Cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça

Cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça

O popular ditado se aplica aos mercados.

Por Nerino Dionello Piotto 24/09/2021 - 16:15 hs

CACHORRO MORDIDO DE COBRA TEM MEDO DE LINGUIÇA

ECONOMIA E OPINIÃO – Nerino Dionello Piotto *

O popular ditado se aplica aos mercados. Como criança teimosa, que só aprende pela dor, ou seja, só aprende que fogo  é perigoso após se queimar.

O mercado errou feio ao lidar com a pandemia, no seu início, quando ela começou na China. Só se deu conta do perigo real quando a onda bateu forte na Itália. Nunca havia ocorrido nada parecido antes, vá lá...mas a turbulência, pela demora de reação, provocou estragos com prejuízos a todos nós.

Agora vivemos, de novo,  tempos  turbulentos, que fazem o mercado, já mordido pela cobra,   ter muito medo e oscilar violentamente. E...

São muitas os eventos  que causam turbulências. Ex: a gigante Evergrande, baita conglomerado imobiliário, da China, está mal das pernas e ameaça cair...dando calote em fornecedores...eles  compram aço, ferro, cimento.... no mundo todo e, se não for ajudada pelo governo chinês  vai levar muitos fornecedores à lona. E os prejuízos serão repassados aos preços dos produtos. E...mais inflação à vista!

Coloque-se nesse cadinho as incertezas internas tupiniquins, ou seja, risco de desequilíbrio fiscal em razão das despesas imprevistas com a pandemia e previstas com as bondades que o governo federal, junto ao congresso, só pensando nas eleições, pretendem praticar....

No meio desse entrevero todo, muitas perguntas  gritam e ferem os ouvidos: por que aumentar a alíquota o IOF ( imposto sobre operações financeiras )? Isto  infla os custos de quem precisa de empréstimos, notadamente o pequeno comércio...custos  que serão repassados aos preços...e...mais inflação; por que, em vez de sacrificar gastos da máquina pública, adiar o pagamento de precatórios? ; por que não reduzir as emendas parlamentares?; por que se deixou de regulamentar a redução de salários e jornadas de servidores públicos como determinado na Lei de Responsabilidade Fiscal?; porque não fazer uma reforma administrativa às veras, cortando privilégios da elite, dos andares de cima  do funcionalismo?

Então....diante de tantas dúvidas...incertezas, o mais prudente, quando se trata de investir algum  é não arriscar muito.

E, para isto, quem quiser dormir menos intranquilo, deveria ter um olhar mais focado no futuro, com boa dose de conservadorismo.  

 

Pensem nisso.  *nerinopiotto@globo.com

 

 

 

 

 

 

 

 



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