Lênin Landgraf
Ilustres Rio-Grandinos: Manuel Marques de Souza, o Conde de Porto Alegre
Esses artigos vão ao encontro da comemoração aos 285 anos de Rio Grande, que foram comemorados em 19 de fevereiro desse ano.
Seguidamenteem meus escritos trato sobre a história e tradição da cidade do Rio Grande.Nesse sentido, ao lembrar do hino da cidade, que diz em um trecho “terra deTamandaré, Porto Alegre, Netto e Dias, tens valor, tens rija fá, tens fecundasenergias”, referindo-se a grandes personalidades rio-grandinas, decidi escreveruma pequena série de artigos sobre cada um dos citados, começando por Conde dePorto Alegre. Esses artigos vão ao encontro da comemoração aos 285 anos de RioGrande, que foram comemorados em 19 de fevereiro desse ano.
ManuelMarques de Souza, que recebeu o apelido de “o centauro de luvas”, nasceu em RioGrande em 13 de junho de 1804. Vindo de família rica, destacou-se nasatividades como militar, político, abolicionista e defensor da monarquia. Casou-seduas vezes, sendo sua primeira esposa Maria Balbina Álvares da Gama e a segundaBernadina Soares de Paiva. Teve quatro filhas, sendo elas: Maria Manuela daGama Marques, Maria Bernardina Marques de Souza e Clara Marques de Souza. Aquarta filha, também chamada Clara, acabou falecendo após o parto.
Iniciousua carreira militar muito jovem, em 1817, na Guerra contra Artigas (PrimeiraGuerra da Cisplatina), ficando nos anos seguintes envolvido em manter oterritório conquistado. Em 1835, durante a Revolução Farroupilha, foiimportante líder das tropas governamentais, lembre-se que naquele momento PortoAlegre defendia a monarquia, não apoiando, então, os revoltosos gaúchos. Nosanos seguintes seguiu comandando tropas, com destaque para sua participação naGuerra do Prata.
Apósesses conflitos Porto Alegre decidiu aposentar-se da carreira militar, saindocomo tenente-general, segunda maior patente do exército naquele período. Sem oscompromissos militares, passou a se dedicar a política, elegendo-se deputadopelo Rio Grande do Sul. Foi também, durante um curto período de tempo, Ministroda Guerra. Retornou a ativa no exército em 1864 para comandar tropas na Guerrado Paraguai, onde foi novamente um comandante com destacada atuação e tambémmarcado por conflitos e desacertos com os aliados argentinos e uruguaios.
Aoretornar vitorioso de mais um conflito, focou-se novamente na política,tornando-se agora um grande defensor da abolição da escravatura. Apoiou tambémfortemente a literatura - foi um dos membros honorários do Partenon Literário -e a ciência, acreditando que esses três fatores seriam fundamentais para odesenvolvimento do país. No que diz respeito a abolição, o próprio Porto Alegrecontava com escravizados, mas foi fundador e presidente da “SociedadeLibertadora”, que tinha como objetivo a compra de alforria para criançasescravizadas.
Apósum acidente acabou falecendo em 18 de julho de 1875, aos 71 anos, recebendohonras durante seu funeral. Foi enterrado no cemitério da Santa Casa deMisericórdia em Porto Alegre. Por toda sua atividade recebeu homenagens em vidae após sua morte, tornando-se Barão (1852), Visconde (1866) e Conde (1868).Recebeu inúmeras homenagens e condecorações militares, foi Grã-Cruz da ImperialOrdem de Nosso Senhor Jesus Cristo, Dignatário da Ordem Imperial do Cruzeiro doSul e Cavaleiro da Ordem de São Bento de Avis.
Consideradocontroverso por diversos historiadores e sendo durante muito tempo “escondido” dahistória oficial do país após a Proclamação da República, Porto Alegre deve serreconhecido pelo o que fez e com o cuidado de evitar-se o anacronismo, que pormuitas vezes prejudica a análise histórica. Conde de Porto Alegre é mais umdestacado filho de Rio Grande.






COMENTÁRIOS