Pelotas ganha a terceira Casa da Igualdade Racial do País
Equipamento público do Ministério da Igualdade Racial é o primeiro na região sul do Brasil. A solenidade contou com a presença da ministra Rachel Barros e com o prefeito Fernando Marroni
Foto: Volmer Perez Primeiro, Rio de Janeiro. Depois, Fortaleza. Agora é a vez de Pelotas se juntar às duas capitais e inaugurar sua Casa da Igualdade Racial, equipamento público concebido pelo Ministério da Igualdade Racial a fim de promover políticas públicas à população negra e comunidades tradicionais. A inauguração ocorreu na manhã desta quinta-feira (30), no mesmo endereço onde funciona a Secretaria Municipal de Igualdade Racial (Smir) - rua Tiradentes 2.963, área central.
A solenidade de abertura do espaço, o primeiro na região sul do Brasil, teve direito à música, canto, dança e poesia com o grupo pelotense Ojuobá Cantos Sagrados e Populares, que trabalha com temas típicos da religião de matriz africana. Participaram do evento a ministra Rachel Barros, o prefeito Fernando Marroni, a vice Daniela Brizolara, o secretário de Gestão do Sistema Nacional de Igualdade Racial (Senapir), Clédisson Júnior, o secretário municipal de Igualdade Racial, Júlio Domingues, o presidente da Câmara de Vereadores, Michel Promove, a deputada federal Denise Pessoa e a deputada estadual Laura Sito, entre outras autoridades. A inauguração contou também com desenlace de fita na abertura da agenda e terminou com descerramento de placa.
A ministra agradeceu a recepção que considerou calorosa, defendeu a agenda do governo federal na promoção de dignidade às camadas que mais precisam de políticas e serviços públicos no Brasil e reforçou a alegria e o orgulho de Pelotas receber a terceira Casa da Igualdade Racial no país, a primeira dos três estados da região Sul.
“Aqui a gente vai promover atendimento adequado à população negra, aqui vai ser a casa de acolhimento a uma população que durante séculos no Brasil teve as portas fechadas, aqui a gente escancara que a igualdade racial tem uma casa para promover dignidade de direitos”, disse Rachel.
O prefeito Fernando Marroni, que inaugurou na história administrativa da gestão municipal uma pasta voltada à promoção de igualdade racial em Pelotas, destacou na cerimônia que a criação da Secretaria representou, mais uma vez em sua trajetória política, o enfrentamento de temas em favor da parcela da população que não tem visibilidade e sofre discriminações de toda ordem.
“Inauguramos a primeira Secretaria da Mulher do Estado, a primeira Secretaria da Igualdade Racial do Estado e isto não é nenhuma concessão, é fruto da luta do povo negro excluído desta cidade, que junto conosco enfrentou a extrema-direita no município e assumiu o compromisso de que não era só no período eleitoral que estaríamos juntos, esta Casa é uma conquista coletiva do povo negro de Pelotas e região, porque será um espaço regional, vamos enfrentar este tema na Zona Sul, não apenas nos limites do nosso município”, afirmou Marroni.
Bastante aclamada, e visivelmente emocionada, Daniela Brizolara quebrou o protocolo. Com o violão em mãos para puxar os cantos da apresentação do Ojuobá na cerimônia, a vice-prefeita agradeceu o convite feito ao grupo, idealizado por ela e Dena Vargas como forma de combater a intolerância e o racismo religioso por meio da arte, e disse que encara a música como um presente da espiritualidade.
“Desejo que a nossa música chegue aos orixás e aos guias de luz para abençoar esta Casa, para trazer axé e também para abençoar todas as pessoas que se envolveram neste sonho - realizado não apenas concretamente, mas no que representa para Pelotas e para nosso povo, que sempre foi carente de oportunidades”, disse a vice-prefeita.
Responsável por abrir as falas das autoridades, o secretário de Igualdade Racial, Julio Domingues, reiterou a importância da presença negra em Pelotas, agradeceu o empenho e a contribuição de todas secretarias municipais e destacou a luta do povo negro na cidade, que atravessa gerações, para a efetivação do espaço.
“Existe a Pelotas oficial, das solenidades, que tem boa memória de um passado que foi supostamente rico, e o doce é português, mas a Pelotas real é a Pelotas negra, em que a população preta enfrenta dificuldades objetivas e sofre racismo - para enfrentar essas dificuldades e auxiliar as lutas que já existem que este espaço estará aberto”, assegurou Domingues.
COMO ACESSAR
A Casa da Igualdade Racial estará à disposição da população nos turnos da manhã e tarde, das 8h às 17h. O atendimento está previsto para iniciar segunda-feira (4), no local. Contatos podem ser feitos pelo telefone 3199-0035 ou em mensagens pelo whatsapp (53) 99141-1026.
A estrutura contará com equipe técnica formada por profissionais das áreas da saúde mental, Assistência Social e Direito, além do apoio administrativo, e computadores adquiridos graças a um acordo de cooperação com o Ministério das Comunicações.
A CASA
A Casa da Igualdade Racial foi instituída em 2025 pelo governo federal pelo decreto 12.514. Ele estabelece a criação desses equipamentos como estruturas permanentes de enfrentamento ao racismo, promoção de direitos e fortalecimento da população negra no país.
Assim como no Rio e em Fortaleza, em Pelotas vai oferecer orientação jurídica e apoio psicossocial a vítimas de racismo, além de encaminhar demandas para serviços de saúde, educação, assistência social, direitos humanos e cultura, em articulação com o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial.
As ações estão organizadas em cinco eixos principais: Justiça Racial (apoio jurídico, social e psicológico para vítimas de discriminação e crimes raciais); Inclusão Produtiva (iniciativas de desenvolvimento pessoal e profissional, com foco na inclusão de jovens e mulheres negras); Cultura e Educação (atividades educativas e culturais baseadas em referenciais e saberes afro-brasileiros); Fortalecimento Comunitário (espaço de convivência e diálogo para fortalecer vínculos sociais e comunitários; Articulação e Pactuação (parcerias e integração com instituições públicas e redes de atendimento).





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