Riograndense estreia com derrota, mas reacende o futsal da cidade
Diante de cerca de 3 mil torcedores, equipe rio-grandina perdeu por 4 a 1 para o Atlântico de Erechim, atual potência do futsal brasileiro, mas mostrou competitividade e reforçou o crescimento do projeto dentro e fora das quadras
Foto: José Vitor Silva / O Litorâneo O placar terminou em 4 a 1 para o Atlântico de Erechim, mas a noite desta terça-feira, 12, no Ginásio Farydo Salomão, foi maior do que o resultado. Empurrado por aproximadamente 3 mil torcedores, o Riograndense Futsal estreou na Série Ouro 2026 encarando de frente um dos elencos mais fortes do país e transformou o Farydo em um retrato do reencontro entre a cidade e o futsal.
Se em temporadas anteriores o clube ainda buscava afirmação, desta vez o cenário foi diferente. O Atlântico não veio com equipe alternativa, nem apostou em um elenco sub-20. Mandou à quadra praticamente o mesmo grupo que disputa a Liga Nacional de Futsal e ocupa as primeiras posições da competição. O recado era claro: o Riograndense passou a ser tratado como adversário relevante dentro do calendário gaúcho.
E o time da casa respondeu sem medo.
Pressão rio-grandina e jogo quente desde o início
A bola mal havia rolado e o Riograndense já mostrava que não entraria apenas para suportar pressão. Com marcação agressiva, intensidade e apoio constante das arquibancadas, a equipe rio-grandina conseguiu empurrar o Atlântico para trás nos primeiros minutos.
O problema foi justamente não transformar o bom momento em vantagem no placar.
Depois de suportar a pressão inicial, o Atlântico aproveitou a eficiência de um elenco acostumado a jogos grandes. Roni abriu o marcador para os visitantes e, pouco depois, Pedro Lucas ampliou após um lance de falta não marcada para o time da casa que gerou forte reclamação dos jogadores. A arbitragem precisou interromper a partida por mais de cinco minutos em meio às reclamações, aumentando ainda mais a temperatura do confronto no Farydo.
Mesmo atrás no placar, o Riograndense não desmontou emocionalmente. No último lance do primeiro tempo, Erickson converteu um tiro livre e recolocou o time no jogo, inflamando novamente o ginásio.
Atlântico confirma favoritismo no segundo tempo
A expectativa de reação tomou conta das arquibancadas na volta do intervalo, mas o Atlântico mostrou por que é considerado um dos favoritos da Série Ouro e uma das principais equipes do futsal brasileiro na atualidade.
Com mais controle emocional e aproveitando os espaços deixados pela necessidade rio-grandina de buscar o empate, o time de Erechim voltou a marcar com Roni e Pedro Lucas, fechando o placar em 4 a 1.
Ainda assim, o resultado não apagou a percepção construída durante a partida: o Riograndense conseguiu competir em diversos momentos contra um adversário muito superior financeiramente e tecnicamente mais consolidado.
“O Riograndense está no caminho certo”, afirma Max Carazzai
Após o jogo, o técnico e presidente Max Carazzai adotou um discurso mais voltado ao crescimento do projeto do que propriamente ao resultado da estreia.
Segundo ele, o fato de o Atlântico ter vindo com força máxima representa também um reconhecimento ao novo momento vivido pelo clube rio-grandino. “Encontramos o Atlântico completo hoje. Não veio sub-20, não veio misto. Veio o time que está em terceiro lugar na Liga Nacional. Isso valoriza o nosso trabalho e mostra que o Riograndense está no caminho certo”, afirmou.
Max também destacou que o clube ainda vive uma realidade distante das grandes potências do futsal nacional, mas vê evolução na estrutura construída nos últimos anos. “A gente quer profissionalizar o Riograndense. Hoje nossos jogadores trabalham o dia inteiro e depois enfrentam um time desse nível à noite. Mesmo assim, mostramos que conseguimos jogar de igual para igual em muitos momentos”, disse.
O dirigente ainda aproveitou para reforçar o pedido de apoio ao empresariado local e à torcida, destacando a importância financeira do público para a sobrevivência do projeto. “O Riograndense se sustenta muito no torcedor. O ingresso, a copa, o associado… tudo isso mantém o clube vivo”, ressaltou.
O futsal voltou a mobilizar Rio Grande
Antes mesmo da bola rolar pela Série Ouro, o clima já era de evento especial no Farydo. A programação começou com um jogo festivo entre a Seleção Gaúcha Master e a Seleção Riograndense Master, reunindo nomes históricos como Daniel Carvalho, Fininho, Pablo, Chupeta e outros atletas ligados à memória esportiva da cidade.
O encontro funcionou como uma espécie de aquecimento emocional para uma noite que consolidou algo perceptível desde 2025: o futsal voltou a ocupar espaço no cotidiano esportivo rio-grandino.
Mais do que a derrota na estreia, o que ficou no ginásio foi a sensação de que o Riograndense já não entra mais em quadra apenas para participar. O clube ainda está distante da estrutura de gigantes como o Atlântico, mas começa a construir um ambiente competitivo, popular e sustentável. E no Farydo, isso já faz diferença.






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