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Rio Grande,20/05/2024

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Ique de la Rocha

“O maior espetáculo da Terra”

Se aqui temos boas recordações, o que dizer de quem assistiu ao carnaval no Rio de Janeiro?


“O maior espetáculo da Terra”

Ique de la Rocha


“O maior espetáculo da Terra”

Se aqui temos boas recordações, o que dizer de quem assistiu ao carnaval no Rio de Janeiro?


Carnaval nos faz lembrar do Rio de Janeiro, a Cidade maravilhosa, mais linda do mundo, privilegiada pela natureza, mas onde o ser humano também contribuiu com suas realizações para tornar nossa ex-Capital Federal ainda mais linda. Só não é o primeiro roteiro turístico do planeta devido à fama de violenta. Uma pena, porque se o Rio respira turismo, certamente poderia ter duas ou três vezes mais visitantes. Tanto que as maiores celebridades do mundo acabam escolhendo outras praias, outros atrativos, quando no Rio de Janeiro se encontra tudo junto: belezas naturais, construções feitas pelo homem, como o Cristo Redentor, estádio de futebol lendário como o Maracanã, museus, prédios históricos, gastronomia de qualidade e acessível, uma grande rede hoteleira, feiras públicas, uma variedade de shows e atividades culturais, a simpatia e hospitalidade do povo carioca e ainda tem o carnaval.

O auge do Rio de Janeiro foi nos anos de 1950 a 1970. O chamado Jet-Set internacional vinha direto para cá. Tempos em que reinava o playboy Jorginho Guinle, cuja família era proprietária da Companhia Docas de Santos (simplesmente dona do maior porto do Brasil) e do famoso hotel Copacabana Palace. Guinle e seu charme irresistível atraía para o Rio e seu hotel estrelas da primeira linha do cinema mundial, que ele recepcionou ou namorou, como Kim Novak, Marilyn Monroe. Rita Hayworth e Jane Mansfield. Com tanta fortuna, ele morreu pobre aos 88 anos de idade e residiu até o fim de sua vida no Copacabana Palace, a convite dos novos proprietários. Depois que voltou à condição de simples mortal, um repórter lhe perguntou como poderia ter ficado sem nada e Jorginho Guinle respondeu: “Calculei errado meu tempo de vida. Achei que iria durar menos”.

Mesmo com os problemas que a cidade enfrenta, o Rio ainda é um dos pontos turísticos mais movimentados do planeta e o carnaval um espetáculo único.


Vivendo o Rio intensamente

Renato da Rocha, tradicional corretor de imóveis do Cassino, é também uma pessoa de muita cultura e lembra com saudades dos tempos em que viveu na “Cidade Maravilhosa”. Foi na década de 1970 e ele não esquece da oportunidade que teve de assistir ao carnaval carioca de um camarote da Marquês de Sapucaí. Para ele, trata-se do “maior espetáculo da Terra”. Abaixo as suas impressões sobre aquele período de sua vida no Rio de Janeiro: 

“Por volta de 1976 fui morar no Rio de Janeiro e o carnaval se tornou para mim de uma imensurável emoção. Lá, residi por um tempo com a família de um amigo que conheci num encontro social: o Henrique Alvarenga de Andrade, que hoje reside em Salvador. Foi um sentimento muito forte entre eu e toda a família dele e estabeleceu-se uma relação de muito respeito. Naquele período eu estava estudando um pouco de violino no Instituto Villa-Lobos, quando me surpreendi com o convite deles, que tinham um enorme apartamento na Glória, próximo do Hotel Glória, quase na Lapa. Foi uma estada maravilhosa, pois todos falávamos o mesmo idioma, tínhamos gostos parecidos, apreciávamos as artes, a cultura, admirávamos as mesmas pessoas.

O Henrique morava com a mãe, Janine Alvarenga de Andrade, uma mulher finíssima, que fez o verbete da Enciclopédia Britânica. Por aí tu vês quem era. Ela tinha outros dois filhos, que também residiam lá, o Rodrigo e a Paula, e eu encontrava às vezes no elevador do edifício o escritor mineiro Pedro Nava, que acabou suicidando-se. Era também médico, um homem circunspecto, que tinha um Galaxie com motorista.

Nunca vou esquecer, de tão queridos que foram, do Henrique, da Janine e também dos outros dois filhos, o Rodrigo e Paula. Pareciam que eram meus anjos da guarda. Certa vez, o pai dele, que era do Banco Central, conseguiu dois convites, a irmã não quis, porque para eles era comum e eu fui com o Henrique. Sabe para onde? Assistir o carnaval nos camarotes da Marquês de Sapucaí. Lá conheci o Alain Delon, a Mirelle Darc, o Elton John, a Florianda Bolkan e lamento que não tinha em mãos uma máquina fotográfica, pois não fui como turista, para registrar aquele momento. E aí assisti ao maior espetáculo da Terra. Digo isso desde aquela época e ninguém acredita. Só indo lá. O Alain Delon fumando charuto e a Mirelle Darc, a linda mulher dele. O Elton John e a Florianda Bolkan estavam na pista, encostados nos camarotes. Era outro tempo e, por isso, que me apaixonei pelo carnaval e fico muito grato a essas criaturas que me receberam no Rio de Janeiro. Eu nunca esperava isso. Não foi com nada que fosse fora do real, da dignidade, da amizade dos seres humanos. Gente finíssima, 

No domingo pela manhã (a Sapucaí seria à noite) fui com Henrique na Cinelândia, perto da sede do Bola Preta (famoso bloco carnavalesco), onde havia  um grande carnaval, perto do meio-dia. Tinha tanta gente conhecida naquela época... É isso que o Rio é rico. É cheio de gente famosa,  que a gente conhece. Fiquei impressionado. 

Eu também ia seguido na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) ver aqueles filmes de arte e no Museu de Arte Moderna (MAM), que também ficava perto da Glória, para ver filmes alemães e de vários países, que não circulavam no meio comercial. O MAM virou minha Catedral, porque lá conheci as obras de arte de todos os gênios do mundo naquela época, expostas a toda hora lá. A gente morava em frente, mas tinha de caminhar uns 500 metros. E ali no Centro do Rio era uma maravilha o que tinha de restaurante bom. Tinha comida árabe na rua da Carioca, os restaurantes eram baratos e a comida uma loucura de boa, deliciosa. Os doces, então... Uma loucura foi aquela época da minha vida”. 


Observações sobre a coluna anterior

Depois de recordar o carnaval rio-grandino no passado, domingo último, me equivoquei ao comentar sobre bailes de salão na Câmara de Comércio. Na verdade eram bailes do Clube do Comércio, que situava-se no 4º e 5º andares do edifício da Câmara de Comércio. Com a falência do clube, a Câmara de Comércio encampou as instalações, já que o prédio pertence a ela.

Não citei a Confeitaria “Sol de Ouro”, que durou ao que me consta até o final da década de 1960. Foi a mais famosa da cidade e talvez da região. Os doces de Pelotas nem se encostavam nos doces do espanhol Benito. Ficava na Bacellar, ao lado do antigo Grande Hotel (Lojas Americanas). Naquela época não havia Calçadão e o carnaval se concentrava ali. Mesmo cerca de 25 anos após o fechamento, marítimos estrangeiros que chegavam no porto ainda perguntavam sobre a Sol de Ouro, que ganhou fama internacional. Eu presenciei a pergunta de um grupo de marinheiros ao caixa da Lancheria Planetários, que havia no Calçadão nos anos de 1980 a 1990.


A repercussão da coluna

Coluna de quinta-feira sobre o carnaval do passado teve excelente repercussão e agradeço ao Pirulito pelo convite para estar junto do bloco “Marilú”. Uma internauta escreveu que “é muito lindo recordar, mas o mundo mudou. Não tem retorno”. Com todo o respeito, penso que não tem retorno para quem não gosta de carnaval. Basta olharmos para as várias cidades brasileiras que tornam a cada ano suas festas carnavalescas cada vez mais fortes.

Uruguaiana, que tinha um carnaval inexpressivo, teve a ideia de fazer um carnaval fora de época e transformou-se em grande sucesso de público e de turismo. Conseguem botar escolas belíssimas na rua com fantasias e carnavalescos que vem das escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

De forma mais humilde, mas com muita animação, a pequena Jaguarão já tem um carnaval de trio elétrico famoso em toda a Zona Sul do Estado, que atrai foliões de várias cidades.


“Marilú” não se entrega nunca

E aqui a “Marilú” prova que o carnaval nunca é passado. Mesmo que tentem desprezar esse amor deles pelo carnaval, ninguém vai conseguir simplesmente jogar a história da “Marilú” no lixo, porque ela virá sempre mais forte. 

Pirulito e o bloco merecem todo o nosso reconhecimento pelo que fizeram e ainda fazem pelo carnaval. A Marilú, além do “molho” de sua bateria”, desde que surgiu presta inestimáveis serviços ao carnaval. Inclusive lembro que na década de 1990, quando o Poder Público tirou a verba das entidades carnavalescas e ficamos sem os desfiles, a “Marilú” mesmo assim foi às ruas, tocou no Asilo de Pobres e em outros locais. Nunca deixou o espírito carnavalesco cair no Rio Grande e ainda foi a responsável pelas únicas vezes em que o ginásio da praça Saraiva lotava, por ocasião da escolha da Rainha da Marilú. Merecem todos os elogios!


Contatos com a coluna pelo email: iquede4larocha@gmail.com



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