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Rio Grande,21/05/2024

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Samuel Ferreira

Um Amanhã Tão Próximo do Agora

Olá para você que recebeu essa mensagem. Prometo que tentarei ser rápido e direto e contar um pouco do que vivi.


Um Amanhã Tão Próximo do Agora

Um Amanhã Tão Próximo do Agora.


Olá para você que recebeu essa mensagem. Prometo que tentarei ser rápido e direto e contar um pouco do que vivi. O ano era 3567 após o grande impacto que a Terra sofreu de um gigante asteróide. Esse impacto movimentou o eixo gravitacional do planeta fazendo com que fosse verão quase o tempo inteiro em quase todos os continentes. O pouco que se sabe é que em meados de 2024, a população humana da Terra vivenciou altíssimas temperaturas, grandes inundações, aumento do nível dos oceanos e mares, o efeito estufa foi potencializado, doenças que eram simples viraram pandemias descontroladas, a falta de comida foi catastrófica e isso desencadeou milhares de conflitos sociais.   


Em meio a esse pandemônio, algumas pessoas conseguiram escapar desse caos e partiram rumo a uma desesperançosa missão espacial que acabou encontrando um porto seguro em alguma galáxia. Essa população  que restara da humanidade vivia em um planeta bem distante da Via Láctea. O planeta em que a humanidade vivia atualmente possuía muitas semelhanças com a Terra. Até mesmo seu baixo nível de oxigênio, lembrava bastante os últimos anos da humanidade no antigo globo azul. Esse novo lar  encontra-se organizado de forma semelhante ao que se tinha de modelo social e político na Terra, até porque nada se cria, tudo se copia. Mas de certa forma, seu sistema de castas era um pouco mais rígido.


Não sabíamos por vezes se esse “novo mundo” era uma infeliz consequência dos livros e filmes de distopia que líamos, ou se acabamos por construir exatamente aquilo que consumíamos como entretenimento. A verdade é que nos encontrávamos nessa sociedade desigual, dominados por uma casta política de seres híbridos, metade humana, metade máquinas, mas que forneciam, de 5 em 5 anos, a possibilidade de vivenciar uma experiência social e econômica diferente nesse planeta.


As opções eram 2 (duas):


a) Um regime democrático, popular e menos consumista, mas com certa abertura de ideias para que pudéssemos viver, pensar e refletir fora de um determinado padrão mais conservador. Durante esse regime político, caso tivesse sua vitória garantida nas urnas, seus eleitores teriam direito a educação, saúde, alimentação, segurança, transporte e previdência social de forma gratuita;


b) Um regime político mais conservador, com uma abertura de consumo mais ampla, mais liberal (no sentido econômico), com pouca interferência do Estado (pelo menos na aparência). Durante esse regime político, a saúde, educação, alimentação, segurança, transporte e todas outras questões básicas, eram pagas pelos seus cidadãos;


O controle desses “serviços” era feito por um chip que cada cidadão nesse planeta possuía. Poucos dias de nascimento os bebês já estavam com os chips implantados. As coisas funcionavam mais ou menos assim: se você tivesse votado em favor do regime político mais democrático, e caso o regime político conservador tivesse vencido nas urnas, você teria que pagar pela escola do seu filho, pois na entrada da escola o leitor de chip verificaria que você votou no regime democrático e negaria seu acesso ou de sua família. Se você não tivesse como pagar pela educação durante o regime conservador, vocês ficariam sem educação ou qualquer outro “serviço”.


O contrário, também acontecia. Durante o regime democrático, se você tivesse votado pelo regime conservador, você não teria acesso aos benefícios desse regime democrático, você teria que pagar, pois você defendeu na urna um projeto político contrário.


Uma das coisas que esqueci de comentar é que eram 3 (três) as castas nesse planeta. Como você já deve ter imaginado, uma classe baixa, uma média e uma alta. E para aumentar as coincidências com o antigo Planeta Terra, a casta mais alta e mais poderosa, adorava os tempos de regime conservador, principalmente porque ela tinha capital para pagar tudo, enquanto usufruía de todos os espaços, serviços e benefícios, enquanto a maior parte da população ficava excluída.


Eu era da casta média. Acreditava que um dia podia ascender para a casta alta, e por vezes até acreditava nas falácias colocadas pelos defensores do regime conservador. Certamente o regime conservador, possuía suas benesses, mas principalmente para os da casta alta. O regime democrático, não era uma maravilha, mas era algo que me contemplava de forma muito mais humana. O problema é que por vezes, mesmo eu sendo da classe média, não percebia que estava mais próximo da casta baixa e não da alta. Pelo menos era assim que os da classe alta me percebiam. Portanto, mesmo por vezes querendo apoiar o regime conservador, sempre acreditei que o democrático era menos pior, e que dentro dele mesmo nas dificuldades, poderíamos tensionar e construir algo melhor.


Certa vez meu filho ficou muito doente. Dias de febre, vômito e as medicações que tomava não faziam ele melhorar. Estávamos durante o regime conservador, e corri para o Centro Hospitalar mais próximo. Um grande Hospital, moderno e que poderia recuperar qualquer pessoa, pois tínhamos chegado em um avanço científico e medicinal incrível. Chegando lá, desesperado, com meu filho nos braços, cheguei na grande portaria controlada por grandes robôs armados e coloquei meu braço no leitor de chip. Naquele momento, de forma visceral, meu mundo desmoronou. Através de uma voz eletrônica fui informado:


Senhor, você é apoiador do regime democrático. Estando nós em um regime conservador, você só terá acesso ao hospital mediante pagamento. Lamentamos muito caso não tenha condições econômicas para pagar pelo acesso e tratamento. Nossa sociedade agradece a sua compreensão.



(Texto ficcional. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência .)



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