Artigo - Por que a importação é o primeiro passo para a internacionalização das pequenas e médias empresas brasileiras?
Foto: Divulgação Artigo - Por que a importação é o primeiro passo para a internacionalização das pequenas e médias empresas brasileiras?
Por Valter Rezende de Oliveira, presidente da ADAB – Associação dos Despachantes Aduaneiros do Brasil
Quando se fala em Comércio Exterior, a imagem mais comum é a de empresas exportando seus produtos para diversos países. Embora a exportação seja um objetivo legítimo e desejável, a realidade das pequenas e médias empresas brasileiras mostra um caminho diferente: a internacionalização, na maioria dos casos, começa pela importação.
Os números mais recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) ajudam a compreender esse movimento. Em 2025, o Brasil alcançou o recorde histórico de 29.818 empresas exportadoras. No mesmo período, porém, o país registrou 60.115 empresas importadoras, mais que o dobro do contingente de exportadores. Entre as empresas de menor porte, o crescimento também foi significativamente maior na importação: enquanto 390 micro e pequenas empresas passaram a exportar, 2.624 iniciaram operações de importação.
Esses dados revelam uma característica importante da inserção internacional das empresas brasileiras. Para grande parte das pequenas e médias organizações, o primeiro contato com o Comércio Exterior não ocorre na venda de produtos para outros países, mas na aquisição de insumos, matérias-primas, componentes, máquinas, equipamentos e tecnologias produzidas no exterior.
Trata-se de um movimento natural. Uma empresa que atua exclusivamente no mercado doméstico pode aumentar sua competitividade ao importar equipamentos mais modernos, matérias-primas de melhor qualidade ou componentes com custos mais competitivos. Com isso, amplia sua produtividade, melhora seus processos e fortalece sua posição no mercado nacional.
Ao mesmo tempo, essa experiência permite que empresários e gestores adquiram conhecimento sobre temas fundamentais do setor, como habilitação no Portal Único de Comércio Exterior (Siscomex), classificação fiscal de mercadorias, logística internacional, contratação de fretes, seguros, câmbio, regimes aduaneiros e exigências regulatórias. Em outras palavras, a importação funciona como uma verdadeira escola prática para empresas que desejam se inserir no ambiente internacional.
Isso não significa que a exportação seja mais difícil ou menos importante, ao contrário. O Brasil precisa ampliar sua base exportadora e aumentar a participação das pequenas e médias empresas nas vendas internacionais. No entanto, exportar exige uma preparação adicional. É necessário identificar mercados potenciais, compreender requisitos técnicos e sanitários, adaptar produtos, desenvolver canais comerciais e construir relacionamentos de longo prazo com clientes estrangeiros.
Nesse cenário, contar com orientação especializada desde as primeiras operações pode fazer toda a diferença para o sucesso da internacionalização. Com esse objetivo, lançamos recentemente o primeiro aplicativo gratuito de alcance nacional, voltado tanto aos despachantes aduaneiros quanto às empresas que atuam ou desejam ingressar no Comércio Exterior.
A plataforma permite localizar profissionais associados e qualificados por meio de filtros como cidade, nome e geolocalização, aproximando importadores e exportadores de especialistas chancelados pela entidade. Trata-se de uma ferramenta inédita no setor, que amplia o acesso ao conhecimento técnico, facilita a formação de parcerias confiáveis e contribui para que pequenas e médias empresas iniciem sua trajetória internacional com mais segurança, eficiência e conformidade.







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