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Rio Grande,29/08/2025

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Nível da Lagoa dos Patos deve ficar 40 centímetros acima da cota de inundação, afirma coordenadora do Ciex, Elisa Fernandes, durante o programa Café com Z

Durante a entrevista, a especialista explicou de que forma o regime de ventos impacta na elevação da Lagoa e os prognósticos para os próximos dias.


Nível da Lagoa dos Patos deve ficar 40 centímetros acima da cota de inundação, afirma coordenadora do Ciex, Elisa Fernandes, durante o programa Café com Z Foto: Gabriel Veríssimo
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Na tarde de quarta-feira, 02, o programa Café com Z, em O Litorâneo, recebeu a coordenadora do Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex) da FURG, Elisa Fernandes, para falar sobre a cheia da Lagoa dos Patos em Rio Grande. 

Na ocasião, a especialista explicou de que forma o regime de ventos impacta na elevação da Lagoa e os prognósticos para os próximos dias. "As águas, quando se acentuam no Guaíba, o nosso referencial é no Guaíba, porque o Guaíba recebe a drenagem de toda essa bacia do norte do estado. Então, quando sobe ali, leva cerca de uma semana para chegar aqui para nós. Uma semana, dez dias, depende um pouco dos ventos e, claro, da quantidade, do volume de água que chega. Mas, então, nós esperamos este intervalo de tempo para que os reflexos se sintam aqui. Como estamos esperando, a partir de hoje para amanhã, um aumento do nível das águas aqui no estuário, em função do pico que o Guaíba teve semana passada. Então, a previsão é entre hoje e amanhã, as cidades de Pelotas e Rio Grande terem uma elevação dos níveis nas suas margens”, afirmou Elisa.

No último final de semana, o nível da Lagoa dos Patos ficou em 127,5 centímetros, cerca de 47,5 acima da cota de inundação. De acordo com Elisa Fernandes, durante esta sexta-feira, 04, o cenário deve ser parecido. A projeção indica que o nível deve ficar 40 centímetros acima da cota, provocando alagamentos em regiões mais baixas do município. 

Os modelos de previsão que nós trabalhamos no CIEX, no Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos da Universidade, indicam que, em função do predomínio dos ventos de quadrante sul, nos próximos dias, nós teremos um certo represamento das águas aqui no baixo estuário. Porém, esses níveis não serão superiores ao que já se observou no final de semana. Então, dentro da previsão, nós temos um valor de, no máximo, 40 centímetros acima da cota de inundação”, explicou. 


Durante a entrevista, a coordenadora do Ciex também explicou de que forma a geografia do município influência no comportamento da Lagoa em épocas em que o Estuário está recebendo um maior volume de água. Atualmente, Rio Grande com um linígrafo de monitoramento instalado no Cais do CCMar e a expectativa da FURG é de que, ainda nos próximos meses, o monitoramento seja ampliado e outra rede seja instalada nas proximidades dos bairros Lar Gaúcho e Navegantes, visando possibilitar um maior monitoramento do outro lado da cidade.  "O sistema é único, o sistema é um só. Então, o que acontece no canal principal do nosso estuário se reflete nessa região, que, embora exista aquele estrangulamento ali na entrada do Saco da Mangueira, as águas se comunicam. Então, conforme sobe o nível no canal, também há uma tendência de subir o nível dentro do Saco da Mangueira. Nós temos uma preocupação muito grande com aquelas comunidades, em função do que observamos que aconteceu o ano passado ali, né, que subiu muito o nível, foi um transtorno enorme. Por isso, uma das iniciativas que nós estamos tomando nesse momento é a instalação de uma rede, de uma estação da nossa rede de monitoramento de nível naquela região. Como ali, o funcionamento do sistema é realmente um pouco diferente do que acontece no CCMAR, por exemplo, então, a nossa rede vai ter uma estação de monitoramento ali dentro, em uma parceria com a Refinaria Rio Grandense, que nos cedeu acesso à sua área interna, onde essa estação vai ficar segura, protegida, e nós poderemos disponibilizar essas informações, da mesma forma que a gente vem fazendo, no portal da Rede de Monitoramento de Nível. Então, essas comunidades vão ter como acompanhar a evolução da situação em tempo real e conseguir se planejar, assim como o poder público, de uma forma geral”, contou Elisa Fernandes. 

Na oportunidade, o planejamento urbano também foi um assunto central da entrevista. A coordenadora do Ciex  ressaltou que a ocorrência de eventos extremos no município serão mais frequentes e a importância da população estar sempre em alerta.

“Todos os estudos recentes indicam que esses eventos serão mais frequentes e mais intensos. Então, o tempo de recorrência, a experiência de 41 até o ano passado foi bastante longo. Porém, nós temos observado uma frequência de eventos muito intensa, como eu comentei: dois em 23, um em 24. Já o primeiro em 2025. Estamos recém começando o inverno, não sabemos o que vai acontecer. Então, essas famílias têm que se preparar no sentido de estar alerta. Claro, seria muito fácil dizer que elas têm que sair dali, mas a gente sabe que isso não é um processo simples. Idealmente, seria a solução do problema, que essas famílias fossem realocadas. Então, o que eu posso dizer é para que essas pessoas fiquem atentas aos canais de comunicação, aos alertas da Defesa Civil, que se familiarizem com as informações que vêm sendo geradas e disponibilizadas para o público, para a comunidade como um todo, para que elas possam ter esse sentimento de quando que a situação está se agravando e quando que elas precisam reagir para se proteger. Ou seja, sair das suas casas, tirar móveis para proteger o seu patrimônio. Então, se elas entenderem esta dinâmica, elas vão poder se proteger mais. O que não pode mais acontecer é a negação. As pessoas acharem que não aconteceu ano passado, agora não vai acontecer mais, Já está acontecendo. Então, a expectativa é que continue acontecendo. As pessoas têm que colocar isso no seu entendimento, na sua rotina, e aprender a conviver da melhor forma, se não for possível sair destes locais que são mais afetados”, finalizou Elisa.

Confira a entrevista na íntegra:



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