Dia dos Trabalhadores: origem e o futuro do mercado de trabalho
Sindicalistas comentam perspectivas do mercado a partir de novidades como a IA e o possível fim da escala 6 x 1
A chegada do mês de maio e de seu primeiro dia, o qual é feriado nacional do Dia dos Trabalhadores, dá espaço para discussões acerca do futuro do mercado de trabalho. Frente às mais novas tecnologias e leis, qual será o cenário que aguarda as futuras gerações trabalhadoras, imersas em um mundo tomado pela Inteligência Artificial e com novas leis cada vez mais próximas, como o fim da escala 6 x 1.
Feriado internacional, passando a ser celebrado nacionalmente em 2002, por exigência de lei federal, o dia do trabalhador visa enaltecer aqueles que podem não ser os protagonistas de nossa federação, mas que carregam a nação em seus braços, com os serviços mais diversos, os quais são essenciais para que a naturalidade do nosso dia a dia se mantenha.
Apesar do clima de celebração, a data também é momento trivial para que se estabeleçam discussões que abordam o mercado de trabalho e o seu futuro, analisando as possibilidades que surgem com o advento das novas tecnologias e leis, como por exemplo a democratização da Inteligência Artificial e a possibilidade do estabelecimento da lei que determina o fim da escala 6 x 1 em nosso país.
Como surge o dia do trabalhador
Sabemos que o século XIX ficou marcado por diversas evoluções que revolucionaram a tecnologia e o modo de viver da sociedade global. Mas para além das revoluções econômicas, a época também é lembrada por movimentos de trabalhadores que lutavam pela valorização de seu trabalho e condições mais dignas.
Um destes movimentos foi escolhido como a data em que o trabalhador seria valorizado, marcado na história como o Dia do Trabalhador.
O movimento em questão aconteceu em Chicago, nos Estados Unidos, no ano de 1886. A realidade do trabalho na época era cruel, os trabalhadores travavam jornadas de até mais de 12 horas diárias. Cansados de tal exploração, os americanos decidiram organizar uma greve, a qual tinha como objetivo a redução da jornada de trabalho, passando a ser de oito horas.
Foi então que o dia 1º de maio de 1886 virou palco para a greve, a qual mobilizou mais de 340 mil trabalhadores por todo o Estados Unidos.
O que começou como uma greve pacífica, terminou de forma trágica em solo americano. No terceiro dia de paralisação, foram registradas algumas mortes de trabalhadores, gerando revolta nos manifestantes, que decidiram protestar na Praça Haymarket, em Chicago.
Iniciando de forma amena, o protesto virou cenário de guerra. A virada de chave ocorreu após uma bomba explodir próxima à polícia, o que levou a morte de sete deles e de outros quatro civis que estavam na localidade.
Após as mortes dos policiais, os outros militares presentes deram início à uma repressão severa e violenta, resultando na prisão de centenas de manifestantes, com mais de 100 protestantes feridos.
Até hoje não se sabe quem teria lançado a bomba contra os policiais, teorias especulam a possibilidade de que equipes da própria entidade teriam jogado, com o objetivo de justificar um tratamento mais severo e violento contra os trabalhadores manifestantes.
Recepção da data no Brasil
Em nosso país, a data passou a ser celebrada por meados de 1910, quando os movimentos trabalhistas passaram a ganhar mais espaço no cenário brasileiro. No governo de Artur Bernardes, 1º de maio se tornou feriado nacional, por meio do decreto nº 4.859, de 26 de setembro de 1924. Naquele momento, a data era em comemoração aos “mártires do trabalho”.
Com a chegada de Getúlio Vargas à presidência da república, o feriado ganhou um novo sentido. O que antes era uma data marcada por protestos e manifestações que exigiam melhores condições trabalhistas, passou a ser tratada como uma data comemorativa, um momento de celebração, confraternização e descanso, promovendo desfiles em alusão à data.
Dia dos trabalhadores em outras nações
Juntamente ao Brasil, outros dezessete países celebram o Dia dos Trabalhadores na mesma data, no dia 1º de maio. Dentre eles estão: Argélia; Angola; Marrocos; África do Sul; Argentina; Colômbia; Chile; Cuba; México; Japão (não é feriado, mas muitos trabalhadores têm folga no dia); Bélgica; Dinamarca (não é feriado, mas muitos trabalhadores têm folga no dia.); França; Alemanha; Noruega; Rússia e Espanha.
Países como os Estados Unidos da América e o Canadá, localizados no extremo norte do continente americano, celebram a data na primeira segunda-feira do mês de setembro.
O novo cenário trabalhista
O novo cenário do mercado trabalhista é reflexo das lutas anteriormente travadas pelos trabalhadores militantes de outros séculos e décadas. Se hoje, em 2026, as condições de trabalho ainda são tópicos sensíveis e, por diversas vezes, não são as melhores, o mundo antigamente certamente era ainda pior.
Pautas trabalhistas debatidas nos dias atuais são conquistas das antigas gerações do trabalho, visto que alguns nunca tiveram a oportunidade de trabalhar em uma escala 6 x 1, quem dirá a possibilidade de ver a mesma próxima de seu fim no Brasil.
O futuro do trabalho está pautado pela ascensão e democratização do acesso às novas tecnologias, sendo a principal delas a Inteligência Artificial, que vem ganhando cada vez mais espaço na rotina da sociedade, estando presente do momento em que acordamos até a hora em que nos deitamos para dormir.
O fim da escala 6 x 1
No presente momento, o texto que pede pelo fim da escala 6 x 1 foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Agora, uma comissão especial da Câmara dos Deputados, estabelecida em 29 de abril deste ano, fica responsável por discutir o mérito, ou conteúdo das PECs, e poderá sugerir alterações.
Ao que tudo indica, as tramitações levarão o texto à votação ainda no mês de maio, passando em seguida para votação no Plenário da Câmara e Senado.
Porém, a Câmara dos Deputados discute adotar uma regra de transição, a qual teria duração de quatro anos para a mudança do regime trabalhista. A ideia é a de uma redução gradual, indo de ano a ano, até 2030 para a adoção de uma escala 5x2.
A ascensão da IA
A visível ascensão da IA tem preocupado o setor trabalhista, visto que a mesma já está imersa na realidade de nossas rotinas, estando presentes em todos os aspectos de nossas vidas, desde o momento em que acordamos até o momento em que dormimos.
A presença da mesma, aparenta revolucionária, principalmente para os empresários que visam maximizar seus lucros por meio da ferramenta que produz quase tudo que lhe é requisitado. Projeções indicam que até o ano de 2030, 30% das horas de trabalho atuais podem ser automatizadas.
Porém, o que pode ser revolucionário para os grandes empresários e suas empresas, se torna cenário crítico para os trabalhadores, que enxergam suas vagas cada vez mais próximas da automatização e consequentemente, extinção.
O que pensam os sindicalistas
Em contato com o Sindicato dos Bancários da região Sul do Rio Grande do Sul, a equipe de repórteres do portal de notícias O Litorâneo buscou compreender um pouco mais sobre a realidade vivida na rotina deles e quais são suas perspectivas para o futuro.
Rafael Cruz da Silva, trabalhador do Banrisul e coordenador de Administração e Organização do Sindicato, comentou que o setor bancário já tem exercido movimentos que de investimento tecnológico ao decorrer dos anos, como caixas eletrônicos, computadores e softwares.
O mesmo comentou que o setor é o que mais investe em tecnologia e automatização no país, “Trata-se do setor que mais investe em tecnologia no Brasil: em 2025, foram cerca de 48 bilhões de reais, com o objetivo de ampliar o controle sobre os processos de trabalho e sobre os trabalhadores, visando ao aumento dos lucros”.
Quando questionado sobre suas perspectivas para o futuro da profissão, Rafael comentou que os trabalhadores sempre se adaptaram às novas tecnologias, afirmando que desta vez não será diferente, “os trabalhadores e seus sindicatos seguirão firmes na defesa dos direitos dos trabalhadores e da sociedade , sempre contra a exploração da classe trabalhadora, na luta por melhores condições de trabalho, valorização profissional, preservação da saúde e ampliação de direitos”.





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