Rebeldes do Gelo

Rebeldes do Gelo

“A greve geral de mulheres tornou a Islândia o país mais feminista do mundo”. BBC

Por Marisa Martins 21/10/2021 - 09:43 hs

REBELDES DO GELO

Marisa Martins

aloha.marisah@gmail.com

Foto: arquivo pessoal

 

“A greve geral de mulheres tornou a Islândia o país mais feminista do mundo”. BBC

 

Reykjavik. Islândia. Capital mais ao norte do mundo, junto com Nuuk, capital da Groenlândia. Perto do Círculo Polar Ártico. Reykjavik significa Baía Fumegante. Isto pelos muitos gêiseres na região, que a deixam enfumaçada.

Outubro. Outono no hemisfério norte. Na Islândia, ainda farão algumas horas de claridade. No inverno, serão só três ou quatro horas. Em contrapartida, no verão, nunca escurece totalmente.

Muitas mulheres andam pelas ruas. Raros homens. Prédios públicos, bancos, fechados. Feriado?

Sim. Agora sei que festejam com antecipação a entrada do inverno. Jogos vikings fazem parte das celebrações.

Agora sei, também, que há quase cinquenta anos, numa sexta-feira de outubro, cerca de 25 mil mulheres, noventa por cento das islandesas, entraram em greve.

Foi a Sexta-feira Longa. 24/10/1975.  Mulheres, lideradas pelo movimento feminista Meias Vermelhas, cruzaram os braços. Resolveram não trabalhar em casa, ou profissionalmente, como rebelião para diminuir a desigualdade de gênero.

Pararam o país. Homens tiveram que cuidar das crianças, cozinhar, limpar. Não puderam ir ao trabalho. Escolas, fábricas, lojas, bancos, repartições, fecharam.

 E lá estavam elas, as mulheres rebeldes, pelas ruas de Reikjavik, numa sexta-feira de outono, celebrando a vitória feminina. Desfilavam pela arquitetura típica, muitas de pedras vulcânicas, outras, de madeira.

Efeitos? Em 1980, o povo islandês elegeu Vigdis Finnbogadottir, uma das líderes da Sexta-Feira Longa, como a primeira presidente mulher daquele país. E da Europa. Foram dezesseis anos no poder.

O Fórum Econômico Mundial, então indicou, em 2014, a ilha gelada de, à época, 220 mil habitantes, no IGDG – Índice Global de Desigualdade de Genebra, como o país com menor índice de desigualdade.

Não só isso. Desde 1915, há mais de cem anos, as Islandesas têm direito ao voto. Antes de muitos países ditos evoluídos.  

Elas merecem? Merecem. Pela rebeldia.

Belas rebeldes do gelo...

 

P.S.: Na crise financeira de 2008, elegeram Johanna Sigurdottir, Primeira-Ministra. Em 2017, Katrin Jacobsdóttir.  

 

 



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