Ministra da Igualdade Racial destaca papel do batuque e reforça políticas de valorização em visita a Rio Grande
Em agenda no município, Rachel Barros dialoga com comunidades tradicionais, debate repatriação de artefatos e participa de homenagens a lideranças de terreiro
Foto: Divulgação A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, esteve em Rio Grande nesta quinta-feira, 30, para cumprir agenda institucional voltada ao fortalecimento das políticas de igualdade racial, com destaque para o diálogo com comunidades tradicionais de matriz africana e a valorização do batuque gaúcho.
Recebida no Salão Nobre Deputado Carlos Santos, na sede da Prefeitura, a ministra encontrou um espaço lotado por representantes de movimentos negros e religiões de matriz africana. O ambiente foi marcado por manifestações culturais, falas de lideranças e um tom de reconhecimento histórico às comunidades de terreiro.
Durante seu pronunciamento, Rachel Barros enfatizou o papel dessas comunidades como agentes ativos na promoção da igualdade racial no país. Segundo ela, a prática religiosa, o cuidado coletivo e a preservação das tradições são formas concretas de resistência histórica.
“Quando o povo de terreiro cultiva suas ervas, realiza seus rituais e acolhe quem precisa, está promovendo igualdade racial e mostrando que há espaço para todas as crenças e direitos”, afirmou.
Debate sobre memória e reparação histórica
Um dos principais pontos da agenda foi a discussão sobre a repatriação de artefatos sagrados do batuque do Rio Grande do Sul, atualmente sob guarda do Museu Etnológico de Berlim. Os objetos foram retirados do Brasil no século XIX, após a repressão a práticas religiosas afro-brasileiras.
A Coordenadoria Municipal de Igualdade Racial já encaminhou solicitação ao Ministério para apoio no processo. O material, composto por 67 itens, é considerado pelas lideranças como parte essencial da memória e da ancestralidade negra, não apenas peças históricas, mas símbolos de fé e resistência. A proposta de criação do Museu do Batuque, em Rio Grande, surge como destino possível para esses artefatos, ampliando o debate sobre preservação e reconhecimento cultural.
Outro dado que chamou atenção durante o encontro foi o avanço no mapeamento dos terreiros no município. Até o momento, a pesquisa percorreu nove bairros e já identificou cerca de 1.100 espaços religiosos, reforçando a relevância do Rio Grande como um dos principais polos do batuque no país. A iniciativa busca subsidiar políticas públicas mais eficazes, além de fortalecer a narrativa histórica da cidade como referência na preservação das tradições afro-brasileiras.
Homenagens e valorização das lideranças
A visita também foi marcada por um momento simbólico: a entrega de homenagens do Governo Federal a lideranças das comunidades tradicionais de terreiro. Foram reconhecidos babalorixás, ialorixás, casas religiosas históricas e entidades que atuam na preservação da cultura afro-brasileira.
As homenagens contemplaram desde os terreiros mais antigos do estado até organizações responsáveis por eventos tradicionais, como a festa de Iemanjá, além de representantes do Conselho Municipal do Povo de Terreiro.
Representando o Executivo municipal, o vice-prefeito Renatinho Gomes destacou a importância da agenda e reafirmou o compromisso da cidade com as políticas de igualdade racial. A passagem da ministra por Rio Grande também incluiu visita à exposição “Coleção Batuque aprisionada na Alemanha”, em cartaz na Fototeca Ricardo Giovannini até 11 de junho.





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