Ique de la Rocha
Onde está o diabo?
Cassino foi só alegria no carnaval e está na hora de parar com essa “demonização”.
Ique de la Rocha
Onde está o diabo?
Cassino foi só alegria no carnaval e está na hora de parar com essa “demonização”.
Chegamos ao final de mais um carnaval contabilizando novamente um grande sucesso em participação popular. E nessa época do ano se viu, como sempre acontece em todo o Brasil, a tentativa de demonizar o espetáculo. Obviamente isso parte dos chamados “conservadores”, ávidos em ditar comportamentos para a sociedade que não cabem mais nos dias de hoje, e que não escondem o preconceito e o racismo que trazem consigo, embora ainda tenham a desfaçatez de se considerarem cristãos. O carnaval tem suas raízes na Babilônia, Grécia e Roma, e chegou ao Brasil trazido pelos portugueses no Período Colonial. Aqui, graças às influências da cultura africana, transformou-se no maior espetáculo da Terra. Ou seja, graças à comunidade negra isso aconteceu. Talvez se fosse praticado por descendentes de europeus não haveria essa “demonização” que vemos em nosso país.
O triste é que várias religiões (sempre elas) adotaram um discurso contrário ao que pregam, pois as críticas que fazem, muitas vezes são carregadas de ódio. Se pudessem, acabariam com a cultura popular que tanto nos orgulha e obrigariam as pessoas a deixarem a alegria de lado, a se enclausurarem e a se dedicarem às religiões deles (porque o resto é tudo do diabo), claro que não esquecendo jamais de pagar o dízimo, senão vão para o inferno. Onde se viu gastar em cerveja o dinheiro que poderia estar indo para a igreja?
Acredito que somos energia e que em ocasiões onde existe muita bebida, e muita gente também, há energia negativa à solta. Mas as cargas negativas estão por toda a parte, assim como existe a energia positiva. Depende da nossa vibração. Quem sabe brincar, mesmo que acompanhado de bebida alcoólica, não vai se misturar com a parte pesada, porque “quem procura, acha”. Um exemplo é o Cassino. Milhares de pessoas pularam e se divertiram em nosso balneário e voltaram para suas casas ilesas e felizes, muito felizes. Se aconteceu alguma coisa, e alguma coisa deve ter acontecido entre as dezenas de milhares de pessoas que foram às ruas, as ocorrências de violência foram mínimas para o tamanho do evento. O futebol, trazido pelos europeus e que é uma paixão nacional, mata mais gente que o carnaval, mas disso ninguém fala.
Para contraditar mais os que demonizam o carnaval (e essas são as pessoas que mais atraem o diabo, porque vivem falando e chamando por ele), quem conhece o ambiente de escola de samba, seja aqui no Rio Grande ou no Rio de Janeiro, sabe que famílias inteiras participam das atividades e da organização dessas entidades. Promovem eventos durante o ano todo e não consta que em algum desses eventos tenha assassinatos, brigas ou pessoas fazendo sexo em público.
Além disso tudo, o carnaval proporciona muitos resultados positivos. Emprega muita gente, valoriza a nossa arte e a nossa cultura. Um desfile no Rio de Janeiro movimenta a música, a dança, as alegorias, os figurinos, a literatura através dos enredos e gera oportunidades de renda para muita gente. Mais ainda: movimenta o turismo e, consequentemente, alavanca a economia. No Rio de Janeiro, Salvador, Recife os hotéis estavam lotados. O comércio lucra muito nesse período. Inclusive no Cassino. Bares, restaurantes, hotéis, pousadas, ambulantes e o comércio em geral ganhou com a festividade. Foi oportunidade para todo mundo faturar mais algum, sem falar que para os foliões a alegria nesses dias foi intensa.
Está mais do que na hora de pararmos com essa “demonização” do carnaval, até mesmo em respeito aos que promovem e participam dessa grande festa. O Cassino e Rio Grande ainda tem muito a ganhar com nosso carnaval popular, que está cada vez melhor e é muito família. Felizmente, uma grande festa onde não há lugar para racistas e preconceituosos.
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Na cidade a Prefeitura promoveu uma bela festa no sábado à noite, na volta do coreto, e bastante gente compareceu.
E depois de muito ouvir falarem maravilhas dos carnavais no bairro Getúlio Vargas, estive lá na noite de domingo e toda a minha expectativa se confirmou. Até me arrependi de não ter ido mais cedo, porque lá inicia às 16h, mas quis tentar secar o Grêmio contra o Juventude e todo meu sacrifício colorado não deu em nada. Cheguei lá por volta de 21h e saí antes das 23h, mas contra a minha vontade porque a festa continuava na rua 6 (Marciano Espíndola).
Assisti a uma grande apresentação do maravilhoso “Bafo da Onça” e depois da “Unidos do Mé”, várias vezes campeã do carnaval e que só não ganhou mais porque, digamos assim, foi “prejudicada” em alguns desfiles.
O povo do BGV é muito entusiasmado, participativo e muita gente de outros bairros da cidade também foi para lá. Uma multidão se comprimia na rua 6 para seguir as baterias. Era um mar de gente. Era só diversão, não vi uma briga ou desentendimento sequer. Em termos de segurança foi tudo tranquilo, como já haviam me dito que seria. Bares, armazéns, vendedores ambulantes, todos com bastante movimento.
Sou um admirador da comunidade do bairro Getúlio Vargas, um verdadeiro patrimônio histórico e cultural do Rio Grande, que tem fortes raízes da cultura afro, das religiões de matriz africana e de nosso carnaval.
Parabéns aos moradores e às entidades que participaram dessa grande festa. Não sei quem são os organizadores, pois gostaria de nominá-los, mas o carnaval lá é contagiante.








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