Arquitetura histórica na Avenida Rio Grande atrai visitantes ao Cassino
No domingo, último dia da programação da Semana do Patrimônio, um grupo de visitantes junto com moradores do Cassino foi guiado para conhecer um pouco da arquitetura de 18 construções com grande valor histórico para o município.
Foto: Divulgação Uma caminhada pela principal avenida do balneário Cassino, a Rio Grande, é a oportunidade para conhecer um pouco da arquitetura histórica construída no local. Muitos prédios ainda resistem às demolições para novas construções. Outros acabaram dando espaço para prédios menos arquitetônicos ou simplesmente desapareceram daquela avenida, restando apenas terrenos vazios. No domingo, 20, último dia da programação da Semana do Patrimônio, um grupo de visitantes junto com moradores do Cassino foi guiado para conhecer um pouco da arquitetura de 18 construções com grande valor histórico para o município.
A guia foi a arquiteta Liane Friedrich, atual presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil - Núcleo Cidade do Rio Grande. Por cerca de três horas, ela apresentou um pouco de cada uma das construções, cujo roteiro foi idealizado pelo arquiteto Oscar Décio Carneiro juntamente com a historiadora Terezinha de Jesus dos Santos, ambos já falecidos. As filhas do arquiteto, Letícia Carneiro Estima e Márcia Carneiro Neves participaram do percurso. A proposta para incluir essa caminhada na Semana do Patrimônio foi construída pelo IAB.
O percurso começou na antiga estação de trem Vila Siqueira, inaugurada em 1890 e localizada entre as ruas São Borja e Santa Maria, em frente ao busto de Antônio Cândido Sequeira que foi quem deu início à conformação do balneário Cassino. Ali e nos demais locais foram apresentadas as características arquitetônicas de cada imóvel e a função que cada um ocupou na região.
Atualmente, a estação faz parte do projeto ArtEstação, coordenado por Célia Maria Pereira, arqueóloga e curadora dessa proposta, implantada há 20 anos. O prédio de dois andares tem passado por obras de restauro. Enquanto isso, exposições e outras atividades culturais têm sido desenvolvidas nas salas que já estão abertas ao público.
No roteiro da caminhada, alguns moradores do balneário puderam contar um pouco sobre o que conheciam de cada uma das construções. Lembraram, por exemplo, que muitas construções não possuíam muros ou cercas, como atualmente. Outros prédios tiveram vários tipos de comércio ou negócio. Um deles foi o Cine Dunas, fechado na pandemia e que levou o nome de Hotel Familiar, durante muitas décadas no século passado.
Outra curiosidade ao percorrer o trecho é que onde se localiza o prédio da Associação dos Artesãos e Artistas do Rio Grande foi o primeiro posto de gasolina do balneário.
As construções históricas que fazem parte do roteiro desta caminhada são: Estação Vila Siqueira (ArtEstação), o antigo Hotel Familiar (ex-Cine Dunas), Casa dos Poock, o primeiro posto de gasolina localizado na esquina com a Rua Uruguaiana, o chalé dos Lawson, o chalé com lambrequins, o Edifício Noemia, o Hotel Atlântico, o chalé de alvenaria, a Matriz Sagrada Família, o Edifício Ibagé, a Villa Francisca, o sobrado dos Bianchini, o chalé da Senhora Wanda Lages, o Chico's Bar, o chalé de madeira da família Duhá, a Sociedade Amigos do Cassino (SAC) e a Colônia de Férias da Viação Férrea.
Para dar continuidade ao resgate histórico do patrimônio arquitetônico da cidade, a arquiteta Liane acredita que é necessário a conscientização das pessoas, bem como o fortalecimento de uma memória coletiva. "Às vezes, não nos damos conta de que muitos aspectos contribuem para a nossa memória. O que queremos evitar é o que está acontecendo de uma forma bastante rápida, em que não há cuidado e valorização do patrimônio." A arquiteta menciona que os prédios que hoje integram este roteiro foram as primeiras influências de fora da cidade que caracterizam, em parte, a cultura rio-grandina.





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