mas engrenagens de um mesmo todo. Quando uma delas falha, as demais sofrem impactos. Quando estão em harmonia, tornam-se alicerces para uma vida mais plena, justa consigo mesma e aberta ao mundo.

Talvez, no fundo, o maior desafio não seja escolher qual dessas áreas priorizar, mas aprender a cuidar de cada uma delas com a mesma delicadeza com que se cultiva um jardim: regando, podando, replantando. Pois somos, afinal, o resultado do cuidado que temos com o nosso próprio ser.




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