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Rio Grande,13/04/2024

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Ique de la Rocha

Rio Grande poderia ter três carnavais

No Cassino, o oficial no Sambódromo e na Cidade Nova.


Rio Grande poderia ter três carnavais

Ique de la Rocha

 

Rio Grande poderia ter três carnavais

No Cassino, o oficial no Sambódromo e na Cidade Nova.

 

Na cidade do “Já teve”, volta e meia nos tornamos saudosistas e passamos a nos lembrar dos belos momentos vividos em nossa terra. O carnaval é um desses períodos que desperta boas memórias, especialmente nos que tem mais de 40 anos. Já nesta última sexta-feira, 9, não resisti e entrei na conversa de algumas mulheres, que recordavam os bons tempos dos bailes de salão no Águia Branca, Ferroviários, União Fabril, Caixeiral, Saca-Rolhas, Associação dos Empregados no Comércio, Ipiranguinha, Grêmio Luzitano e também no Caveirinha, um clube da Associação dos Funcionários da Santa Casa que funcionava ao lado das capelas mortuárias.

Mas tinha mais, como a Sociedade Cruzeiro do Sul, Câmara de Comércio, que ao menos no meu tempo já estavam decadentes, o Ipiranga Atlético Clube (IAC), que proporcionava os melhores bailes da cidade, e num ano trouxe a famosa Banda do Canecão, a SAC no Cassino, e não podemos esquecer de dois clubes tradicionais da cidade, o Braço é Braço e Estrela de Oriente, frequentados por negros, que no passado tinham de ter seus próprios bailes e reuniões sociais por causa do maldito racismo, que até hoje impera em sociedades atrasadas e nojentas.

Naquela época tinha a Orquestra Continental, Orquestra Piragine, Banda Rossini e algumas baterias de escolas de samba também animavam os bailes. A Academia de Samba Império Serrano, entidade carnavalesca mais forte da cidade, também possuía o “Sambão”, na rua Dr. Nascimento, que tinha saída também pela Duque de Caxias, e lá aconteciam grandes festas. Hoje eu não saberia dizer quais sociedades ainda organizam bailes de carnaval, mas que eles ainda existem, existem.

 

Carnaval movimentava o Centro

Sempre fui fã do carnaval e dos concursos das entidades carnavalescas. Nossos melhores carnavais foram na rua Marechal Floriano, quando muitas famílias compareciam e levavam até cadeiras de praia. A Prefeitura colocava algumas arquibancadas na praça Xavier Ferreira, gratuitas, e a maior concentração de pessoas se dava na esquina do Hotel Charrua (hoje Atlântico), onde, infelizmente, também aconteciam algumas brigas. Mas ali se ficava de frente para o palanque oficial, que era um luxo e cheio de mordomias para os privilegiados convidados. Ainda naquela quadra da Duque de Caxias havia uma boa concentração de bares, no prédio vazio em que há pouco esteve a Casa América (esquina com a Marechal). Ali tinha os ótimos Bar do Nelson (baurú e torrada, mais o cafezinho espetaculares, pratos comerciais. Era tudo de bom), o Bar Internacional, outro bom estabelecimento com um baurú servido junto com fritas, e na esquina uma galeteria. E na esquina do Calçadão com a Duque, onde hoje é a Gaston, havia o Dalila. Já não era mais o famoso café da cidade, mas um barzinho/restaurante, que ficava sempre lotado.

Em cima do Bar do Nelson era a Associação dos Empregados no Comércio, que depois passou para o último andar da Galeria São Pedro. Tinha o Grêmio Luzitano, na Duque de Caxias, o Caixeiral, onde estão as ruínas na Marechal Floriano ao lado da Prefeitura. Era comum os blocos de foliões, que iam para os bailes, primeiro passarem na Marechal Floriano para olharem os desfiles e o movimento. Quando desfilavam as principais escolas de samba, já na madrugada, os bailes também aconteciam com toda a força, mas muitos foliões iam para a janela da Associação dos Empregados no Comércio, para também apreciarem os desfiles. Muitos turistas lotavam o Hotel Charrua e seu bar no segundo pavimento. Quando as entidades desfilavam eles jogavam confete e serpentina de seus apartamentos.

Nosso carnaval também acontecia na rua Silva Paes, promovido pela Rádio Cultura Rio-Grandina. Não tinha o mesmo glamour da Marechal Floriano, mas também era muito frequentado, sendo que na última quadra da Silva Paes, antes da praça Tamandaré, tínhamos duas excelentes confeitarias que lotavam: a Hollywood e a Guarany. Já as barraquinhas dos vendedores ambulantes situavam-se em frente à Prefeitura.

Rio Grande, no passado, tinha o carnaval da Cristovão Colombo, na Cidade Nova, à tarde, e o do Centro à noite. No concurso oficial da Marechal Floriano primeiro passavam os conjuntos vocais e acadêmicos, que eram grupos mais ou menos de seis a 15 integrantes, que tocavam sempre ao redor de uma moça bonita. Sempre entendi que esses conjuntos eram ideais para se ouvir dentro de um bar, onde o som ecoa melhor.

 

A força das entidades

Depois dos conjuntos vocais e acadêmicos desfilavam os blocos carnavalescos. Os mais velhos lembram muito do Quebra-Osso, que era do Exército e seus integrantes saíam vestidos de índio e com tamancos. Dizem que sempre fechava o pau com a Brigada Militar. Eles tinham o boneco de um gorila, que aterrorizava as pessoas com seus olhos vermelhos e uma excelente bateria. Outra bateria maravilhosa, e que existe até hoje, é a do Bafo da Onça, muito popular no bairro Municipal. Não menos ótima, e até hoje lembrada, era a Nega Tereza, do bairro Getúlio Vargas, um núcleo habitacional tradicional que nos deu grandes entidades como As Praianas, Quem é do Mar não Enjoa (ambas da Estiva), Unidos da D.Pedro II (Cuca) e mais recentemente o Erva Santa. O Santa Tereza, bairro ao lado, nos deu o Vim Prá Ficar.

Na Barra teve a Escola de samba Almirante Tamandaré, muito bem organizada e sempre cheia de mulheres bonitas e a Furiosa da Barra. Na Vila da Quinta se destacava a Mocidade Independente, criada pela então vereadora Vera Lúcia Barbosa. Depois surgiram, muito bem dirigidas e com boa estrutura, a Unidos da Rheingantz e a Unidos do Mé, que foram campeãs de nosso carnaval, mas na maioria das disputas as brigas eram entre Império Serrano, sempre com muito luxo, a competência de Joel e Hélio Barbosa, e As Mariquitas, com a melhor bateria da cidade, onde se destacava a Ala das Baianas. Cid Silveira presidia As Mariquitas.

 

Carnaval também é turismo

Muito mais daria para escrever, como lembrar dos grandes carnavalescos, dos grandes dirigentes, de outras escolas que surgiram com o tempo, no Parque Marinha, no bairro São Miguel, na Castello Branco e outros locais da cidade.

O carnaval rio-grandino daria um belo livro e ainda acreditamos que surgirá algum governo no Município que valorize as entidades e organize nosso carnaval. Com organização e apoio muitas entidades renasceriam ou novas surgiriam. Poderíamos ter um calendário turístico nessa época integrando a Festa de Iemanjá, Nossa Senhora dos Navegantes e o carnaval, beneficiando a rede hoteleira, lancherias, restaurantes, o comércio em geral. Rio Grande poderia ser a única cidade a ter três carnavais ao mesmo tempo: o oficial da cidade, o da Cristovão Colombo e o do Cassino. Por enquanto é sonho, mas quem sabe...

 

Contatos com a coluna pelo email: iquedelarocha@gmail.com   



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