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Rio Grande,17/08/2022

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A ressignificação do “rouba, mas faz”

Novo fenômeno em curso, o crescimento da favorabilidade do termo “rouba, mas faz”

Ouvir o que as pessoas pensam nos dá a capacidade de compreender que as ideias e as opiniões mudam conforme muda a forma de se olhar, de se ver a realidade. É como se cada pessoa tivesse uma “janela para a realidade”, um espaço para observar e se informar sobre o que está acontecendo. Alguns utilizam uma janela grande e abrem ela todo dia, uns dão uma espiadinha em uma janela menor e tem aqueles que só abrem uma fresta de sua janela basculante quando são motivados ou obrigados a se informar. 

Essa metáfora me auxilia a explicar um novo fenômeno em curso, o crescimento da favorabilidade do termo “rouba, mas faz”.

Na eleição de 2018 o tema da corrupção pautou a agenda do debate e as pesquisas de opinião. O tema da corrupção liderava todas as pesquisas de opinião e era citado em todos os grupos de pesquisa qualitativa. Se perguntássemos qual era o principal problema do país, a resposta era corrupção. Se perguntássemos qual deveria ser a prioridade para o próximo presidente, a resposta era o combate à corrupção. Era o momento alto da Operação Lava Jato e do juiz Sérgio Moro, marcas que traziam consigo a ideia de moralização política. 

A Operação Lava Jato se tornou uma marca conceituada, como uma grife, para o bem ou para o mal. Os que defendiam a Operação ganhavam notoriedade e os que apareciam como suspeitos, era sumariamente excomungados pela opinião pública.

Voltando à analogia da “janela”, pode-se dizer que o tema da corrupção não está mais no horizonte do eleitor. Ao contrário, quando se questiona sobre o tema da corrupção o eleitor até concorda que ele é importante, mas não é a prioridade.

Conforme diminui a importância do combate à corrupção, aumenta a complacência com a lógica do “rouba, mas faz”. Não significa dizer que o eleitor é conivente com a corrupção. Significa dizer que a opinião pública está utilizando uma outra régua para pensar nas prioridades dessa eleição, movida por um conjunto de fenômenos que aparecem nas “janelas” dos eleitores:

- decepção com a decadência da Operação Lava Jato, que reativou a ideia de que “tudo termina em pizza”;

- sensação de que foi induzido a um erro de julgamento, tendo dificuldade de avaliar se houve ou não decisões judiciais de forma parcial ou interesses políticos comandando prisões e condenações da Lava Jato;

- a percepção de que a corrupção continua ocorrendo e que faz parte da natureza dos políticos e/ou do funcionamento do sistema;

- a ampliação das dificuldades financeiras das famílias, estimulando um sentimento nostálgico que sustenta a ideia de que os governos anteriores podiam até roubar, mas garantiam uma estabilidade econômica e ofereciam um conjunto de benefícios sociais que auxiliava no progresso das famílias.

Cada um acessa uma “janela” diferente para avaliar a mesma realidade. Alguns definem a sua opinião pela mídia, outros pelos comentários das redes sociais ou pelos materiais compartilhados pelo Whats. Têm aqueles que gostam de conversar sobre política, existem os que utilizam a “janela” de comparação com o passado para tomar uma posição e até aqueles que se alimentam do discurso do ódio para justificar o seu juízo de valor.




 



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