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Rio Grande,23/04/2024

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Marisa Martins

Negociação

Em mundo de tantos costumes desconhecidos, cena faz passos pararem.


Negociação

NEGOCIAÇÃO

Marisa Martins

aloha.marisah@gmail.com 


Em mundo de tantos costumes desconhecidos, cena faz passos pararem.


Bairro Pequena Índia – Little India - em Kuala Lumpur. Malásia. Colorido. Caos no trânsito. Mistura de arquitetura. Araras com roupas típicas pelas calçadas. Mercados com frutas e legumes. Comida de rua. Babel de línguas, de nacionalidades..

Difícil avançar caminhada. Há excêntricas vestes indianas a olhar, tocar, experimentar. Estranhos cheiros a sentir, de fruteiras e de pequenos restaurantes.

Não há, porém, cheiro de durian, fruta que, dizem por lá, cheira a bando de ratos mortos.  Ou, que tem odor de baunilha com chulé. Há placas proibitivas para a fruta, inclusive. Semelha à jaca, na forma e no interior, em gomos. Não entra em lugar algum, no sudeste asiático. Apenas biscoitos dela são gostosos. E permitidos. Sem mau cheiro.

Nesse mundo de tantos costumes desconhecidos, cena faz  passos pararem. Olho, abismada. É início de tarde em rua mais movimentada.

Ali, uma porta aberta para calçada. Sentada em degrau, mulher não muito jovem, celular na mão, negocia com cavalheiro. Não roupas ou frutas. Negocia favores amorosos, como coloca jovem indiano que também assiste diálogo. 

Longa e difícil negociação, à luz do sol. Acompanhada por olhares e por torcida. Como sói acontecer, naquela parte do mundo, nada se faz sem negociar. Mercadorias ou sedução. No caso,  satisfação vem pela conquista, e não pelo preço negociado.

Ela mostra com dedos, e no celular, quanto quer, indica escadaria após a porta; ele insiste em pagar com dinheiro que tem na mão. Faz de conta que se afasta. É chamado. Mais negociação. Por certo, foi aplicado desconto. Oferece mais uma nota. Torcida vibra.

Quem vencerá duelo conquista versus custo? Mais negociações.

Na tarde quente da Pequena Índia, em Kuala Lumpur, entre eclética arquitetura, coloridas vestes e adocicados cheiros, demorada negociação termina. Aplausos.

Passos de homem e de mulher, subindo escura e estreita escadaria, ressoam na calçada.

Quem saiu vencedor no prazer da conquista? Ele ou ela? Para mim, empate...


P.S.: Dez por cento dos habitantes da Malásia são indianos.


Foto: arquivo pessoal




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