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Rio Grande,04/05/2026

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Do Rio Grande para a elite da fotografia mundial: rio-grandino chega à final do Hasselblad Masters 2026

Rodrigo Braga, nascido em Rio Grande, está entre os dez melhores do mundo na categoria retrato e leva ao cenário internacional um projeto sobre identidade, cultura e tradição do pampa


Do Rio Grande para a elite da fotografia mundial: rio-grandino chega à final do Hasselblad Masters 2026 Foto: Acervo Pessoal

O fotógrafo rio-grandino Rodrigo Braga está entre os finalistas do Hasselblad Masters 2026, uma das premiações mais relevantes da fotografia internacional, após ter seu trabalho selecionado entre mais de 100 mil imagens inscritas. Na categoria retrato, ele apresenta uma série construída a partir de viagens pelo sul da América do Sul, que articula técnica apurada e leitura sensível da cultura do pampa.


A relação de Braga com a imagem começou antes de qualquer planejamento de carreira. Ainda adolescente, em Rio Grande, ele já circulava por produções audiovisuais locais, registrando eventos e aprendendo na prática. O ingresso no fotojornalismo veio pouco depois, consolidando um olhar atento ao cotidiano.


Mas foi o contato com o estudo formal da fotografia que reorganizou esse percurso. Ao decidir se profissionalizar, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se formou e passou a atuar como assistente e, posteriormente, como fotógrafo em projetos editoriais. Em São Paulo, integrou a engrenagem das grandes revistas, experimentando diferentes linguagens e formatos, do retrato dirigido ao ensaio mais autoral.


O retorno como método


O projeto que o leva à final do Hasselblad Masters não nasce de uma demanda comercial, mas de um movimento de retorno. Ao longo dos anos, Braga construiu uma carreira distante do sul, mas manteve a ideia de revisitar sua origem com outro repertório técnico e estético.


Essa volta se materializa em uma série de viagens extensas por regiões rurais do Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai. A ideia se distancia de uma abordagem puramente documental. As imagens são construídas a partir de uma lógica que combina observação e intervenção, explorando luz, composição e tempo de forma deliberada.


Inspirado por referências literárias como a ideia do “centauro do pampa”, presente em autores como Euclides da Cunha e Érico Veríssimo, Braga estrutura seus retratos a partir da relação entre homem e cavalo, elemento central na cultura gaúcha.


O resultado é um ensaio que evita a estética folclórica e aposta em uma leitura mais densa: o cotidiano elevado a símbolo, sem perder o vínculo com a realidade.


Técnica como linguagem, não como vitrine


Parte do reconhecimento internacional do projeto está na maneira como Braga utiliza a técnica. O uso de câmeras de médio formato, especialmente da linha Hasselblad, não aparece como fetiche, mas como ferramenta para explorar textura, luz e profundidade.


Essa escolha dialoga diretamente com a proposta estética do ensaio, que exige tempo, precisão e um certo distanciamento do registro imediato. Em vez de capturar o instante, as imagens parecem construídas em camadas,  como se cada retrato carregasse mais tempo do que o clique sugere.


Entre prêmios e percurso


Antes de chegar à final do Hasselblad Masters, o trabalho já havia sido reconhecido no International Photography Awards (IPA), onde recebeu medalha de prata. Ainda assim, Braga trata a trajetória com menos ênfase no acúmulo de prêmios e mais como um processo contínuo de refinamento.


A presença entre os finalistas, neste momento, funciona menos como ponto de chegada e mais como validação de um caminho que mistura experiência prática, estudo e deslocamento geográfico.


A etapa decisiva


O Hasselblad Masters combina avaliação técnica com participação do público, o que adiciona uma camada extra à disputa. A votação popular, aberta até junho, tem peso na definição dos vencedores, cujo anúncio está previsto para o dia 30.


Para Braga, essa fase amplia o diálogo com quem acompanha seu trabalho, deslocando a fotografia de um circuito restrito para um espaço mais aberto de circulação.


Um projeto que devolve olhar

Se há um eixo que atravessa toda a trajetória do fotógrafo, ele não está apenas na técnica ou nos lugares por onde passou, mas na tentativa de devolver ao território de origem uma imagem mais elaborada de si mesmo.


Ao chegar à final de uma das principais premiações do mundo, Rodrigo Braga leva consigo não apenas um portfólio consistente, mas um projeto que reposiciona o pampa, não como paisagem exótica, mas como linguagem visual possível, complexa e contemporânea.

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