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Rio Grande,03/07/2022

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O Xadrez da política gaúcha na pré-campanha

Pesquisa Exame/Ideia trouxe bons elementos de análise.

A revista Exame divulgou na última quinta-feira, 16, uma pesquisa para o Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Um bom material da pesquisa EXAME/IDEIA realizada com 1.000 eleitores do estado do Rio Grande do Sul, por telefone, entre os dias 10 e 15 de junho e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob número RS-04825/2022. Essa pesquisa, traz alguns dados bem interessantes para análise. O primeiro deles é que em todos os cenários analisados, inclusive na espontânea, em que o eleitor não recebe a lista de candidatos, Onyx Lorenzoni (União Brasil) está a frente. Isso mostra que o Bolsonarismo, até agora, vai se classificando para o 2º turno aqui no Estado. Neste campo político, péssima notícia para o senador Luis Carlos Heinze (PP) pois, parece que o Bolsonarismo já escolheu o Onyx, o que está deixando-o com pouco espaço para se consolidar como o candidato de Bolsonaro. 

Mas por que isso é importante? Simples, quando olhamos para o cenário nacional no RS, a mesma pesquisa indica que Bolsonaro está a frente de Lula. Na espontânea chega a bater 31 a 24. Na estimulada aperta mais um pouco, ficando em 39 a 30, vantagem do atual presidente. Com esse dado podemos imaginar que a força de Bolsonaro será sentida sim, nos candidatos locais. Diferente de outros estados em que o apoio do capitão-presidente seria uma desvantagem, aqui poderá ocorrer o contrário. Há de se ver ainda o início das campanhas e os apoios formais como irão se estabelecer. Contudo, o ex-ministro Lorenzoni está levando vantagem. Deve preocupar-lhe a rejeição apontada, cerca de 27% dos que responderam dizem não votar nele de jeito nenhum. Pode ser um problema, principalmente, em caso de segundo turno. 

No campo mais centro-direita temos dois candidatos que buscam se fortalecer. O primeiro é o candidato à reeleição Eduardo Leite (PSDB). Quanto à Leite pesa a rejeição apontada nessa pesquisa de 25% e suas escolhas dos últimos meses. Leite abandonou o Palácio Piratini em busca de um sonho, tomou várias decisões que considero erradas na condução de sua empreitada nacional, quebrou uma promessa feita com os gaúchos de não ser candidato à reeleição e agora, mais recentemente, a polêmica da aposentadoria a ex-governadores. Embora Leite tenha força eleitoral, essas situações apontadas podem vir a ser seu calcanhar de Aquiles no pleito porque serão muito utilizadas pelos adversários para desgastar sua candidatura.

Ainda nesse mesmo campo de Leite, temos Gabriel Souza (MDB). Ex-presidente da AL/RS, Souza aparece num dos cenários com 3%. É por esse desempenho que o PSDB vai tentando colocar o MDB na vice. Contudo, a história do MDB, ao menos nos últimos pleitos pode dar esperanças ao Gabriel. Afinal, em 2002, Rigotto foi o grande azarão da corrida ao Palácio Piratini. Já em 2014, em agosto, Sartori tinha 7 pontos. O MDB tem estrutura partidária, diferente de outras legendas para viabilizar seu candidato até outubro. Portanto, não é uma campanha que nasce morta. 

Já indo ao campo de centro-esquerda, Vieira da Cunha (PDT) tem muito menos capilaridade partidária do que o MDB, por exemplo. Vieria da Cunha e Gabriel aparecem nos mesmos patamares numéricos. Numa eleição com tantos candidatos e o baixo desempenho de Ciro Gomes no RS é muito improvável que essa candidatura tenha força suficiente para alavancar. No PSB, com Beto Albuquerque, as expectativas são um pouco melhores. Beto tem desempenho razoável nas estimuladas, mas sofrível na espontânea.  Isso quer dizer que ou o eleitor gaúcho não o conhece, ou não sabe que ele é candidato. Temos aí ainda o PT já mais a esquerda, com Edegar Pretto. Pretto vai bem na espontânea porque o PT tem força partidária e já contou ao eleitor quem é seu candidato, mas cai na estimulada. 

Unificação de chapas

No caso do PSDB/MDB a história já mostrou que conseguem vencer os campos políticos e irem ambos ao segundo turno caso o povo gaúcho queira. Fez isso em 2018. No caso do PSB/PT não vimos os gaúchos levando dois projetos de esquerda ao segundo turno. Portanto, no caso da esquerda, caso queira ter uma vaga no segundo turno, a melhor opção parece ser com a unificação das candidaturas. Ao menos diante dessa pesquisa, embora Beto e Pretto tenham a mesma rejeição, os números são mais favoráveis ao candidato do PSB. Separados, dificilmente chegarão ao segundo turno. 

Desidratação de Campanhas

Diante de tudo isso é preciso ressaltar que o Rio Grande do Sul tende a resolver suas eleições bem próximo do pleito. Em 2014, Ana Amélia Lemos era líder e acabou fora do segundo turno. Em 2006, Yeda Crusius entrou numa ascendente aos 45 minutos do segundo tempo e conseguiu tirar Rigotto, então candidato à reeleição, do segundo turno. Portanto, nenhum dos candidatos no topo da tabela podem dormir tranquilos, bem como, aos últimos colocados ainda há muito chão pela frente. Os gaúchos são pesquisadores, acompanham os candidatos, os programas de TV, a conduta de cada um. Portanto, no Xadrez das composições partidárias é sempre preciso lembrar que quem define o resultado é o eleitor e o jogo só acaba com o total dos votos apurados. 






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