Pepe Vargas apresenta em Rio Grande relatórios do Pacto RS 25 e defende políticas permanentes para desenvolvimento do Estado
Deputado esteve na Prefeitura nesta sexta-feira, 15, para entregar documentos construídos a partir de debates com mais de 50 mil gaúchos e discutir logística, reconstrução econômica e resiliência climática
Foto: José Vitor Silva/ O Litorâneo O deputado estadual Pepe Vargas esteve em Rio Grande na manhã desta sexta-feira, 15, para apresentar os relatórios do projeto “Pacto RS 25: o crescimento sustentável é agora”, iniciativa desenvolvida durante sua gestão na presidência da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. A atividade ocorreu na Prefeitura Municipal e reuniu representantes do poder público, entidades, instituições e lideranças locais para discutir propostas voltadas ao desenvolvimento sustentável, à reconstrução econômica e à resiliência climática do Estado.
A agenda faz parte de uma série de encontros promovidos pelo parlamentar em diferentes regiões gaúchas para entregar os documentos produzidos a partir de um amplo processo de participação social realizado ao longo de 2025. Segundo a Assembleia Legislativa, mais de 50 mil pessoas participaram presencialmente e de forma virtual dos debates que serviram de base para os relatórios.
Debate sobre crescimento e reconstrução
O processo resultou em dois documentos principais: o Relatório Técnico do Pacto RS 25, organizado pelo Fórum Democrático de Desenvolvimento Regional da Assembleia Legislativa, e o Relatório de Consultoria elaborado pelo professor Carlos Henrique Horn.
Os materiais reúnem propostas construídas a partir da participação de representantes da sociedade civil, universidades, sindicatos, organizações empresariais e instituições públicas de diferentes regiões do Rio Grande do Sul.
Durante a apresentação em Rio Grande, Pepe Vargas também destacou o Projeto de Lei 134/2026, que estabelece diretrizes para uma política estadual de desenvolvimento sustentável e resiliência climática. Segundo o deputado, o principal desafio não está apenas na criação de projetos, mas na continuidade das políticas públicas ao longo dos diferentes governos.
“A Assembleia Legislativa pode aprovar diretrizes, mas quem executa as políticas públicas é o Poder Executivo. O que nós precisamos são políticas de Estado, não políticas de governo”, afirmou.
“O Estado precisa pensar desenvolvimento de longo prazo”
Durante entrevista concedida ao O Litorâneo, Pepe Vargas criticou a descontinuidade histórica de projetos estratégicos no Rio Grande do Sul e defendeu maior estabilidade institucional para áreas ligadas ao desenvolvimento econômico.
O parlamentar citou como exemplo a extinção de estruturas voltadas à promoção de investimentos no Estado e afirmou que mudanças de governo não deveriam interromper políticas consideradas estratégicas. “Nós já tivemos agência gaúcha de desenvolvimento e promoção de investimentos. Depois ela foi extinta. O Estado ficou dez anos sem uma agência de atração de investimentos. Isso mostra como muitas políticas acabam não tendo continuidade”, disse.
Segundo ele, a intenção do projeto é justamente criar diretrizes permanentes capazes de orientar futuras administrações estaduais. “Quando isso se transforma em lei, os governos passam a ter diretrizes para formular políticas públicas. Esse é o objetivo”, acrescentou.
Porto do Rio Grande aparece como peça estratégica
Ao abordar o papel do Rio Grande dentro do plano de desenvolvimento estadual, Pepe Vargas destacou a importância logística do município e do Porto do Rio Grande para a economia gaúcha.
O deputado mencionou os novos investimentos previstos para a região, incluindo a futura planta de celulose em Barra do Ribeiro e os impactos esperados sobre a cadeia logística estadual. “O Porto do Rio Grande é fundamental para o modal logístico do Estado. Felizmente, novos investimentos estão chegando e isso reforça ainda mais a importância da região”, afirmou.
Apesar disso, ele apontou a situação da malha ferroviária como um dos principais gargalos logísticos do Rio Grande do Sul. Segundo Pepe, o sistema ferroviário perdeu capacidade nas últimas décadas e enfrenta problemas agravados após as enchentes de 2024. “Tínhamos quase quatro mil quilômetros de ferrovia e hoje temos cerca de 600 quilômetros operando. Depois das chuvas de 2024, inclusive, houve trechos afetados que ainda não foram totalmente recuperados”, destacou.
O deputado também comentou o processo de encerramento da atual concessão ferroviária e a expectativa pela realização de uma nova licitação federal nos próximos meses.
Produção agrícola e bioenergia entre os desafios
Outro ponto abordado durante a apresentação foi a necessidade de ampliar a capacidade produtiva do Estado para atender setores estratégicos da economia gaúcha, especialmente a cadeia da proteína animal e os projetos ligados à bioenergia.
Pepe Vargas afirmou que o Rio Grande do Sul ainda enfrenta dificuldades para produzir parte da matéria-prima utilizada na alimentação animal, o que pode comprometer a competitividade da indústria.
Segundo ele, o Estado também precisa avançar na diversificação da produção agrícola durante o inverno. “Dos sete milhões de hectares de soja que temos hoje, cerca de cinco milhões ficam sem cultivo no inverno. Isso impacta a fertilidade do solo, a infiltração de água e a produção de matéria-prima para bioenergia”, afirmou.
O parlamentar defendeu a criação de políticas públicas voltadas ao incentivo da produção agrícola de inverno, com apoio técnico, crédito rural e ampliação da assistência ao produtor. “Do contrário, teremos projetos industriais aqui dependendo de matéria-prima vinda de fora do Estado ou até da Argentina”, concluiu.





COMENTÁRIOS