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Rio Grande,05/06/2026

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Mais cinco gaseiros e contrato da ponte para São José do Norte: Rio Grande recebe pacote de investimentos que redefine o cenário regional

Reforço ao polo naval, avanço na travessia fixa e novos recursos para prevenção e habitação recolocam a região sul no radar nacional


Mais cinco gaseiros e contrato da ponte para São José do Norte: Rio Grande recebe pacote de investimentos que redefine o cenário regional Foto: Divulgação

A prefeita do Rio Grande, Darlene Pereira, voltará de Brasília com uma pasta cheia de anúncios que mudam o horizonte do município. Após uma tarde reuniões do Distrito Federal na tarde da última quinta-feira, 26, duas pautas históricas avançaram de forma concreta: a Petrobras confirmou a construção de mais cinco navios gaseiros no Estaleiro Rio Grande, elevando para nove o número total de embarcações previstas, e o governo federal assinou o contrato para elaboração do projeto de engenharia da ponte entre Rio Grande e São José do Norte. Os anúncios fazem parte de um pacote de R$ 3,3 bilhões que o Planalto direcionou ao Rio Grande do Sul, distribuído entre habitação, infraestrutura e prevenção a desastres.

No Palácio do Planalto, Lula oficializou a homologação da licitação dos novos gaseiros, consolidando o retorno do polo naval ao circuito de grandes encomendas da Petrobras. Segundo a prefeita, a medida “vira a chave de vez” para o setor: reaquece empregos, reativa cadeias industriais e devolve fôlego a uma estrutura que passou anos operando muito abaixo de sua capacidade. O novo lote inclui três navios de sete mil metros cúbicos e dois de 14 mil metros cúbicos, conforme já antecipado pelo presidente da Transpetro, Sérgio Bacci.


A Ecovix, responsável pelo Estaleiro Rio Grande, já trabalha no conjunto de quatro embarcações contratadas anteriormente e agora se prepara para ampliar a operação. A confirmação antecipada em Brasília, inicialmente prevista para dezembro, durante visita presidencial ao município, foi recebida como um sinal político de prioridade ao setor naval gaúcho.


No mesmo pacote, outro anúncio simbólico: o contrato para o projeto de engenharia da ponte entre Rio Grande e São José do Norte finalmente foi assinado. Depois de décadas de debates, estudos interrompidos e idas e vindas burocráticas, o governo federal colocou no papel o passo que habilita a obra a sair do terreno das ideias. Para Darlene, a travessia fixa “rompe um ciclo histórico de isolamento” e tem potencial para reorganizar logística, mobilidade e integração econômica em toda a região sul.


Além das medidas de impacto direto no município, Brasília também destinou R$ 3,3 bilhões para a reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024, a maior crise climática da história do Estado. Nesse eixo, foram assinados 11 termos de compromisso, somando R$ 251 milhões para drenagem urbana e contenção de encostas em cidades como Pelotas, São Lourenço do Sul e Rio Grande.


Para o município rio-grandino, foi oficializado um repasse de R$ 42 milhões para obras de contenção na Orla Dom Bosquinhos, área fortemente afetada por ventos e marés. Já São Lourenço do Sul receberá R$ 37 milhões para macrodrenagem. Com os contratos assinados, os projetos entram na fase de detalhamento junto à Caixa Econômica Federal para posterior contratação integrada.


Outro ponto anunciado foi a realização de um estudo aerofotogramétrico que abrangerá todo o estuário do Guaíba e da Lagoa dos Patos, uma ferramenta inédita para mapear riscos, monitorar mananciais e planejar respostas a eventos climáticos extremos. No eixo habitacional, o Minha Casa, Minha Vida contemplará Pedras Altas e São José do Norte com 20 novas unidades cada.


A repercussão no Legislativo foi imediata. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o deputado federal Alexandre Lindenmeyer (PT) destacou o peso político das decisões: “O presidente Lula anunciou publicamente que mais cinco navios serão construídos no Estaleiro Rio Grande. É um gesto claro de compromisso com o Estado e com a nossa região”.


Ao final da agenda, o saldo para Rio Grande não é apenas de boas notícias, mas de inflexão estratégica: o município volta a aparecer como protagonista em três frentes decisivas; indústria naval, mobilidade regional e adaptação climática. Um pacote raro de avanços simultâneos que devolve musculatura econômica ao sul do Estado e reposiciona o município no debate nacional sobre desenvolvimento.

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