José Vitor Silva
Riograndense Futsal aposta na base e lança collab inédita: quando um clube decide crescer do seu próprio jeito
Com a criação da Associação Riograndense Futsal, o resgate de apoiadores históricos e novos projetos sociais, o clube entra em 2026 disposto a reorganizar sua identidade, e o lugar que ocupa na cidade.
Por trás do anúncio do projeto de base Futuro de Ouro e da collab com a marca rio-grandina BuldShop, havia algo mais do que novidades: havia a sensação de que agora o Riograndense Futsal, finalmente encontrou o tom de sua própria voz. A cerimônia ocorrida na noite de sexta-feira, 21, reuniu memórias, balanços e próximos passos, mas, acima de tudo, confirmou uma mudança silenciosa que vinha se acumulando desde 2020: o clube deixou de ser uma promessa insistente para se transformar numa instituição que pensa o território onde está inserida.
Um ciclo que não se explica apenas com números, mas com quem segurou a barra
O evento começou reconhecendo algo raro no futsal: a gratidão institucional. Antes de falar em metas, a diretoria tratou de lembrar quem tornou a travessia possível. A temporada de 2025 teve seus lampejos, o Farydo retomou vida, a campanha invicta em casa virou marca da equipe, e a aguardada Associação Riograndense Futsal ganhou forma legal. Mas nada disso veio do nada.
O Riograndense atravessou seis anos com o que tinha: convicção, teimosia e um punhado de pessoas que, quando tudo parecia frágil demais para durar, decidiram continuar.
Entre esses nomes, o mais celebrado foi Paulo André, presidente do FBC Riograndense, que acolheu o grupo quando a antiga parceria ruiu às vésperas da Série Ouro. Ele, que junto de Bauer, Okamura, Oscar e outros sustentaram o início, ganhou uma homenagem que mostra que o Riograndense não quer esquecer de onde veio.
É um clube que sabe que sua identidade foi construída no esforço comunitário, não em promessas grandiosas.
O clube se digitaliza, e deixa para trás o rótulo de projeto voluntário
Depois do resgate histórico, veio o anúncio que sinaliza a profissionalização. A parceria com a Gamd Sports dará ao torcedor algo que parecia simples, mas nunca aconteceu: ingressos centralizados, produtos oficiais à mão, comunicação integrada.
Não é a tecnologia que impressiona, é a mudança cultural. O Riograndense passa a se comportar como instituição madura, e não apenas como um grupo de apaixonados tentando manter um time vivo.
É um passo administrativo, mas com impacto simbólico: o clube começa a pensar em escala, em futuro, em sustentabilidade.
“Futuro de Ouro”: quando o futsal assume funções que o poder público abandona
O projeto social anunciado foi o ponto mais potente da noite. “Futuro de Ouro” não é só a criação de categorias de base: é um programa que chegará a mais de 100 crianças de 7 a 15 anos, oferecendo treinos, alimentação, reforço escolar e uniformes, com a participação de atletas das equipes feminina e masculina no processo formativo.
Na prática, é o futsal local ocupando um espaço que há muito tempo está deserto: o da construção de vínculos, de rotinas e de proteção social no bairro.
O Riograndense não se limita a formar jogadores; forma ambientes seguros. E ao fazê-lo, se coloca como um ator social relevante num território onde iniciativas desse porte são escassas.
Entre homenagens e discursos, uma revelação: o escudo vai ocupar as ruas
Após o intervalo, o clima mudou. As luzes baixaram e a última novidade surgiu com estética de lançamento cultural: a collab entre o Riograndense Futsal e a BuldShop.
Não é só “linha casual”. É a cidade vestindo o clube, e o clube se deixando vestir pela cidade.
As peças estarão nas lojas do centro, no Praça Shopping e na plataforma online. E, mais do que gerar receita, colocam o escudo do Riograndense no fluxo cotidiano: nas filas, nos corredores de escola, nas fotos de domingo, nos encontros na praça.
A collab expande a marca, fortalece o pertencimento e ancora o clube no imaginário urbano do município.
Um clube que se reinventa porque aprendeu a ouvir o próprio território
O evento terminou com desfile, aplausos e um sentimento que não cabia em slogans: o Riograndense não está renascendo, está mudando de escala. O clube que resistiu durante seis anos, muitas vezes na base da teimosia que lhe deu nome, agora projeta 2026 como ano de consolidação, método e ambição consciente.
Se 2025 firmou a identidade, 2026 promete estruturar o caminho.
No fim das contas, ser Guri Teimoso não é sobre bravura romântica. É sobre transformar insistência em política esportiva, memória em planejamento e pertencimento em projeto.
E quando um clube e sua comunidade começam a crescer juntos, não existe teimosia: existe destino.




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