Marisa Martins
Divagando (Pra não falar em conflitos)
“São as águas de março fechando o verão, é promessa de vida no teu coração...” – Tom Jobim
Longa letra de Águas de Março, de Tom Jobim, sintetiza cotidiano existencial caminhando para o fim. As águas de março fixam-se como símbolo de fim de etapa, e de início de renovação.
Marcam elas que verão termina. Tudo, porém, continua com outono, onde velhas folhas caem, promessa de renascimento. Promessa de vida.
As águas sempre voltam. É preciso que voltem, e que sejam mansas ao molhar o solo árido, dando esperança ao coração.
No Sul, recolhem-se guarda-sóis, e areais transformam-se em paisagens livres para caminhantes.
Observei, no Nordeste, mesmo com chuvas intermitentes fechando o verão, mar está ali, disponível, pelas altas temperaturas.
Disponível também está a possibilidade de admirar belezas ambientais que passam despercebidas.
Dá-se conta delas com o tempo chuvoso. Surpreende exuberância dos verdes, alimentados pelas águas. Não só chuva, mas do aumentar volume de rios, riachos e mangues.
Caminhando em meio de pequena mata, contrastando com a clara areia e o azul do mar, assoma a pergunta: por que ficamos cegos a essa conexão tão próxima e, até mesmo perturbadora, entre elementos da natureza? Flora, águas doces e salgadas, areais confundindo-se.
Devagar, bem devagar, observam-se matizes, movimentos de ramos tocados pela brisa, reflexos deles em espelho d’água.
Mais distante, mar celebra a manhã, no bem-vindo dia de sol pleno, com cariciosos beijos na dourada areia.
Sente-se ambiente natural afagado pelo cultural. Quase não se veem resíduos sólidos jogados, nem na água, nem na costa.
No Sul, litorais desvendam, também, espaços onde a natureza outonal pode substituir belezas de verão. Resta descobri-los e os proteger.
São eles, as promessas de vida aos nossos corações…
P.S.: Que águas de março lavem conflitos universais, e retorne a esperança de Paz.








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