Continua ruim

Continua ruim

Análise do empate do Grêmio pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro

Por William Bielenki 28/06/2021 - 10:14 hs

Nessa quinta-feira (27), o Grêmio alcançou cinco jogos no Campeonato Brasileiro (três em casa). Não venceu nenhum; empatou dois. Fez quatro gols; levou sete. Conta com um dos maiores orçamentos da primeira divisão e sua comissão técnica tem mais tempo de trabalho - embora pouco, é verdade - do que a do seu último adversário, o Fortaleza, atual quarto colocado e com quem ficou no 0 a 0 na sétima rodada. Desnecessário discutir se há crise. Sobre o jogo, entretanto, há muitas considerações. Trago as mais pertinentes.

Se Douglas Costa trouxe o acréscimo ofensivo esperado, também foi natural a vulnerabilidade defensiva pelo setor, já que o camisa 10 recompõe bem menos do que o Léo Pereira. A solução foi posicionar o Rafinha um pouco mais à frente, trazendo o Geromel um tanto para a lateral e o Thiago Santos muitas vezes para dentro da área. Outro detalhe defensivo foi que os zagueiros tiveram (novamente!) de combater bem adiante da sua zona, na medida em que o time se projetava à frente sem a necessária proteção. A saída prematura de Thiago Santos agravou esses problemas. Assim, o Tricolor viu buracos no interior da sua grande área e o Fortaleza ter inúmeras chances de gol - algumas delas provenientes de trapalhadas do próprio Grêmio (jogada do pênalti, lance em que o goleiro afasta mal um recuo, entregada do Paulo Miranda) -, impedidas no último instante ou simplesmente desperdiçadas pelo oponente. 

No ataque, ao mesmo tempo em que é verdade que os laterais e jogadores do meio-campo foram mais participativos do que em outras oportunidades, também se deve admitir que foram previsíveis. Com o que também se deve consentir é que Ferreira deu um passo para trás na evolução que vinha mostrando no jogo coletivo, pois muitas vezes optou por chutes duvidosos ao passe. Nada que não possa recuperar. Por isso, os maiores problemas ofensivos se mostraram na lateral esquerda e na inconstância do Matheus Henrique. 

Na lateral, o excelente cruzamento na segunda etapa foi uma ilha, pois cercado de erros de acabamento por todos os lados. Se na Arena é proibida a tentativa com o Guilherme Guedes, não resta muita opção a não ser improvisar um lateral direito na esquerda ou um esquema com três zagueiros – todas escolhas com seus riscos. 

Já em relação ao volante, talvez a tarja “de homem mais criativo do meio-campo” lhe faça mal: retenção exagerada de bola, passes questionáveis e tentativas excessivas de dribles têm conflitado com suas ótimas qualidades. Quem sabe não é hora de pedir  - ou seria orientar? - ao Matheus Henrique que volte a ser o Matheuzinho? 

Por fim, a comissão técnica - responsável por todos esses temas - precisa cessar os erros de escolhas da anterior. A diretoria estancou as sangrias Paulo Victor e Luiz Fernando, mas hoje vimos Paulo Miranda retornar com a habitual lentidão e errar dois passes importantíssimos, um aos 44 minutos do segundo tempo e que culminou em clara oportunidade desperdiçada pelo Leão do Pici. Além disso, maior agilidade nas substituições também não seria nada mal. 



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