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Rio Grande,09/07/2026

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Ique de la Rocha

Seleção Brasileira é um jogo de interesses.

Patrocinadores mandam e desmandam no selecionado que no passado encarnava o espírito dos brasileiros.

Semana passada escrevi sobre Copa do Mundo e fui “politicamente correto” ao desejar que os jogadores de nossa Seleção se espelhassem em nossos craques do passado e demonstrassem dentro do campo a mesma dedicação de Pelé e Cia. Mas, para falar a verdade, não tinha muita esperança de que isso viesse a ocorrer, porque a Seleção Brasileira virou um negócio com muitos interesses financeiros em jogo. 


Depois que a Nike passou a ser patrocinadora do Brasil confesso que perdi a vontade de torcer. Costumo assistir às partidas da Seleção mais como mero espectador e em raras ocasiões me empolgo. Não vejo problema uma multinacional estrangeira patrocinar o Brasil, mas manda quem tem dinheiro e essa injeção de recursos milionários, sem a devida prestação de contas ou transparência por parte da CBF, nos faz desconfiar. 


O grande problema é que patrocinadores gigantes tem ingerência na Seleção. A Nike, e isso já foi várias vezes denunciado desde que ela fechou contrato com o Brasil, chega a exigir a realização de certos amistosos que nada somam para os nossos preparativos, simplesmente porque a empresa tem interesse em colocar seus produtos em determinados países. Como resultado, passamos quatro anos jogando contra equipes insignificantes, quando deveríamos estar privilegiando amistosos que exigissem mais da nossa Seleção, contra times que verdadeiramente possam servir como teste.


Cabe salientar que esse histórico de jogos inexpressivos não é só por causa da patrocinadora. Parece que há interesse, da CBF e das emissoras que transmitem os jogos, em iludir o torcedor brasileiro com uma série de vitórias sem valor algum, pois isso dá audiência e ele passa a acreditar que a equipe está bem preparada. Aí, este torcedor só vai cair na real quando chega numa Copa do Mundo e perde para o primeiro adversário com alguma qualidade, como aconteceu agora nos Estados Unidos.


O Brasil precisa criar vergonha na cara. A necessidade de moralidade não existe apenas na política ou nos negócios. O futebol gira muito dinheiro e, portanto, a corrupção também está presente no esporte. Por trás da Seleção Brasileira existe uma entidade, a CBF, riquíssima com a venda de jogos e patrocínios como o da Nike. Infelizmente os escândalos não vem à tona, porque não interessa à Globo divulgá-los. Afinal, ela tem direitos exclusivos dos jogos da Seleção.


Mas só para que nossos  leitores saibam de alguma coisa por trás dos bastidores, a CBF surgiu para tratar exclusivamente do futebol (antes era CBD- Confederação Brasileira dos Desportos). Todo mundo aplaudiu quando criada, mas hoje ela é dirigida por alguém que surgiu no Norte do país (Amapá, me parece). Quem vota nas eleições das entidades são os presidentes das federações estaduais que, por sua vez, são eleitos até por representantes do futebol amador. Esse sistema incentiva todo tipo de acordo e dificulta que os clubes do futebol profissional possam ter sua influência. Aí o presidente da CBF, quando tem interesse na reeleição ou em manter sua turma no poder,distribui convites para presidentes de federações integrarem comitivas em viagens ao exterior, bem como outros tipos de mordomias.


Isso e muito mais a Globo e nem a imprensa brasileira contam. O episódio Neymar é um exemplo dos interesses financeiros que cercam a CBF. Patrocinadores queriam a convocação dele. Sabiam que ele não tinha condições físicas e mentiram ao povo brasileiro de que o atleta iria se recuperar. Boa parte da imprensa foi conivente e o torcedor brasileiro tratado como palhaço, como sempre.


Precisamos deixar de ser ingênuos. Vemos nesta Copa todos os atletas dando o seu máximo nos jogos, menos os brasileiros. Já o Ancelotti, que também decepcionou, aceitou participar dessa encenação, mas não sei se ele estava totalmente errado. Se não tivesse convocado o Neymar muitos iriam dizer que a Seleção ficou fora da Copa porque não levou o jogador. Ainda bem que agora ficaremos livres desse cara. O mesmo não pode dizer o Santos, que corre o risco de ser rebaixado para a Segunda Divisão. Neymar até agora nada fez de bom pelo clube que revelou Pelé.


Para voltar a brilhar o futebol brasileiro precisa deixar de ser um jogo de interesses. A Seleção tem de se identificar com o povo brasileiro e o povo brasileiro se identificar novamente com a Seleção.        



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