Em águas gaúchas: um dos maiores navios sísmicos do mundo avalia o potencial de petróleo na Bacia de Pelotas
As empresas norueguesas Shearwater e Searcher Seismic estão utilizando um dos principais navios sísmicos do mundo para encontrar petróleo na região sul. A atividade é realizada entre Rio Grande e Chuí
Foto: divulgação Desde 2013, empresas estrangeiras olham para a Bacia de Pelotas visando encontrar petróleo no litoral gaúcho. Após mais de dez anos, a exploração de petróleo na costa gaúcha pode estar prestes a ocorrer. No início de janeiro, as empresas norueguesas Shearwater e Searcher Seismic enviaram para o litoral gaúcho um dos principais navios sísmicos do mundo: o SW Empress.
O objetivo é iniciar a segunda etapa do levantamento sísmico 3D na Bacia de Pelotas - que compreende o litoral de Santa Catarina até às proximidades de Cabo Polônio, no Uruguai - para identificar potenciais de petróleo na costa gaúcha. O monitoramento realizado pelo navio irá limitar as águas gaúchas e se estender da cidade do Rio Grande até o município de Santa Vitória do Palmar, área que compreende os 35 blocos leiloados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
O que é o monitoramento sísmico?
O monitoramento sísmico 3D consiste na utilização de equipamentos e análises para que possam ser obtidas informações sobre reservatórios de petróleo em determinada região. A partir de um navio sísmico, são utilizados equipamentos parecidos como canhões de ar, que possibilitam emitir ondas sonoras que penetram o subsolo marinho e são refletidas e captadas por receptores. Segundo a explicação da Petrobras, o monitoramento é como uma ultrassonografia.
Na costa gaúcha, o trabalho iniciou em abril de 2024, sendo paralisado pela enchente de maio de 2024 que atingiu o Estado. Em agosto do mesmo ano, os estudos foram retomados. A previsão é que a pesquisa seja realizada até junho de 2025, com um custo estimado em R$400 milhões em uma escala de trabalho 42x42.
O navio SW Empress
O navio sísmico está no litoral sul com uma tripulação de 80 pessoas, entre pesquisadores, técnicos, equipe de navegação e funcionários operacionais. Segundo divulgado pela empresa norueguesa, entre as 80 pessoas, sete são biólogos e oceanógrafos brasileiros contratados pela empresa francesa NavOcean, referência em consultoria e serviços ambientais para o setor offshore e portuário. O SW Empress possui 122 metros de comprimento e 22 metros na sua parte mais larga. Conforme a última atualização, registrada na segunda-feira, 27, a embarcação estava em uma posição próxima ao município de Santa Vitória do Palmar.

Legenda: localização do Navio SW Empress na Costa Gaúcha
Relação direta com o Porto do Rio Grande
Há cada 15 dias, uma embarcação de apoio atraca no Porto do Rio Grande para abastecer o combustível e suprimentos da tripulação do navio sísmico. Além disso, há cada duas semanas, a embarcação também encontra o navio sísmico para trazer à terra os dados sísmicos coletados em HDs, possibilitando que os pesquisadores dos centros de processamento da empresa norueguesa realizem a continuidade do trabalho.
Após a análise, os dados são vendidos para Petrobras e Chevron, por terem vencido o leilão de concessão da Bacia de Pelotas em dezembro de 2023. Se os estudos confirmarem a existência de reservas promissoras, a Petrobras poderá avançar para a perfuração exploratória na região.
Licenciamento do IBAMA
Em dezembro de 2023, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) concedeu licenciamento ambiental para oito empresas distintas realizarem o monitoramento sísmico 3D na costa gaúcha. Segundo o órgão, o processo para emissão do licenciamento buscou avaliar o impacto dos disparos das fontes sísmicas sobre a fauna marinha, especialmente mamíferos e quelônios, impactos sobre a atividade pesqueira e também a geração de resíduos e efluentes.





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