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Rio Grande,17/05/2026

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Um ano sem Julieta Amaral: o legado de uma pioneira que transformou o jornalismo e a solidariedade no sul do Estado

Primeira mulher negra a apresentar telejornais na televisão gaúcha, Julieta Amaral deixou uma marca profunda no jornalismo e na comunidade rio-grandina.Um ano após sua morte, seu legado segue vivo por meio do Instituto Cidadania Responsável Julieta Amaral


Um ano sem Julieta Amaral: o legado de uma pioneira que transformou o jornalismo e a solidariedade no sul do Estado Foto: Divulgação

Há um ano, no dia 25 de outubro de 2024, a cidade do Rio Grande se despedia de uma de suas vozes mais marcantes: a jornalista Julieta Amaral, falecida aos 62 anos, após uma luta contra o câncer no pâncreas. Uma das primeiras mulheres negras da televisão gaúcha, Julieta construiu uma carreira de mais de três décadas no Grupo RBS, tornando-se um ícone do jornalismo regional e uma referência de empatia, coragem e compromisso social.


Nascida em 8 de outubro de 1962, em Rio Grande, Julieta iniciou a trajetória profissional em jornais impressos, como o antigo Jornal Agora e Cassino. Em 1987, ingressou na RBS TV Rio Grande, onde foi repórter, coordenadora de jornalismo e apresentadora do Jornal do Almoço local. Sua presença marcante, sua sensibilidade e sua postura firme diante das câmeras abriram caminhos para outras mulheres e jornalistas negros no Estado.



Julieta enfrentou a doença com serenidade e fé, acompanhada pelo marido, Pedro Amaral, pedagogo e psicólogo, e pela filha, Carolina Amaral, fisioterapeuta. Horas após o sepultamento da jornalista, nasceu Isadora, sua neta, um símbolo de recomeço que emocionou amigos e familiares.



Um legado transformado em ação


No dia 13 de junho de 2025, a memória da jornalista foi eternizada com a criação do Instituto Cidadania Responsável Julieta Amaral (ICR), em cerimônia realizada no Centro de Convívio dos Jovens do Mar (CCMAR), em Rio Grande. O auditório lotado refletiu o carinho e a admiração de colegas, familiares e autoridades que acompanharam a trajetória de Julieta.


O Instituto, presidido por Pedro Amaral, nasce com o objetivo de fortalecer ações sociais e promover os direitos fundamentais de grupos vulneráveis, com base em quatro pilares: igualdade, solidariedade, alteridade e cidadania. A flor margarida, que fazia parte do nome completo da jornalista, Julieta Margarida Amaral, foi escolhida como símbolo da instituição. “Julieta era uma margarida africana que floresceu em Rio Grande. Hoje, o Instituto é o oxigênio dela transformado em ação, continuando sua missão de amor e cidadania”, declarou Pedro Amaral durante a inauguração.


Entre os apoiadores do ICR estão colegas da imprensa e nomes de destaque, como o jornalista Marcelo Cosme, da GloboNews, que enviou um vídeo emocionado recordando os conselhos de Julieta nos seus primeiros passos na profissão. “Ela me ensinou a fazer jornalismo com empatia. Sempre dizia: ‘ajudar as pessoas também é informar’”, relembrou.









A força de uma mulher negra na história do jornalismo




Julieta Amaral desafiou barreiras raciais e de gênero em uma época em que as mulheres negras eram quase invisíveis nas redações. Sua presença à frente da TV local foi um marco histórico. Para Pedro Amaral, sua trajetória é um exemplo de resistência e inspiração: “Julieta foi a primeira apresentadora negra do Estado. Enfrentou o preconceito com dignidade e competência. A história dela é motivo de orgulho para Rio Grande e para o Rio Grande do Sul”, afirma o marido.


Durante a entrevista ao O Litorâneo, Pedro destacou ainda o lema que guiava a esposa: “Estou aqui para servir e ajudar”. Segundo ele, essa frase traduz a essência de Julieta, tanto no trabalho quanto na vida pessoal. “Ela acreditava que jornalismo era um ato de amor e serviço. Levava justiça e solidariedade onde quer que estivesse. Esse é o maior ensinamento que deixamos como herança para as novas gerações.”


Um ano de saudade e renovação


Neste outubro de 2025, a família Amaral celebra duas datas que se entrelaçam em emoção: o aniversário de um ano do falecimento de Julieta e o primeiro aniversário da neta Isadora, nascida no mesmo dia em que a avó foi sepultada. “Celebramos a saudade e a vida. Isadora é o presente que o destino nos deu no momento mais difícil. Estaremos reunidos com o coração cheio de alegria e energia”, disse Pedro.


O Instituto, ao longo deste primeiro ano, vem ampliando suas frentes de atuação com o apoio de voluntários, empresas e entidades parceiras. As ações priorizam o atendimento a crianças em situação de vulnerabilidade, a valorização da mulher e projetos de geração de renda e saúde.


Um nome eterno na história rio-grandina


Com quatro décadas dedicadas à comunicação e ao bem comum, Julieta Amaral deixou muito mais do que reportagens e manchetes. Deixou um exemplo de humanidade. Sua trajetória representa a luta de tantas mulheres que romperam barreiras e transformaram a sociedade com coragem e sensibilidade.


Em cada flor margarida que simboliza o Instituto, há um pouco da história de Julieta, a menina da rua Gomes Freire que virou referência de profissionalismo, amor e solidariedade. “Julieta não se foi. Ela floresceu em cada gesto de quem aprendeu com ela a servir e a acreditar na força da vida”, resume Pedro Amaral.

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