VER-SUS Rio Grande encerra edição com imersão no SUS e transformação na formação de estudantes
Imersão durou sete dias, contando com uma programação diversificada, que incluiu visitas a unidades de saúde, hospitais, comunidades quilombolas, indígenas e ribeirinhas, espaços de debate e reflexão.
Foto: Divulgação Rio Grande foi palco, entre os dias 15 e 21 de março, de mais uma edição do Programa de Vivências no Sistema Único de Saúde (VER-SUS), iniciativa que proporcionou a estudantes e residentes da área da saúde uma imersão intensa nos territórios e serviços do SUS. O encerramento ocorreu no último sábado, 21, reunindo participantes, organizadores e representantes do Ministério da Saúde.
A edição foi construída de forma coletiva, envolvendo o Ministério da Saúde, a Secretaria de Município da Saúde do Rio Grande, a Associação da Rede Unida, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular em Saúde (Aneps), a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), o Conselho Municipal de Saúde, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), além de movimentos sociais, estudantis e instituições formadoras da região.
Durante sete dias, os inscritos participaram de uma programação diversificada, que incluiu visitas a unidades de saúde, hospitais, comunidades quilombolas, indígenas e ribeirinhas, além de espaços de debate e reflexão sobre temas como equidade, gestão participativa e educação popular em saúde. A proposta central foi aproximar a formação acadêmica da realidade vivida nos territórios, fortalecendo o olhar crítico e o compromisso social dos futuros profissionais.
Para o estudante de medicina da FURG, Gabriel César Martins, de 26 anos, a experiência foi marcante e desafiadora. “Eu vim com a expectativa de ver só experiências positivas, mas tive um choque ao conhecer realidades onde o atendimento não acontece como deveria. Isso me fez perceber que eu posso ser parte da solução”, afirmou.
Segundo ele, a vivência reforçou o compromisso com a atuação social na saúde. “Eu estudo em uma universidade pública e penso que a gente precisa devolver para a comunidade. A área da saúde é um dos maiores exemplos disso”, completou.
A estudante de enfermagem da UFPel, Giovanna Machado Xavier, de 22 anos, destacou o impacto do contato direto com diferentes territórios. “Na faculdade a gente aprende na teoria, mas na prática é maravilhoso. Conhecer comunidades indígenas, quilombolas e entender como a saúde acontece nesses espaços é transformador”, relatou.
Ela também ressaltou a importância da atenção primária e da humanização do cuidado. “Isso me motiva ainda mais. Não é só sobre consulta ou vacina, é sobre conhecer o indivíduo, suas necessidades e respeitar as especificidades de cada comunidade”, disse.
Integrante da equipe de apoio e organização, o enfermeiro Patrick Chaves de Souza destacou o caráter enriquecedor da troca de experiências. “Foi uma vivência 24 horas por dia. A gente conheceu diversas realidades do SUS e teve uma troca gigante entre estudantes, profissionais e comunidades. Isso amplia muito a visão sobre o sistema”, explicou.
De acordo com ele, a experiência contribui para desconstruir visões idealizadas. “Muitos chegam com uma ideia do SUS que não corresponde totalmente à realidade. E essa vivência traz um novo entendimento, mais concreto e comprometido”, afirmou.
O encerramento contou com a presença de representantes do Ministério da Saúde, entre elas a diretora do Departamento de Gestão e Regulação do Trabalho em Saúde, Evellin Bezerra da Silva, e Jamile Almeida, reforçando a importância da iniciativa no cenário nacional.
Durante a cerimônia, a secretária municipal da Saúde destacou o impacto formativo do programa e a necessidade de ampliar experiências como essa. “Essa vivência provoca uma formação a partir da realidade. A gente sai daqui mais implicado com a vida das pessoas, com o território e com a política pública”, afirmou.
Ela também ressaltou que o contato direto com as comunidades é essencial para qualificar o cuidado em saúde. “Só quando a gente se sensibiliza com a realidade do outro é que consegue cuidar melhor. Senão, a gente fica indiferente”, pontuou.
A secretária ainda defendeu a continuidade da iniciativa. “Se for preciso, vamos construir estratégias próprias para garantir que essa experiência aconteça todos os anos. Isso é importante não só para os estudantes, mas também para reencantar os trabalhadores e fortalecer o SUS”, concluiu.
A edição do VER-SUS em Rio Grande reforçou o papel da integração entre ensino, serviço e comunidade, deixando como legado a formação de profissionais mais sensíveis, críticos e comprometidos com a saúde pública.









COMENTÁRIOS