Elis Radmann
Os marcadores do voto para 2026
Polarização política continuará sendo alimentada pelas redes sociais
As eleições nacionais no Brasil costumam ser organizadas em torno de grandes temas, quase sempre conectados ao contexto social, econômico e político de cada período. Mais do que disputas entre nomes, elas refletem o espírito do tempo e as principais angústias da sociedade.
A primeira eleição direta após a abertura política foi um exemplo claro disso. Fernando Collor venceu com um discurso moralizador, centrado no combate à corrupção, na crítica aos altos salários do funcionalismo público, os chamados “marajás”, e na promessa de modernização do Estado. O país vivia frustração econômica, inflação elevada e descrédito nas instituições, cenário que favoreceu uma narrativa de ruptura e renovação.
Poucos anos depois, o tema central mudou. A vitória de Fernando Henrique Cardoso em 1994, repetida em 1998, esteve diretamente associada à estabilidade econômica. O Plano Real e o fim da hiperinflação organizaram o debate eleitoral e deram ao discurso econômico um peso decisivo.
Em 2002, a chegada de Lula à Presidência representou uma nova inflexão. Sua vitória combinou esperança social, compromisso com políticas de redução da desigualdade e uma postura de moderação econômica. Lula apresentou-se como alguém capaz de promover inclusão sem romper com a estabilidade, conciliando expectativas populares e confiança do mercado, renovando a esperança do eleitorado.
Dilma Rousseff venceu em 2010 com um discurso de continuidade. A campanha reforçou a ideia de manutenção do crescimento, ampliação das políticas sociais e valorização da gestão técnica. A promessa era seguir no mesmo rumo iniciado por Lula, garantindo desenvolvimento com inclusão.
A eleição de 2018 ocorreu em um ambiente radicalmente diferente. Crise econômica, desgaste da classe política, escândalos de corrupção e forte polarização abriram espaço para a vitória de Jair Bolsonaro. Seu discurso antissistema, de combate à “velha política”, defesa de valores conservadores e endurecimento na segurança pública ganhou força em um contexto marcado pela Operação Lava Jato, pelo uso intenso das redes sociais e pelo alto índice de rejeição ao PT.
Já em 2022, Lula voltou ao Planalto em um cenário de polarização extrema e desgaste social agravado pela pandemia. A campanha foi organizada em torno da ideia de reconstrução nacional, defesa da democracia e retomada de políticas sociais. Lula buscou ampliar alianças e se apresentar como uma liderança capaz de reduzir conflitos, restaurar programas como o Bolsa Família e devolver estabilidade ao país.
Olhando para 2026, a tendência é de uma eleição novamente orientada por temas concretos do cotidiano. Economia, segurança pública e políticas sociais devem ocupar o centro do debate. Emprego, renda e custo de vida tendem a ser questões decisivas para o eleitorado, enquanto a preocupação com violência e crime organizado deve ampliar o peso da pauta da segurança. A polarização política, ainda presente, continuará sendo alimentada pelas redes sociais, que também fomentará o discurso anticorrupção.
Nesse contexto, a atuação institucional também ganha relevância, tendo em vista que o Tribunal Superior Eleitoral lançou a logomarca das eleições com o slogan #VotoNaDemocracia, reforçando o voto como pilar da cidadania e da legitimidade política. Mais do que um detalhe simbólico, esse enquadramento dialoga com um ambiente político em que a defesa das regras do jogo democrático tende a se tornar, também, um elemento estruturante da eleição de 2026.




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