[Parte 11] - Transtorno de Estresse Pós Traumático

[Parte 11] - Transtorno de Estresse Pós Traumático

"Saí da Guerra, mas a Guerra não saiu de mim".

Por Eduardo Johnston 20/09/2021 - 17:54 hs

Seguindo nossa série sobre a ansiedade, hoje vamos falar sobre o transtorno de estresse pós traumático (TEPT).

 

Neste caso, os sintomas da ansiedade surgem após uma situação emocionalmente intensa e traumática, que geralmente faz com que as pessoas se sintam profundamente ameaçadas, vulneráveis e horrorizadas. Exemplos: acidente de carro, desastres naturais, assalto, violência física ou sexual, acidentes graves com animais, entre outros. Saliento que a pessoa pode ser uma vítima direta, apenas testemunha do evento ou ser um familiar próximo.

 

O transtorno pode ocorrer em qualquer idade e os sintomas geralmente se manifestam dentro dos três meses após o trauma.               O TEPT é mais prevalente em mulheres do que em homens, principalmente por estarem em uma probabilidade maior de exposição a eventos traumáticos, como estupro ou qualquer outra forma de violência interpessoal.

 

Qualquer estímulo relacionado pode desencadear uma série de memórias intensas e aterrorizantes que fazem com que os indivíduos se sintam impotentes, vulneráveis e com os nervos à flor da pele.

 

Estímulos associados ao trauma são evitados de maneira muito persistente pelos indivíduos. Ou seja, há muito esforço para evitar pensamentos, lembranças, sentimentos ou diálogos a respeito do evento traumático. Além disso, a vítima evita atividades, objetos ou pessoas que desencadeiam lembranças do evento.

 

Saliento que a visão atual do transtorno envolve um fator externo intenso, ameaçador e fora do controle do indivíduo (ocorrência do trauma) e fatores internos - biológicos (predisposição ao transtorno de ansiedade). Mesmo diante de uma tragédia, algumas pessoas não desenvolvem o TEPT, recuperando-se em um curto intervalo de tempo. Portanto, não existe TEPT sem trauma, mas existem traumas sem o desenvolvimento do TEPT.

 

A verdade é que, após uma situação traumática, os indivíduos nunca mais serão os mesmos. O tratamento não tem o poder de anular o passado. As lembranças (boas e ruins) fazem parte da nossa história. O problema nestes casos não é a lembrança em si, mas sim a reverberação traumática totalmente fora de contexto e a disfunção na análise de risco.

 

Com a Terapia Cognitvo Comportamental, é possível dessensibilizar a situação traumática e que o paciente administre melhor seus pensamentos, sentimentos e atitudes. 



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