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Rio Grande,13/03/2026

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Marisa Martins

Onde Fica Salaverry?

“É o tempo da travessia. Se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”. - Fernando Pessoa


Onde Fica Salaverry?

Onde fica Salaverry, perguntei-me certa vez. Questionei sempre onde ficam lugares, rotas, caminhos, estrelas, geleiras, desertos ou florestas. Sóis e luares. Continentes, lagos, rios, ilhas e oceanos.


Em encontro atemporal, transcendental, conversei com Fernando Pessoa. Ali restaurou-se o tempo de ousar que, acomodada, quase perdera.


Jamais haverá respostas para todos os questionamentos. É bom que seja desta forma. A vida assume-se, desafiante.


Ousei, assim, sempre questionar, como ousei tentar responder. Jamais ficaria “à margem do caminho”, estagnada.


Desta forma, junto à instauração do tempo de ousadia, é necessária a coragem para iniciar a travessia. De polo a polo. Do ocidente ao oriente. De auroras a anoiteceres.


Nas geografias e na vida.


Ora, direis, filosofias, utopias, fantasias, quando a pergunta é: onde fica Salaverry? Respondo-a.


Salaverry fica no centro do simbolismo de ousar travessias. Entre o polo norte e o polo sul, em paralelo próximo à Linha do Equador. No Peru. À beira do Pacífico.


Ali, contemplando um velho barco abandonado na areia, vendo gente simples, muito simples, comprando peixe, atingiu-me em cheio a singeleza do que pode ser a vida.


Ali, no meio da travessia, vislumbrei a essência das palavras do poeta.


Sem escolha pela vontade de viver, sem metades de felicidade, tristeza ou de coragem, não conheceria Salaverry.


Não descobriria o barco na areia, pessoas de tal forma simples, peixes, tantos peixes. A singeleza da vida.


Onde fica Salaverry?


Fica como marco da travessia. Onde não há mais o medo de ousar. A margem física, e de nós mesmos, é superada.


Mesmo que não responda a todas as perguntas, encontrei Salaverry.


Como encontrei tantas coisas que se integram às memórias, em invisíveis conexões.

Existiriam se não tivesse ousado?


P.S.: “Não há saudade mais dolorosa do que das coisas que nunca foram”...

  • Fernando Pessoa.




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