Simers apresenta contraproposta de pagamentos à Santa Casa
Em entrevista, vice-presidente do Simers detalha negociações e destaca papel do Ministério Público na mediação
Foto: Reprodução A crise financeira da Santa Casa do Rio Grande entrou em uma nova fase de negociações, com previsão de retomada gradual dos pagamentos ao corpo clínico a partir de maio. Em entrevista ao O Litorâneo, o vice-presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, Felipe Vasconcelos, afirmou que os acordos construídos com apoio institucional podem garantir fôlego imediato à instituição e evitar a interrupção dos serviços.
Segundo Vasconcelos, o avanço das tratativas só foi possível com a atuação direta do Ministério Público, que passou a mediar o diálogo entre gestores, médicos e entes públicos. O dirigente destacou o papel do grupo de mediação do órgão como elemento central para estabelecer compromissos concretos em meio à instabilidade. “A presença do Ministério Público trouxe segurança para que os acordos não fiquem apenas no campo das promessas”, resumiu.
As negociações envolvem ainda entidades como o Sindicato Médico do Rio Grande e o Conselho Regional de Medicina do RS, além de representantes da União, Estado e Município.
Dívida acumulada e proposta de pagamento
A principal preocupação da categoria médica é a regularização dos honorários atrasados desde novembro de 2025. Conforme o plano apresentado, a Santa Casa pretende quitar parte dos débitos já em maio, incluindo:
50% da competência de novembro;
pagamento integral de dezembro;
cerca de 70% (ou total) de janeiro de 2026.
Como alternativa para viabilizar a normalização, os médicos apresentaram uma contraproposta: a partir de junho, os pagamentos mensais passariam a ser equivalentes a um salário e meio, permitindo quitar o passivo em até seis meses.
Mesmo diante do cenário de incertezas, a categoria decidiu manter os atendimentos. De acordo com Vasconcelos, a decisão reflete o compromisso com a população atendida pelo hospital, referência regional em saúde. Os profissionais, no entanto, vem condicionando a continuidade integral dos serviços à formalização dos acordos e à efetiva entrada dos recursos prometidos.
Reforço financeiro em múltiplas frentes
O plano de recuperação da Santa Casa envolve aportes em diferentes níveis. No âmbito municipal, há a proposta de antecipação de R$ 1,44 milhão. Já o governo estadual prevê incremento mensal com novos ambulatórios e recursos do SUS Gaúcho.
Na esfera federal, o aumento do teto de Média e Alta Complexidade (MAC) deve elevar o repasse mensal para mais de R$ 1,16 milhão, incluindo valores retroativos (medida considerada estratégica para melhorar o fluxo de caixa).
Apesar do avanço nas negociações, Vasconcelos pondera que a sustentabilidade do plano ainda depende da concretização dos repasses e da formalização dos compromissos assumidos.
A expectativa é de que, com a validação dos acordos pelo Ministério Público e pelos gestores públicos, a instituição consiga estabilizar suas finanças ao longo dos próximos meses.





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