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Rio Grande,15/02/2026

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Ique de la Rocha

Carnaval, sempre carnaval!

Festa no Cassino já é um produto que justifica divulgação para atrair mais turistas.

Ique de la Rocha


Carnaval, sempre carnaval!

Festa no Cassino já é um produto que justifica divulgação para atrair mais turistas.


Carnaval é liberdade, alegria, confraternização. Não existe festa mais alegre e contagiosa do que essa. Desde que me conheço por gente, e lá se vão 67 anos, as recordações são as melhores possíveis. Na infância, na adolescência, na fase adulta e até mesmo na Terceira Idade não dá para resistir à batida do samba. Claro que com o passar do tempo as coisas mudam, mas no que se refere ao carnaval a alegria não muda nunca e a cada noite de folia é possível arrastar uma multidão todas as noites para a passarela.

Rio Grande teve, simultaneamente, o carnaval oficial da Marechal Floriano, da Silva Paes e, ainda, o da Cristovão Colombo, no bairro Cidade Nova. Está na memória dos rio-grandinos mais antigos a rivalidade entre “Império Serrano”, puro luxo, e “As Mariquitas”, da famosa bateria e de sua Ala das Baianas. Tivemos excelentes blocos e escolas ligadas ao bairro Getúlio Vargas, como a “Nega Teresa”, “Cuca”, “Quem é do Mar não Enjoa” e “As Praianas” (essas duas últimas por iniciativa dos estivadores).

Entre os blocos, marcaram época o “Quebra-Osso”, do Exército, cujos integrantes saíam vestidos de índios, uma bateria vibrante e um gorila que ia de encontro à multidão. O “Bafo da Onça”, do bairro Municipal (Miguel de Castro Moreira), existe até hoje e talvez seja o de maior torcida na cidade, um povo fiel que sempre acompanha a sua entidade. Mais recentemente tivemos a “Marilú”, que também marcou época e “segurou” nosso carnaval nos anos em que não ocorreram os desfiles oficiais.

O carnaval tinha como palco principal na década de 1960 a rua General Bacellar, entre a Andradas e Duque de Caxias. Obviamente não existia o “Calçadão e, mesmo com a rua e calçadas estreitas, o pessoal se aglomerava para ver a passagem das entidades. Havia o “Grande Hotel” e, ao lado, a famosa Confeitaria “Sol de Ouro”. Também o bar “Síria” e na esquina o Café A Dalila. Na rua Duque de Caxias uma quantidade expressiva de bares e lancherias, entre a Luiz Loréa e Marechal Floriano, sempre lotados. Na Silva Paes também lotavam as confeitarias “Hollywood” e “Guarany”, entre a Duque de Caxias e General Netto.

O carnaval era um acontecimento popular e, ao mesmo tempo, social. Além da multidão que saía às ruas, os bailes de salão também eram muito concorridos. Os considerados Top eram os do Ipiranga Atlético Clube (IAC), que num determinado ano chegou a trazer a Banda do Canecão, da famosa casa noturna do Rio de Janeiro, que não existe mais. Mas tinha outros que todo mundo também gostava, como o Ferroviários, Águia Branca, União Fabril, Caixeiral, Saca-Rolhas, Ipiranguinha, Associação dos Empregados no Comércio, Braço é Braço e Estrela do Oriente. Os bailes eram animados por orquestras locais como a Continental, Gilson Constantino, Maestro Piragine e Banda Rossini.

Ainda havia, até meados da década de 70, o Banho à Fantasia promovido pelo Clube de Regatas Rio Grande no cais do Porto Velho, defronte a Alfândega e o edifício da Câmara de Comércio.

A Marechal Floriano foi o melhor palco para nosso carnaval de rua e imperou na década de 1970. Um imponente palanque central era montado na praça Xavier Ferreira, de frente para a Duque de Caxias e para o Hotel Charrua (hoje Atlântico), de onde os turistas jogavam confete e serpentina durante a passagem das entidades carnavalescas. Havia, inclusive, um numeroso grupo de turistas uruguaios que todos os anos vinha não só para assistir ao espetáculo, mas também para desfilar. 

De vez em quando “o pau fechava” naquela esquina, mas havia um policiamento bem mais numeroso que o de hoje (você sabia que nos anos 70 a BM tinha o dobro do contingente que possui hoje na cidade?) e normalmente a intervenção acontecia com rapidez. Mesmo assim, várias mortes foram registradas ao longo dos anos, pois alguns se aproveitavam do carnaval e da máscara, muito utilizada na época, para se vingarem dos desafetos.

As crianças gostavam de brincar com as bisnagas, contentando-se em jogar água nos outros ou em fazer “guerra de bisnagas”. Cabe lembrar que nos anos de 1960 havia o lança-perfume, mas foi proibido e não peguei essa época.

O carnaval também foi motivo de muitas brigas e discussões da parte das entidades, sempre com muitos protestos em relação aos jurados e aos vencedores dos concursos, que eram separados em conjuntos vocais e acadêmicos, blocos e escolas de samba. Normalmente quem perdia, reclamava e chegou ao ponto, em determinado ano, de uma escola de samba protestar jogando um trombone no palanque, que quase acertou o secretário de Turismo da época. 

Mas era um carnaval de muita qualidade. Sempre um espetáculo contagiante. Ainda não conseguimos voltar com o concurso oficial das escolas de samba (tomara que isso aconteça no próximo ano), mas o carnaval popular do Cassino está cada vez mais forte. Certamente já é um produto que justifica uma propaganda maior na região, e até mesmo no Rio Grande do Sul todo, para atrairmos mais turistas. Uruguaiana criou seu diferencial, fez a divulgação e é uma referência no chamado “carnaval fora da época”. Rio Grande já tem o seu diferencial , que é o carnaval popular do Cassino. O problema é que por aqui não fazemos divulgação por falta de um planejamento turístico para o Município.



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