Após 2 anos das enchentes, Governo do Estado já investiu R$ 52,3 milhões em batimetria e topografia, análises que auxiliam na prevenção a cheias
Estudos técnicos qualificam o planejamento e apoiam decisões baseadas em dados para resposta a eventos climáticos extremos
Foto: Igor de Almeida/Ascom Sema Dois anos após a maior tragédia climática da história recente do Rio Grande do Sul, o governo do Estado investiu R$ 52,3 milhões em estudos técnicos de batimetria e de topografia voltados à prevenção de cheias em eventos extremos. As iniciativas integram o eixo de prevenção do Plano Rio Grande e têm como objetivo subsidiar a tomada de decisões, qualificar intervenções e fortalecer ações de monitoramento, reconstrução e planejamento territorial.
Com investimentos em diferentes áreas, o Plano Rio Grande já soma R$ 14 bilhões entre valores pagos, empenhados e aprovados por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Para além de projetos voltados à reconstrução de estruturas e lugares atingidos, o programa resgata vidas e trabalha na construção do futuro do Estado. Hoje, o Rio Grande do Sul conta com um conjunto estruturado de ações que ampliam sua capacidade de resposta e prevenção, tornando-o mais resiliente.
Essa transformação não se limita à gestão de riscos climáticos, mas fortalece a economia, a infraestrutura e a capacidade institucional, preparando o Estado para enfrentar desafios e sustentar seu desenvolvimento nos próximos anos. O Rio Grande do Sul e o Brasil nunca tiveram, até aqui, um plano estruturado com essa finalidade.
Coordenados pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), os estudos técnicos envolvem, de um lado, a batimetria, responsável pela medição da profundidade de rios, lagos e outros corpos d’água para mapear o relevo subaquático. De outro, analisam a topografia, que trazem dados das características naturais e artificiais do terreno. Esses dados são fundamentais para garantir maior precisão técnica nas políticas públicas voltadas à adaptação climática.
A titular da Sema, Marjorie Kauffmann, destaca que os estudos estão consolidando uma base técnica altamente qualificada, que ampliará a capacidade do Estado de planejar intervenções com maior precisão e antecipar respostas diante de eventos climáticos extremos. “Esses estudos representam um avanço estratégico na incorporação de dados e evidências à gestão pública. Trata-se de um legado para o Estado, elevando o nível da tomada de decisão e contribuindo diretamente para o fortalecimento da resiliência do Rio Grande do Sul”, ressaltou.
Estudos topográficos
Na área de topografia, o trabalho prevê a elaboração de um Modelo Digital de Terreno (MDT) para parte do território gaúcho. A ferramenta será utilizada no planejamento da reconstrução, na organização da ocupação urbana e no desenvolvimento de modelagens hidrológicas e hidráulicas, voltadas à previsão de eventos extremos.
A empresa contratada já apresentou o plano de trabalho, atualmente em fase final de ajustes técnicos. O escopo inclui a geração de MDT e de Modelo Digital de Superfície (MDS), a partir de aerolevantamento com tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging), reconhecida pela alta precisão no mapeamento altimétrico de grandes áreas.
Além desse contrato, está em andamento a licitação para contratação da etapa de fiscalização, considerada estratégica para garantir a qualidade e a execução adequada dos estudos. Juntos, os contratos somam investimento de R$ 34 milhões.
O levantamento topográfico conduzido pelo governo do Estado foi planejado para complementar a iniciativa do governo federal, garantindo a cobertura integral do território gaúcho. Enquanto o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) já realiza o mapeamento da porção leste com tecnologia de alta precisão, o Estado ficará responsável pelas demais regiões, evitando sobreposição de esforços e lacunas de informação. Para assegurar a integração dos dados, serão adotadas as mesmas especificações técnicas, garantindo a compatibilidade e a uniformidade das informações produzidas.
Levantamentos batimétricos
Os estudos batimétricos, por sua vez, estão sendo conduzidos de forma inédita no Estado, com a análise integral do leito dos rios. A partir dos dados coletados e da aplicação de modelagem hidrodinâmica, será possível avaliar com maior precisão a eficácia de intervenções como a dragagem, especialmente no que se refere à melhoria do fluxo hídrico.
Para otimizar a execução, os levantamentos foram organizados em eixos. O primeiro bloco, considerado prioritário, abrange os rios Gravataí, Sinos, Caí, Delta do Jacuí, Taquari-Antas, Baixo Jacuí e Guaíba, distribuídos em quatro contratos. Nesses trechos, o trabalho de campo já foi concluído, com cerca de 50% dos dados aprovados pela Sema e o restante em fase de processamento e validação técnica. O investimento total nesse conjunto é de R$ 10,5 milhões.
Já o segundo bloco contempla rios e lagoas como Alto Jacuí, Vacacaí e Pardo, Baixo Jacuí, Guaíba, Tramandaí, além das lagoas da Pinguela, do Peixoto, do Marcelino, da Fortaleza, do Gentil, das Custódias, dos Quadros e dos Barros, e ainda os rios Três Forquilhas e Maquiné. A contratação está em andamento e será dividida em três novos contratos, totalizando investimento de R$ 7,8 milhões.
“Os estudos batimétricos trazem um olhar inédito sobre o comportamento dos nossos rios. Com esses dados, teremos mais clareza para avaliar intervenções e adotar soluções que realmente contribuam para a melhoria do fluxo hídrico e a redução de riscos”, destacou Marjorie.
Além dos investimentos já realizados pelo governo do Estado com recursos do Funrigs, está prevista a execução da batimetria da Lagoa dos Patos, com aporte de R$ 25,5 milhões. Os recursos são provenientes do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece), iniciativa da União sob gestão do governo do Estado.
Com a consolidação desses estudos, o governo do Estado avança na construção de uma base técnica robusta, essencial para orientar políticas públicas mais eficazes e aumentar a resiliência do Rio Grande do Sul frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.






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