Muito Além da Produtividade: a Essência da Gestão de Pessoas
Muito Além da Produtividade: a Essência da Gestão de Pessoas
Artigo por André Touguinha – Docente do Senac Rio Grande
Gestão de pessoas é um processo tático dentro das empresas para atrair, reter, treinar e manter o colaborador produtivo, além de entender suas motivações, angústias e eventuais conflitos, para que ele mantenha um trabalho satisfatório.
É possível fazer a gestão de processos, como os de estoque, caixa ou qualquer outra atividade quantificável no mundo dos negócios. Porém, tratar com pessoas exige não só o conhecimento processual, mas também a compreensão das relações interpessoais para se fazer gestão de pessoas. Por natureza, ao longo da vida, as pessoas vão criando e recriando suas relações. Assim, percebe-se que, em alguns momentos e situações, essas afinidades não se tornam tão harmoniosas e saudáveis, ou seja, surgem diversos conflitos, o que não é diferente nas relações de trabalho.
Nesse sentido, sugere-se que o gestor esteja preparado para lidar com esse tipo de situação. As causas dos conflitos são diversas e podem envolver o ambiente de trabalho, familiar ou afetivo. O gestor precisa entender e ter um olhar apurado para a raiz do conflito, pois ela pode revelar alguns traços de personalidade do indivíduo, auxiliando, assim, no processo de resolução e gestão de conflitos. Nas relações de trabalho, um dos principais papéis do gestor de pessoas é gerenciar conflitos. Nesse sentido, faz-se necessário um entendimento sobre o sujeito, respeitando sua própria identidade.
Para isso, o responsável por conduzir uma equipe de trabalho tem que estar atento não só à gestão estratégica da empresa e ao seu comportamento organizacional, mas também deve compreender e refletir sobre as individualidades de sua equipe e sobre seu próprio autoconhecimento, utilizando suas competências e habilidades para desenvolver o grupo.
Para colocar a gestão em prática, existem muitas técnicas e processos. Porém, é necessário que o próprio gestor procure desenvolver seu autoconhecimento. Gerir a si mesmo é um desafio à liderança: relacionar-se com o seu próprio interior e buscar, de alguma maneira, algo que espiritualize sua relação consigo mesmo, para que essa maturidade contagie suas relações interpessoais. Conhecer-se e perceber-se verdadeiramente tornam-se fatores importantes para que possamos lidar com as relações e situações de nossas vidas pessoais e profissionais com muito mais equilíbrio, gerando, assim, bem-estar e qualidade de vida aos seus liderados.
Conhecer-se de maneira honesta não é tarefa fácil, pois, com o passar da vida, vamos adquirindo hábitos e costumes que nos foram atribuídos ainda na infância e que se tornam “vícios” no nosso dia a dia.
Tudo isso ocorre dentro de um contexto cultural, histórico, político e econômico, no qual a questão da materialidade e dos interesses próprios se torna protagonista de uma gestão de pessoas superficial, fazendo com que nos esqueçamos do nosso verdadeiro “ser” e nos preocupemos somente com o “ter”.
A partir do momento em que nos encontramos com a nossa essência e entendemos nossas limitações, medos, fraquezas, oportunidades de melhoria e virtudes, o líder se torna mais estável e atua de maneira mais profissional, incentivando e motivando seus liderados.








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