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Rio Grande,21/05/2026

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Exposição “Palmares Vive” inicia circuito no Rio Grande com atividades em espaços culturais e na Furg

“É uma oportunidade de compartilhar conhecimento, contar histórias e valorizar quem abriu caminho para que pudéssemos mostrar a nossa cultura”


Exposição “Palmares Vive” inicia circuito no Rio Grande com atividades em espaços culturais e na Furg Foto: Divulgação



A exposição itinerante Palmares Vive, projeto do Museu Antropológico (Musa), vinculado à Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), está aberta ao público rio-grandino, a partir de quarta-feira, 20. O projeto iniciou o circuito no Rio Grande dentro do Centro Espírita Umbandista Reino de Yansã e Juremita, na Vila Militar, considerado o ilê (casa religiosa de matriz africana) mais antigo em atividade na cidade, fundado em 1959. 


Fotografias, imagens, documentos e textos que abordam histórias, pertencimentos, territorialidades, lutas e resistências negras no Rio Grande do Sul integram o projeto que destaca, ainda, comunidades quilombolas, clubes sociais negros, movimentos culturais periféricos, além de lideranças e ativismos negros que marcaram a história do Estado.


O circuito no Rio Grande contempla três tradicionais ilês da cidade: o Centro Espírita Umbandista Reino de Yansã e Juremita, o Ilê Àse Òsun Dókò Òsàlá Orunmilá e a Casa de Oxum Taladê. A programação seguirá ainda para a Casa de Cultura Francisco Bianchini, no Cassino, e posteriormente para a Universidade Federal do Rio Grande (Furg). Escolas rio-grandinas estão programadas para visitar a exposição dentro das casas religiosas e nos demais espaços. 


Durante a abertura, a herdeira da tradição do Centro Espírita Umbandista Reino de Yansã e Juremita, Eneida de Oxalá falou sobre o simbolismo da exposição iniciar justamente no ilê mais antigo da cidade e em uma data considerada especial para a família e para a história daquela casa religiosa: a data marcou, também, mais um aniversário do Vô João do Bará, ancestral da família do ilê. Eneida disse que receber a exposição representava um reconhecimento à história construída pelas gerações que mantiveram viva a tradição da casa ao longo das décadas. Ela lembrou que o espaço preserva a mesma estrutura herdada das fundadoras e afirmou que a atividade reforça o momento de valorização das culturas afrodiaspóricas no país.


A anfitriã também destacou a importância de ampliar o acesso da população às histórias e referências negras do Rio Grande do Sul. Durante a atividade, ela apresentou obras relacionadas aos Lanceiros Negros e às quitandeiras, mulheres negras empreendedoras do período pós-abolição. “Iniciativas como a exposição contribuem para fortalecer o reconhecimento de personagens e trajetórias que historicamente receberam pouca visibilidade. É uma oportunidade de compartilhar conhecimento, contar histórias para as crianças, jovens e adultos e valorizar aqueles que abriram caminhos para que hoje pudéssemos estar aqui mostrando a nossa cultura”, disse.


Origem da exposição


A antropóloga e coordenadora do Museu Antropológico do Rio Grande do Sul - Musa, Maria Helena Santana explicou que a exposição surgiu a partir de uma grande mostra realizada em 2021, durante as atividades alusivas aos 50 anos da instituição do Dia da Consciência Negra no Brasil, e em plena pandemia da Covid-19. O projeto foi construído de forma coletiva e colaborativa, reunindo pesquisadores, artistas, historiadores, antropólogos e representantes do movimento negro. A proposta buscou revisitar a memória da população negra no Estado a partir de outro olhar histórico, valorizando o protagonismo das comunidades negras e os processos de resistência cultural e social construídos ao longo das décadas.


Nomes ligados importantes ligados ao movimento negro gaúcho e à construção da mostra, como Nayara Silveira, filha do poeta e pesquisador Oliveira Silveira, um dos responsáveis pela consolidação do 20 de Novembro como marco da Consciência Negra no país, estão presentes na exposição. Maria Helena relatou que a exposição original mobilizou dezenas de profissionais e integrantes de comunidades durante a pandemia, em um processo coletivo realizado de forma virtual. Além do acervo institucional, a mostra recebeu contribuições de famílias, grupos culturais, comunidades quilombolas e coletivos negros que cederam fotografias, documentos, mantos, coroas e outros objetos históricos.


“As pessoas passaram a se reconhecer na exposição e a construir novas leituras sobre a própria história. Isso fez surgir o desejo de tornar o projeto itinerante e aproximá-lo ainda mais das comunidades negras, quilombolas e dos clubes sociais negros”, disse. A antropóloga explicou que a escolha do Centro Espírita Umbandista Reino de Yansã e Juremita como ponto inicial da circulação no Município ocorreu após diálogos realizados durante outro projeto cultural desenvolvido junto às casas de linha contínua — espaços onde as tradições e os assentamentos religiosos são preservados por gerações familiares. 


Carla Camargo, outra antropóloga envolvida com a construção da exposição e integrante da equipe do Musa, salientou que a itinerância tem proporcionado experiências importantes de aproximação entre o museu e as comunidades negras do Estado. Ela explicou que ingressou na equipe em 2023 e passou a acompanhar a circulação da mostra por diferentes cidades do Rio Grande do Sul. A antropóloga também enfatizou a relevância da participação das escolas e das comunidades quilombolas durante a circulação da mostra, especialmente pela possibilidade de estudantes se identificarem com personagens, histórias e referências culturais apresentadas nos materiais expositivos.


Além da exposição, a equipe do Musa permanecerá no município entre os dias 19 e 21 de maio para realizar oficina de monitoria voltada a educadores e professores. A atividade será aberta ao público, com agendamento pelo telefone (53) 98155-7710 ou pelo perfil do museu no Instagram, @museu_antropologico.


Circuito da exposição 


Local: Centro Espírita Umbandista Reino de Yansã e Juremita

Endereço: Rua Arthur Dornelles, 133, Vila Militar

Visitação: 21 e 22 de maio, das 9h30 às 20h


Local: Ilê Àse Òsun Dókò Òsàlá Orunmilá

Endereço: Rua Tobias da Silva, 320

Visitação: de 22 a 24 de maio, das 9h30 às 20h


Local: Casa de Oxum Taladê

Endereço: Rua General Vitorino, 73, Centro

Visitação: de 25 a 31 de maio, das 14h às 20h.

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