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Rio Grande,10/06/2026

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Impacto ambiental: sedimentos que chegam à Lagoa dos Patos podem causar impacto devastador na vida marinha do Estuário

Imagens de satélite capturadas pelo Laboratório de Oceanografia Dinâmica e por Satélites (LODS) da FURG mostram partículas de terra, argila e materiais contaminantes que cruzaram a Lagoa dos Patos, chegando ao mar.


Impacto ambiental: sedimentos que chegam à Lagoa dos Patos podem causar impacto devastador na vida marinha do Estuário Foto: LODS FURG

Desde o início de maio, as águas das enchentes que assolaram a região central do Estado têm fluído em direção à Lagoa dos Patos, onde desaguam no Oceano Atlântico. Imagens de satélite capturadas pelo Laboratório de Oceanografia Dinâmica e por Satélites (LODS) da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) ilustram os sedimentos transportados pelos rios que desembocam no Guaíba até sua chegada à Lagoa dos Patos.

Nas imagens captadas pelo Satélite Sentinel-3 e analisadas por pesquisadores do LODS, é possível identificar uma "mancha" de coloração marrom ingressando na costa pelos Molhes da Barra do Rio Grande. De acordo com o coordenador do LODS, Fabricio Sanguinetti,  esses sedimentos estão chegando na Lagoa desde a segunda quinzena de maio e são formados, em sua maioria, por partículas de argila, areia e terra, que foram carregadas pela correnteza.

"Majoritariamente, a mancha é representada por sedimentos em suspensão. O que está chegando bem ao Sul é o sedimento mais fino, aquele que a água consegue carregar por mais tempo, então seria basicamente argila. Porém, junto com as águas que estão descendo do Guaíba, temos uma infinidade de detritos e substâncias, que usualmente estariam no Guaíba, como resíduos orgânicos, vegetação e até mesmo resíduos de origem agrícola, industrial ou de origem doméstica, como esgoto doméstico, por exemplo", explica o coordenador.


A laguna denominada de Lagoa dos Patos possui cerca de 265 km de extensão e 60 km de largura. O coordenador do LODS explica que para chegar até a Lagoa dos Patos, a chamada "pluma" de sedimentos percorreu de 250 a 300 quilômetros de extensão. Além disso, Fabricio comenta que o fenômeno de transporte de sedimentos da Lagoa para o Oceano é comum, contudo, desta vez, foi potencializado pelo excesso de chuvas.

"Em um cenário normal, típico da Lagoa, ela exporta sedimentos da região estuarina, próxima a cidade do Rio Grande, até o Oceano, porque é comportamento normal desse ambiente e a origem deles é a mesma. Não temos chuvas tão intensas ao longo de todo o ano, mas temos chuvas que sempre levam esses sedimentos para as bacias hídricas e alcançam o Oceano. Então, essa movimentação de transporte e exportação de sedimentos é normal. Porém, o que a gente teve agora foi um excesso de chuvas, uma situação completamente atípica que contribuiu para um volume de sedimentos muito maior do que aquele que usualmente chega ao Guaíba e a Lagoa dos Patos", comenta Fabricio Sanguinetti.

Impactos ambientais 


Os detritos que estão sendo depositados no estuário da Lagoa dos Patos contêm uma variedade de materiais que podem resultar na contaminação da vida marinha. Na última semana, diversos moradores registraram a olho nu a presença de água turva na Lagoa, no final dos Molhes da Barra.  Segundo o professor e ecólogo da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Marcelo Dutra, esses sedimentos causarão impactos na fauna e flora, afetando todo o ecossistema da cadeia alimentar, incluindo os peixes consumidos pela população.


 “O estuário é uma zona de grande riqueza biológica. Até que este material todo seja carregado para fora, nós vamos ter as consequências sobre a fauna, sobre a flora,  na cadeia trófica, ou seja, talvez em algum momento até alguma coisa absorvida, quem sabe, para quem consumir em algum momento o camarão, em algum momento o pescado de forma geral. Não dá para imaginar que não haverá nenhum tipo de impacto, pois haverá, talvez ele ainda não esteja conhecido ou dimensionado, mas a gente tem que projetar no tempo que haverá um risco sempre de ter um contaminante no futuro, porque isso deve chegar na nossa fauna com toda certeza e no alimento, obviamente. Então, muita atenção e muito monitoramento daqui pra frente será necessário”, destaca Marcelo Dutra.

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