Equipe de robótica da FURG mira mundial na Coreia após sequência de títulos nacionais
FBot acumula conquistas no Brasil e busca apoio financeiro para representar o país na RoboCup 2026
Foto: Divulgação A equipe de robótica FBot, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), inicia a preparação para disputar a RoboCup 2026, que será realizada entre 30 de junho e 6 de julho, em Incheon. O grupo chega ao cenário internacional embalado por resultados expressivos, como o tetracampeonato brasileiro na categoria @Home e o primeiro lugar na categoria @Work no Campeonato Brasileiro de Robótica 2025.
Trajetória construída dentro da universidade
Fundada em 2002, a FBot reúne mais de 50 estudantes de graduação e pós-graduação, todos atuando de forma voluntária no desenvolvimento de robôs voltados a ambientes domésticos e industriais. Ao longo dos anos, a equipe se consolidou como um dos principais grupos de pesquisa em robótica da América Latina.
O desempenho recente reforça essa posição. Na edição de 2025 da RoboCup, realizada em Salvador, o time conquistou o 5º lugar na categoria industrial e o 7º lugar na @Home, sendo a única equipe latino-americana a avançar para a fase final em uma das disputas.
Dois robôs, dois desafios
Para a edição de 2026, a equipe competirá em duas frentes principais. Na categoria @Home, o destaque é o robô BORIS, projetado para atuar em ambientes domésticos simulados, executando tarefas como interação com pessoas, reconhecimento de objetos e auxílio em atividades cotidianas.
Já na categoria industrial, o robô MICKY será responsável por enfrentar desafios típicos de um ambiente fabril, como transporte de peças, navegação autônoma e execução de tarefas com precisão a partir de comandos recebidos em tempo real.
As provas exigem alto nível de autonomia, já que os sistemas precisam operar sem intervenção humana direta, uma das principais marcas da RoboCup, frequentemente chamada de “Copa do Mundo dos Robôs”.
Um modelo baseado em voluntariado
Um dos diferenciais da equipe está no seu modelo de funcionamento: todos os integrantes atuam de forma voluntária, e os robôs são desenvolvidos integralmente dentro da universidade, desde a estrutura mecânica até os sistemas de software.
Esse formato contrasta com equipes internacionais que utilizam plataformas comerciais prontas e reforça o caráter acadêmico e experimental do projeto.
Segundo Richard de Assis, a participação no mundial vai além da competição. “Representar o Brasil e o Rio Grande do Sul nesse nível mostra que é possível fazer robótica de ponta com recursos limitados, a partir de conhecimento e colaboração”, afirma.
O desafio fora da arena
Apesar do desempenho técnico consolidado, o principal obstáculo para a participação em 2026 está fora das pistas: o custo da viagem até a Coreia do Sul. A equipe busca patrocinadores para viabilizar o envio de uma delegação completa ao evento.
Atualmente, a FURG arca com as inscrições, enquanto parceiros institucionais e empresas locais contribuem com apoio parcial. A equipe também mobiliza campanhas de financiamento coletivo e prospecção de novos apoiadores.
Ciência, formação e impacto
Além das competições, a FBot atua em pesquisa, inovação e ações educativas, contribuindo para a formação de profissionais que hoje integram o setor tecnológico brasileiro. O reconhecimento institucional inclui, inclusive, a influência na criação do curso de Engenharia de Robôs na FURG.
Com cerca de 3 mil competidores esperados e público estimado em 15 mil visitantes, a RoboCup 2026 será mais do que uma disputa: um espaço de intercâmbio científico e tecnológico. Para a equipe gaúcha, a viagem representa não apenas a busca por resultados, mas a continuidade de um projeto que conecta universidade, inovação e projeção internacional.




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