De Curitiba ao Cassino: pedal de mil quilômetros transforma estrada em ato pela causa animal
Desafio solidário cruza o país para financiar resgates e expor a urgência do cuidado com animais em situação de abandono
Foto: Arquivo Pessoal Entre os dias 18 e 21 de abril, o ciclista Pablo Guilherme Oliveira vai trocar o ritmo cotidiano pelo compasso longo da estrada. Serão cerca de mil quilômetros entre Curitiba e Rio Grande, com chegada prevista na Praia do Cassino. O trajeto, no entanto, não é apenas geográfico: é também uma tentativa de transformar visibilidade em recurso e indignação em ação concreta.
A estrada como meio, não como fim
O Desafio Solidário pela Causa Animal nasce de uma ideia simples, mas pouco explorada: usar o esforço físico como linguagem pública. Ao longo da BR-101, a proposta é dar materialidade a um tema que, muitas vezes, aparece apenas em episódios isolados nas redes sociais.
A pedalada será acompanhada em tempo real, com atualizações constantes e divulgação de uma chave Pix para arrecadação. A lógica é direta: cada quilômetro percorrido amplia o alcance da campanha.
Um caso que virou estrutura de apoio
Os recursos serão destinados ao projeto Justiça pelo Costela, iniciativa que surgiu após a morte do cão Costela, em 2022, em um caso que mobilizou a cidade. O que começou como reação a um episódio de violência se consolidou como rede de apoio permanente, voltada a resgates, tratamentos e castrações.
Hoje, o projeto opera justamente onde a política pública não alcança com regularidade: no atendimento imediato a animais em situação de abandono.
Pedalar para deslocar o olhar
Com dez anos de experiência no ciclismo, Pablo não trata o desafio como um feito esportivo isolado. A escolha pela causa animal, segundo ele, passa por uma tentativa de reorganizar a narrativa e mostrar que, diante de episódios de violência, também existe uma maioria disposta a agir.
“Quando a gente coloca isso na rua, em movimento, as pessoas se conectam de outra forma”, resume.
Travessia compartilhada
A jornada será feita ao lado de Emerson Botelho, parceiro de pedal e responsável por dividir não apenas o percurso, mas a logística e a exposição do projeto ao longo do caminho.
A dupla deve enfrentar variações de clima, cansaço acumulado e a imprevisibilidade típica de longas distâncias, elementos que fazem parte do percurso, mas não são o foco central da proposta.



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