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Rio Grande,29/08/2025

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Café com Z recebe reitora da Furg, Suzane Golçalves, em programa especial direto do Campus Carreiros

Café com Z retoma programas inéditos e conversa com a reitora da Furg, Suzane Gonçalves, sobre a situação orçamentária da Universidade, assistência estudantil e a realização da Feira do Livro.


Café com Z recebe reitora da Furg, Suzane Golçalves, em programa especial direto do Campus Carreiros Foto: Gabriel Veríssimo
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O programa de entrevistas Café com Z, de O Litorâneo, retomou seus programas inéditos nesta segunda-feira, 16, recebendo a reitora da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Suzane Gonçalves. Na ocasião, foram abordados temas como a situação orçamentária da Universidade, os repasses de benefícios da assistência estudantil e a retomada da Feira do Livro da FURG. 

“Estou muito feliz em recebê-los aqui na Reitoria, no Campus Carreiros da FURG, e dizer que já estou bem ambientada aqui no ambiente da reitoria. Em casa, eu sempre estive, porque a FURG é um espaço em que atuo desde 2008, quando ingressei como docente. Mas fui aluna desta universidade, na Pedagogia, e depois no Doutorado em Educação Ambiental. Então, é um espaço muito familiar, que eu gosto muito. Tenho uma relação de pertencimento muito forte com esta universidade. Agora, ocupando o cargo de reitora, estou em uma nova posição, que nunca havia ocupado antes, a da gestão superior da universidade, como chamamos, o que me dá a oportunidade fantástica de trabalhar mais próxima de todas as unidades acadêmicas, com os diretores dessas unidades, e conhecer de perto projetos realizados por diferentes pesquisadores da nossa instituição”, afirmou.

Durante a entrevista, a reitora foi questionada sobre a situação econômica que a Universidade estava ao assumir a reitoria em 2025. Além disso, Suzane Gonçalves também explicou de que forma os orçamentos das universidades são aprovados pelo Congresso Nacional. “As universidades, de modo geral, desde 2017 ou 2018, vêm sofrendo um decréscimo no orçamento previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA). Isso tem impactado o funcionamento da FURG, assim como de outras universidades, há bastante tempo. No período em que estávamos na campanha, junto com o professor Daniel, já sabíamos que a universidade enfrentaria um déficit orçamentário. Mesmo que o orçamento deste ano fosse um pouco maior que o do ano anterior, ele ainda era insuficiente para cobrir todas as despesas da universidade. Estávamos, de certa forma, preparados para enfrentar essa situação. Porém, ao assumir, nos deparamos com um déficit de custeio maior do que o previsto: esperávamos cerca de R$10 milhões, mas encontramos algo em torno de R$13 milhões. Além disso, havia déficit em capital, referente a obras em andamento, como o prédio de saúde e aulas em São Lourenço do Sul, que tinha notas fiscais em aberto, despesas executadas, mas não pagas. Isso caracteriza o déficit real da universidade. Outro ponto é que o orçamento anual não começa, de fato, em janeiro. O Congresso Nacional precisa aprovar o Orçamento da União, o que neste ano aconteceu apenas em abril. Até lá, vivemos uma insegurança muito grande. Enquanto a lei não está aprovada, não sabemos qual será, efetivamente, o orçamento da FURG. Durante esse período, recebemos repasses parciais, um doze avos por mês do valor previsto no projeto de lei, e com isso fomos pagando contas antigas: de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2024, além de despesas inadiáveis de 2025, como bolsas estudantis, auxílio transporte, contas de água e luz, entre outras”, comentou Suzane Gonçalves.

Na ocasião, a reitora também explicou de que forma são feitos os repasses dos pagamentos dos salários dos servidores, dos funcionários terceirizados. “Nós processamos a folha de pagamento na universidade, mas o recurso financeiro para pagamento dos salários vem diretamente do Governo Federal. Não temos autonomia sobre esse valor. "Muitas pessoas desconhecem que, ao analisarmos a FURG, que tem direito a R$ 64 milhões na Lei Orçamentária Anual (LOA), esses recursos não são depositados diretamente em uma conta da universidade. Eu não simplesmente recebo esse valor e saio pagando o que quero. A cada mês, ou, em alguns casos, a cada semana, preciso obter autorização do Ministério da Educação (MEC) para empenhar as despesas. Por exemplo, se tenho uma nota fiscal de R$ 40 mil, preciso que o MEC me autorize a empenhá-la. Após o empenho, coloco a nota no sistema, e, só então, o MEC libera o recurso financeiro para o pagamento. Portanto, mesmo que o pagamento de uma nota seja relativamente rápido, atualmente conseguimos realizar um pagamento mais ágil em cerca de 10 dias. No entanto, isso sempre depende de múltiplas autorizações do MEC para que possamos efetuar esses pagamentos. Atualmente, vivemos uma situação crítica com nossos fornecedores, especialmente os terceirizados. Não temos o desejo nem a intenção de cortar postos de trabalho neste momento, até porque isso também geraria desemprego na cidade. Essas pessoas são trabalhadores que sustentam suas famílias. Estamos trabalhando junto ao MEC, nossa equipe está produzindo relatórios que tenho levado ao Ministério para apresentar a situação real da universidade. Às vezes, as pessoas dizem: 'Ah, todas as universidades estão sem dinheiro'. Mas existem situações diferentes entre as universidades. Temos universidades em que 'estar sem dinheiro' significa não conseguir investir em novos laboratórios ou equipamentos, mas ainda têm recursos para pagar todos os meses seus fornecedores e custeios. No caso da FURG, a situação é mais crítica. Não estamos conseguindo pagar nossos fornecedores. O déficit atual da universidade não é porque compramos impressoras, computadores ou construímos um prédio sem ter dinheiro para isso. Não. Nosso déficit é por não conseguirmos honrar o pagamento dos fornecedores. E, nesse caso, em especial, a maioria desses fornecedores são serviços terceirizados prestados à universidade”, afirmou.


Durante a conversa, a reitora também foi questionada sobre a situação do pagamento dos auxílios estudantis. Segundo ela, mesmo com o déficit, o pagamento das bolsas seguem sendo preservados pela Universidade. A expectativa da instituição é que a Lei de Programa Nacional de Assistência Estudantil seja regulamentada.  “Nos últimos anos, e aqui eu destaco como marco a pandemia, houve um empobrecimento generalizado da população, o que aumentou ainda mais a demanda por assistência estudantil. Ainda estou esperançosa. No ano passado, o PNAES (Programa Nacional de Assistência Estudantil), que até então era uma política frágil e de caráter programático, tornou-se lei graças à mobilização dos estudantes, especialmente da UNE (União Nacional dos Estudantes). Um programa pode ser facilmente desmontado, mas uma política instituída por lei requer financiamento e não pode ser extinta com facilidade. O problema é que, durante a tramitação do PNAES no Congresso Nacional, foi retirado o fundo que garantiria seu financiamento. Ou seja, a política foi aprovada, mas sem a definição clara da origem dos recursos. Isso foi uma perda significativa, embora a criação da política em si tenha sido uma conquista. Minha esperança agora é que essa lei seja regulamentada e que possamos ter uma base sólida e contínua de financiamento para a assistência estudantil.

Hoje, a matriz do PNAES que é repassada às universidades considera o IDH do município onde os cursos estão localizados, bem como um cálculo de “estudante equivalente”, que envolve número de ingressantes, concluintes e a situação socioeconômica dos alunos. Na FURG, por exemplo, nosso orçamento previsto era de R$10 milhões, mas, quando a Lei Orçamentária foi aprovada, houve um corte de R$500 mil. Com o anúncio de recomposição feito pelo governo federal, esperamos chegar novamente ao valor original de R$10 milhões até o final do ano. No entanto, esse valor ainda é insuficiente para cobrir todas as necessidades. Atualmente, mantemos 10 casas de estudantes, e todos os moradores recebem auxílio-alimentação. Na unidade de Rio Grande, onde temos restaurante universitário, os alunos não pagam nada para se alimentar. Já nos campi de Santo Antônio, Santa Vitória e São Lourenço do Sul, onde ainda não há restaurante universitário, os alunos recebem um auxílio em dinheiro para alimentação.

Estamos agora em processo de construção de restaurantes universitários em São Lourenço e Santo Antônio da Patrulha. Além disso, a FURG,  como praticamente todas as universidades públicas, adota uma política de subsídio no restaurante universitário: independentemente da condição socioeconômica, todos os alunos pagam apenas R$3,00 por refeição, sendo que o restante do custo é subsidiado pela universidade. Essa política é fundamental para garantir a permanência dos estudantes. E, mesmo com as medidas que estamos tomando atualmente para conter despesas e reorganizar as finanças da instituição, estamos nos empenhando para que nenhuma ação impacte negativamente a permanência estudantil. Com relação ao restaurante universitário e aos auxílios, essas ações estão preservadas e  nossa Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis já está trabalhando na construção de uma proposta de fórum com os estudantes para discutir coletivamente os próximos passos”, esclareceu a reitora Suzane Gonçalves, durante o Café com Z. 

50ª Feira do Livro da FURG

A 50ª Feira do Livro da FURG acontece entre os dias 28 de agosto e 03 de setembro. Neste ano, em sua retomada, o evento irá ocorrer no campus Carreiros. Durante o Café com Z, a reitora da Universidade falou sobre as expectativas acerca da realização do evento. A feira foi pensada aqui na FURG por duas razões. A primeira é orçamentária. Tenho sido bastante cobrada, em alguns espaços, como reitora: "Por que não vai ser no Cassino? A feira sempre foi no Cassino." Sim, mas a feira no Cassino tem um custo mínimo de um milhão de reais. Simples assim. Eu sou muito direta. Realizando a feira aqui, conseguimos reduzir esse custo para algo entre 200 e 300 mil reais.

Além disso, já conseguimos alguns patrocínios, de modo que esse valor nem sequer sairá do orçamento da universidade. Temos, aqui, a infraestrutura do CIDEC-Sul, com auditório, o que é importante considerando o nosso inverno, que pode nos castigar com frio e chuva. Então, temos uma estrutura que comporta bem o evento. Ao mesmo tempo, essa é a 50ª edição da Feira do Livro , uma edição comemorativa. A FURG, no ano passado, completou 55 anos, mas, por conta da enchente, não conseguimos realizar grandes celebrações. Por isso, insisti bastante com a equipe organizadora para que a feira começasse em agosto, mês de aniversário da FURG, como uma forma de celebrar tanto os 50 anos da feira quanto o aniversário da universidade”, afirmou a reitora Suzane Gonçalves. 

Assista o programa na íntegra: 


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