Do Rio Grande à elite do gelo: Nicole Silveira alcança o maior resultado brasileiro no skeleton em Olimpíadas de Inverno
Atleta rio-grandina melhora tempo na segunda descida em Cortina, registra sua melhor marca na pista olímpica e segue na disputa por feito histórico nos Jogos de Inverno
Foto: Divulgação A rio-grandina Nicole Silveira encerrou o primeiro dia do skeleton nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 em 12º lugar, após duas descidas na pista Eugenio Monti, no Cortina Sliding Centre, na Itália. Depois de abrir a competição na 13ª posição com 57s93, a brasileira reduziu o tempo para 57s85 na segunda bateria, sua melhor marca no traçado, e fechou o dia com 1min55s78 no somatório.
A liderança permanece com a austríaca Janine Flock, que totaliza 1min54s48. As alemãs Hannah Neise e Jacqueline Pfeifer completam o grupo das três primeiras colocadas, com Pfeifer estabelecendo novo recorde da pista ao marcar 57s18 em uma das descidas.
As duas baterias decisivas serão realizadas neste sábado (14), às 14h e 15h35min. No skeleton, a classificação final é definida pela soma dos quatro tempos.
Ajuste fino na descida
Na primeira bateria, Nicole apresentou uma largada consistente e manteve boa estabilidade nas curvas mais técnicas do traçado de 1.445 metros e 16 curvas. Na segunda, conseguiu alinhar melhor o “push” inicial e corrigir pontos específicos do percurso, o que resultou na melhora de oito centésimos e no ganho de uma posição.
O tempo de 57s85 superou inclusive seu melhor desempenho nos treinos oficiais, quando havia registrado 58s17. Em uma modalidade decidida em detalhes, cada centésimo tem peso direto na tabela.
Meta: ampliar o teto do Brasil
Nicole já detém o melhor resultado brasileiro no skeleton em Jogos Olímpicos, com o 13º lugar em Jogos Olímpicos de Inverno de 2022. Agora, mira ultrapassar o principal desempenho do país na história dos Jogos de Inverno, marca que pertence a Isabel Clark, nona colocada no snowboard cross em Jogos Olímpicos de Inverno de 2006.
Para alcançar o top-8, a brasileira terá de reduzir a diferença para o grupo que hoje ocupa as primeiras posições intermediárias, entre elas, a belga Kim Meylemans, sua esposa e atual oitava colocada, 46 centésimos à frente. As duas compartilham equipe técnica e estrutura, formando o chamado “Time BB” (Brasil-Bélgica).
Trajetória fora do padrão
Natural do Rio Grande, Nicole mudou-se ainda criança para o Canadá e construiu carreira na enfermagem antes de ingressar no alto rendimento. Praticou futebol, ginástica, rugby, levantamento de peso e fisiculturismo até receber convite para integrar o bobsled brasileiro em 2017. Pouco depois, migrou para o skeleton.
Mesmo fora dos Jogos de PyeongChang 2018, permaneceu no circuito. Vieram medalhas na Copa América, resultados entre as dez melhores na Copa do Mundo e, em 2024, o primeiro pódio do Brasil na principal competição da modalidade, com bronze em PyeongChang. Repetiu o resultado em St. Moritz em 2025 e 2026 e encerrou a temporada 2025/2026 na nona posição geral do ranking.
Durante a pandemia, conciliou plantões como enfermeira (inclusive em atendimento a idosos em áreas rurais) com treinos em pistas cedidas por conhecidos. Atualmente, integra o grupo de atletas contemplados com bolsa da Solidariedade Olímpica, programa do Comitê Olímpico Internacional que auxilia nos custos de preparação.
Como funciona a prova
Criado na Suíça no século XIX, o skeleton integra o programa olímpico de forma definitiva desde 2002. O atleta larga em pé, empurra o trenó por cerca de 30 metros e, em seguida, salta de bruços para descer a pista de gelo, atingindo velocidades superiores a 130 km/h. Não há freios; o controle é feito com deslocamentos sutis do corpo.
Cada competidora realiza quatro descidas. O menor tempo acumulado determina as medalhistas.
Com duas baterias ainda por disputar, Nicole Silveira segue na disputa direta por ampliar o alcance histórico do Brasil nos Jogos de Inverno, agora não apenas como presença consolidada, mas como competidora inserida no bloco intermediário superior da classificação olímpica.








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