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Rio Grande,13/03/2026

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Laura Crizel

Por que acreditar na vitória de O Agente Secreto no Oscar?

O filme de Kleber Mendonça Filho está indicado em 4 categorias e vive realidades distintas entre elas


Por que acreditar na vitória de O Agente Secreto no Oscar?

A noite deste domingo, 15, promete ser especial, principalmente para nós brasileiros. A cerimônia do Oscar 2026 marca a 98° edição do evento e a disputa entre 50 filmes pela famosa estatueta dourada em 19 categorias distintas. 

Todavia, 5 categorias despertam a atenção por possuírem brasileiros disputando. São elas: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Elenco com “O Agente Secreto” de Kleber Mendonça Filho. Além de Melhor Fotografia com Adolpho Veloso, que é diretor de fotografia do filme da Netflix, “Sonhos de Trem”. 

Apesar de, particularmente, crer na vitória de Adolpho Veloso na categoria de Melhor Fotografia, uma vez que o mesmo já conquistou vitórias no Critics Choice Award, o prêmio da Associação de Críticos dos Estados Unidos, e no Fi Spirit Awards, uma premiação para filmes independentes, entendo que as atenções maiores estão para o filme de Kleber Mendonça Filho e suas indicações.

Vamos então comentar sobre as 4 categorias e suas possibilidades de vitória:


Melhor Filme


As chances de vitória da produção brasileira na categoria são praticamente nulas. O favorito absoluto é “Uma Batalha Após a Outra” de Paul Thomas Anderson, com larga vantagem sobre qualquer outro dos 9 candidatos. A possível derrota da obra protagonizada por Leonardo DiCaprio, se consumada, seria considerada uma das maiores surpresas da história do Oscar. Mas caso ocorra, os favoritos à “roubar” a estatueta de “Uma Batalha Após a Outra” são “Pecadores” de Ryan Coogler e “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” da diretora vencedora do Oscar Chloé Zhao. 

É preciso sim comemorar a indicação de “O Agente Secreto” para Melhor Filme, uma vez que estar entre os 10 é uma tarefa muito difícil, ainda mais tratando-se de uma obra em língua não-inglesa de um país do sul global, porém a vitória está distante demais das mãos brasileiras. 


Melhor Elenco


A categoria de elenco é a grande novidade da edição de 2026, seu objetivo não é premiar os melhores atores em um filme, mas sim a direção de elenco e suas escolhas de atores para cada papel na obra. O representante brasileiro é Gabriel Domingues, por “O Agente Secreto” e suas principais concorrentes são Cassandra Kulukundis de “Uma Batalha Após a Outra” e Francine Maisler por “Pecadores”. 

Por se tratar de uma categoria nova, o fator imprevisibilidade existe, porém Cassandra e Francine são grandes conhecidas da indústria cinematográfica de Hollywood.

Cassandra atua como diretora de elenco há muito tempo com Paul Thomas Anderson, conquistando duas indicações ao Oscar de Melhor Filme, com “Sangue Negro” em 2008 (que também deu a estatueta de Melhor Ator para Daniel Day Lewis) e “Licorice Pizza” em 2022. 

Enquanto ela possui duas indicações, Francine Maisler foi diretora de elenco em dois vencedores da principal estatueta da noite,  “12 Anos de Escravidão” em 2014 e “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” em 2015. 

Mesmo com a existência do fator novidade e imprevisibilidade, Gabriel enfrenta duas gigantes de Hollywood que estão dispostas a conquistar um prêmio que nunca tiveram a oportunidade de receber.


Melhor Ator


Aqui as chances são baixas, mas não impossíveis. Wagner Moura é indicado pelo seu papel como Armando em “O Agente Secreto” e enfrenta outros 4 atores: Ethan Hawke por “Blue Moon”, Leonardo DiCaprio por “Uma Batalha Após a Outra” e os dois principais concorrentes de Wagner, Michael B. Jordan por “Pecadores” e Timothée Chalamet por “Marty Supreme”. 

Wagner Moura tem como sustentação do seu circuito de campanha as vitórias como Melhor Interpretação Masculina no Festival de Cannes e Melhor Ator em Filme de Drama no Globo de Ouro, um dos principais prêmios pré-Oscar. 

Timothée Chalamet também ostenta seu Globo de Ouro como Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical, além do Critics Choice Award e outros prêmios menores não televisionados. Já Michael B. Jordan possui o principal prêmio de atuação pré-Oscar, o Actor Awards, do Sindicato de atores de Hollywood. 

A vitória do ator de Pecadores encerrou o circuito das principais premiações e fortaleceu a narrativa da campanha de Michael B. Jordan para a vitória no Oscar. Enquanto as chances de Jordan aumentam cada vez mais no mês final da campanha, Chalamet vê seu favoritismo desaparecer diante de uma recente polêmica afirmando que “ninguém liga mais para balé e ópera”, desagradando artistas estadunidenses e britânicos, colocando em cheque sua estatueta.

Wagner Moura aparece como uma alternativa entre os dois, uma opção para aqueles que se frustraram com as polêmicas de Chalamet, mas temem uma vitória de Michael B. Jordan e como isso poderia influenciar a categoria de Melhor Filme, fortalecendo “Pecadores” diante de “Uma Batalha Após a Outra”. Além disso, Wagner pode ser abraçado pela ala internacional da Academia, visto que é a única atuação em língua não-inglesa da categoria. 

A tarefa do brasileiro é árdua, mas possível. Superar o protagonista de “Marty Supreme” parece estar se tornando algo real, porém resta saber se os votantes preferiram Armando ou os gêmeos Fumaça e Fuligem do filme de Ryan Coogler.


Melhor Filme Internacional


Aqui está a grande chance brasileira na noite de domingo. O principal adversário brasileiro é o norueguês “Valor Sentimental”, dirigido por Joachim Trier que vem dividindo os louros de melhor filme estrangeio com “O Agente Secreto” pelas principais premiações televisionadas da temporada. 

Durante a primeira fase da campanha, aquela que tem como objetivo garantir a indicação para o Oscar, “Valor Sentimental” aparecia como amplo favorito à vitória, porém a conquista brasileira no Globo de Ouro e a má performance dos europeus no BAFTA, prêmio da academia britânica de cinema, viraram o jogo para a obra de Kleber Mendonça Filho, que desponta como favorito à estatueta durante a segunda fase de campanha, mesmo que ainda existam grandes chances para “Valor Sentimental’.

O fato do Brasil ser o atual detentor da estatueta de Melhor Filme Internacional não deve influenciar na escolha, uma vez que com exceção do país, os filmes não têm nenhuma relação entre elenco e equipe. 

Ainda assim, uma “dobradinha” seria histórica. Apenas 3 países conseguiram vencer a categoria por 2 anos consecutivos, todos do norte global. A primeira vez foi com o Japão em 1954 e 55, depois Itália em 56 e 57, França em 58 e 59, Suécia em 60 e 61, Itália novamente em 63 e 64 e 70 e 71, França pela segunda vez em 72 e 73. A última vez que um país conquistou tal feito foi a Dinamarca em 88 e 89. 

Ser, não apenas o primeiro país latino, como também o primeiro subdesenvolvido, à alcançar esse feito seria lendário. 

Em resumo, os brasileiros vivem situações complicadas na 98° edição do Oscar, mas há esperança para uma noite de domingo que trará muitas alegrias e memórias eternizadas em nossa cultura.




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